O princípio de Anderson

22 de Dezembro de 2007
Seguindo a transformação do «jogador» Anderson do Porto para Manchester percebem-se as estradas certas por onde deve hoje crescer um futebolista moderno. A prova como a boa técnica depende de uma boa decisão táctica.
Para jogar é preciso primeiro pensar. Antes do movimento, o jogar bem, implica pensamento. Porque, em campo, o jogador está sempre a tomar decisões. Onde se colocar, quando passar e para onde, desmarcar-se ou não, fechar por dentro ou ficar, rematar ou simular, etc. O que determina a decisão é o pensamento. A Táctica. O que determina a execução é a Técnica. Assim mesmo, as duas com «T» grande. Como o movimento corporal, o gesto com o pé, a técnica é, essencialmente, de base, onde um jogador pode crescer verdadeiramente, na idade sénior, é na qualidade táctica, na chamada leitura de jogo. Penso nisto ao ver jogar Anderson no Manchester United. Ninguém ousaria ensinar algo de técnica pura a este mágico da bola. Precisava, porém, de melhorar o seu entendimento táctico do jogo. Para tomar as decisões tácticas certas que podem dar sentido à execução técnica. E, dessa forma, indirectamente, melhora a qualidade técnica. Pois a execução é determinada pela decisão mais correcta. Quando jogava no FC Porto, era elogiado sobretudo pelo seu poder de arranque e drible. Virava jogos sozinho, mas, dizia-se, era tacticamente subversivo. Só existia no momento ofensivo e assim desequilibrava a equipa. A verdade, porém, é que, no Porto, poucas vezes Andrson se destacou naquele que será, talvez, o seu melhor atributo técnico, muito para lá do drible. Falo da sua capacidade de passe. É o que sucede hoje no Manchester, jogando numa posição que seria impensável vê-lo no Porto. Com médio centro da primeira linha do meio-campo, formando, no papel, duplo-pivot com Carrick ou Hargreaves, com sucedeu em Liverpool onde blindou os espaços a Gerrard. Está, no fundo, a desempenhar o papel antes pertencente a Scholes, afastado por lesão. Nesta posição e, sobretudo, nas funções que lhe são atribuídas, Anderson passou a destacar-se também pela cultura táctica. Ocupa os espaços sem bola, intercepta passes e activa a transição defesa-ataque conduzindo a bola em posse (técnico-táctica) e resolvendo depois com precisão de passe (táctico-técnica). Pensa, táctica, e executa, técnica. A estrutura de que parte o jogar do Manchester auxilia este crescimento do Anderson. A equipa tem largura por natureza e assim ele não se desgasta a cair nas faixas, sofrendo depois para resgatar o equilíbrio central que a sua posição exige. Reparem na sua atitude quando a equipa recupera a bola ou quando a perde. A velocidade com que muda na sua cabeça o chip de passagem entre o momento ofensivo e o momento defensivo (e vice-versa) revela como está mais jogador no sentido colectivo de inter-acção com os colegas e o jogo. Em qualquer momento, Anderson prova como a boa técnica depende de uma boa decisão táctica

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