O planeta Pacheco

22 de Maio de 2011 22:44
O versátil extremo pode agora estar a caminho do nosso futebol. Ele que já passou por estas páginas há um ano...

 

O futebol joga-se, imparável, por todo o mundo, 24 horas sobre 24 horas. Nessa apaixonante rotina futebolística, um dos meus hábitos é ver, pela madrugada dentro, os jogos da Liga mexicana, pouco conhecida dos olhos europeus, mas com grandes embates, emocionantes e de intensidade alta, estádios cheios e… bons jogadores. Foi nesse espírito que, há cerca de um ano, destaquei, nas páginas do Planeta do Futebol internacional, um jogador como aposta para estrela do futuro futebol asteca. Então confessei mesmo ficar muitas vezes a ver jogos do Atlas só à espera que ele pegue na bola. Essa sedução futebolística estava no estilo e projecto de jogo rápido e criativo do muchacho Edgar Pacheco.
Um ano depois, ele surge apontado ao Benfica. Entretanto, cresceu como jogador, ganhou maior maturidade, remata mais, forte e colocado, mas nos traços gerais, mantém o mesmo perfume de futebol. E é pensando nas suas características e posição onde joga (ala-extremo direito) que esse interesse encarnado, tendo em conta a forma de jogar preferencial de Jesus e as lacunas evidenciadas esta época, faz todo o sentido.
 
O estilo rápido, vertical, com capacidade de ir à linha na pele de extremo, forte no um-para-um, ou também procurar diagonais, movimentos interiores, criando desequilíbrios, encaixa na perfeição no flanco direito do 4x2x3x1 benfiquista. Também pode alinhar mais pelo centro, mas é sobre a direita, ou partindo dessa ala, que o seu futebol respira melhor.
A finta é, como em quase todos os jogadores mais baixos (1,75m.) uma das sua principais armas, mas apesar disso, não é jogador para jogar mesmo em cima do lateral. Como sabe não ser muito forte fisicamente, lê muito bem os espaços em antecipação e astuto, sabe recuar os poucos metros necessários para fugir a esse permanente contacto das marcações mais apertadas. Digamos que sabe criar um espaço de manobra que, embora curto, funcione como escudo de protecção ao seu futebol e movimentos de controlo, arranque e finta. Dele, retenho a imagem ágil e destemida a ir para cima dos defesas.
 
O futebol europeu vai exigir-lhe maior rigor táctico, mas em termos de intensidade o futebol mexicano (mais próximo do argentino do que o brasileiro) já tem um nível alto, pelo que nesse aspecto não sentirá grande choque. O seu talento salta à vista. Um ano depois será bem mais caro, naturalmente, mas esse é um destino natural de muitas estrelas que surgem muito novas no observatório de estrelas.
Edgar Pacheco é um pequeno sedutor do futebol mexicano. O seu crescimento natural será, agora, perder um pouco da irreverência imatura com que explodiu nos relvados mexicanos para, na Europa, calcular melhor o timing da finta e movimentos de desmarcação. Questão de dar maior cultura de jogo à sua natureza criativa.
 

 

 

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