O Real Madrid e o «extraterrestre moleque»

3 de Setembro de 2005
E SE UM DIA, TODOS OS JOGADORES FOSSEM COMO ROBINHO?
Recordam-se de todas aquelas teorias sobre a adaptação dos jogadores sul-americanos ao futebol europeu? Pois bem, esqueçam. Desde domingo passado, desembarcou no Velho Continente um ET disposto a deixá-las todas de pernas para o ar: Robinho. Entrou em campo e 27 segundos depois já tinha dito que quando se é craque de verdade, tal emerge em todo o lado: no Brasil ou em Espanha. Na relva ou no pelado. Na praia ou na lua…
A forma como parou no peito um passe de Beckham de mais de 40 metros e deixa cair a bola mansa dominando-a de primeira; O jeito como fez um chapéu a um defesa do Cádiz ou como, em velocidade, passa sucessivamente o pé por cima da bola –as célebres bicicletas espanholas- driblando como respira, e, até, como se levantou, sem reclamar, após sofrer uma dura falta não assinalada pelo árbitro. Um cocktail de arte futebolística que quase faz dele um cartoon em forma de jogador de futebol. Junto de Ronaldinho, eles são dois presentes dos Deuses à solta nos relvados de futebol.
Passando a questões terrenas, a divina aparição de Robinho nas canchas hispânicas, laçou, no entanto, o debate táctico em torno do novo Real Madrid de Luxemburgo. Como terá ele de se esquematizar para encaixar o novo ET canarinho? O primeiro esquema, em Cádiz, manteve a design base da época passada, com Gravesen como trinco, atrás de uma segunda linha ofensiva de três médios. Com Zidane no centro, mais perto da área, e Beckham na direita, a grande dúvida mora na colocação de Júlio Baptista à esquerda, onde nunca se sentiu cómodo. Nesse espaço reduzido, revelou sempre um clar desconforto, precocupado com as subidas de Roberto Carlos, hesitante em subir ou flectir, pareceu um tubarão numa banheira. Adaptação falhada, pois. A entrada de Robinho, para o lado de Ronaldo no ataque, recuando Raul, revolucionou o onze. Nesse segundo puzzle táctico, Baptista substituiu Gravesen á frente da defesa, resgatando o doble-pivot com Beckham, num 4x4x2 clássico. Parece esta a melhor solução. Baptista dá ao músculo ao meio campo, mas, ao contrário do cariz destrutivo de Gravesen, também constrói jogo. Afinal, recupera a posição com que iniciou a carreira, médio defensivo, e, na dinâmica moderna do posto, até se poderá assumir, salvo as devidas proporções, num «novo Vieira», tal a pujança de progredir em posse de bola. Veremos qual a disponibilidade do jogador para aceitar essa missão. É que depois de se jogar, com sucesso, em posições mais adiantadas, fazendo golos e cativando elogios, não é fácil aceitar recuar no terreno... Atrás de Robinho e Ronaldo, no ataque, a dupla Zidane-Raúl deambularia com criatividade, coordenando o último passe e jogadas de desiquilibrio, ficando as alas entregues ás subidas dos laterais Michel Salgado-Raul Roberto Carlos. A circulação de bola, fica, assim, garantida por todo o campo. Veremos como será o equilíbrio do onze neste esquema. A dúvida reside em saber como reagirá nas transições ataque-defesa

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