O relatório polaco

11 de Outubro de 2006
COMO JOGA A POLÓNIA: MODELO E TÁCTICA, CENTRO E FAIXAS.
Nas horas de maior tristeza nostálgica, os polacos ainda recordarão os gloriosos anos 70/80 de Lato, Deyna ou Boniek, mas a verdade é que a actual realidade é muito diferente. No seu comando há três meses, Beenhakker busca soluções para tornar mais dinâmico e criativo, o jogo de uma equipa estruturalmente pesada e com pouca imaginação. Uma missão à medida de jogadores como Zurawski, Krrzynowek ou Smolarek.
Submersa numa atmosfera de dúvidas e desconfiança, a Polónia é hoje uma selecção à procura do modelo de jogo que melhor enquadre o seu estilo. Com pouca criatividade, é, estruturalmente, uma selecção, digamos, algo pesada, sobretudo no meio-campo, que tem dificuldades em acelerar o jogo na construção ofensiva. Chegado ao seu comando após a decepcionante participação no Mundial 2006, Leo Beenhakker vive momentos difíceis nesta sua aventura a leste. Faltam, no actual futebol polaco, jogadores que façam verdadeiramente a diferença. Sem essas referências individuais de qualidade, procura, sobretudo, que o onze se mantenha coeso em campo. Todos recuam para trabalhar na recuperação da bola e todos avançam, subindo as linhas, após o seu resgate e início do processo ofensivo. Uma filosofia de jogo na qual assenta, tacticamente, os dois sistemas de referência da equipa que varia entre o 4x2x3x1, sem bola, e o 4x4x2, com bola.

4x2x3x1 ou 4x4x2: Zurawski, a chave da dinâmica

A base para esta transformação táctica, reside, na inteligência do jogador que actue como segundo avançado, nas costas de um ponta de lança mais clássico. Quando a equipa perde a bola, ele recua alguns metros e fica de perfil com os alas. Quando a recupera, entra desde trás, em apoio ou criando rupturas nas marcações adversárias, desenhando-se então um desenho táctico de dois avançados puros. Este papel tem sido desempenhado pelo inteligente Zurawski, que embora seja ponta de lança de origem, sabe manejar bem esta estratégia de mobilidade atacante. Sempre mais adiantado, como ponta de lança entre os centrais adversários, Beenhakker experimentou nos três jogos da fase de apuramento, três soluções diferentes: Frankowski (contra a Finlândia); Matusiak (contra a Sérvia) e Rasiak (contra o Cazaquistão). Jogadores diferentes, que colocam, problemas diferentes. Frankowski apesar de finalizar bem, é pouco móvel lento até, já tem 32 anos e joga na II Divisão espanhola (no Tenerife) e dá-se facilmente à marcação. Rasiak é o mais rápido, tem no sangue o estilo do futebol inglês (onde joga há três anos) e desmarca-se muito bem; Matusiak, que se estreou na selecção com Beenhakker, tem facilidade de remate, e, como é mais esquivo, foge ás marcações. Seja quem for que jogue em cunha no ataque, o verdadeiro perigo a travar é, no entanto, o desiquilibrador Zurawski, claramente o melhor avançado do futebol polaco, mesmo quando, estrategicamente, recua no terreno.

A ESTRUTURA DO MEIO CAMPO: Os «motores pesados» do corredor central

Independente do sistema táctico a utilizar, Beenhakker não prescinde de dois médios fortes no corredor central, operários de saibam fechar bem a defender, trabalhem na recuperação e, depois, com a bola, queimem-linhas na transição ofensiva e transportem a equipa para a frente, sem esta nunca perder a noção de bloco. Sem Szymkowiak, o jogador polaco mais próximo do 10 moderno (mas que não surge nestas convocação), o possante Sobolewski resgatou o seu lugar de patrão do sector. Luta pelas bolas divididas, ganha no choque e assume o transporte da bola. Forma-se assim, quase como um duplo-pivot defensivo, onde Radomski (que no FK Austriia joga como central) pode assumir o lugar de trinco, trabalhando sobretudo na recuperação. Ganha bolas e joga simples. A seu lado, Sobolowski, embora também activo no pressing, tem um papel decisivo no início de construção defesa-ataque. Quando invade a segunda linha do meio campo, surge Zurawski para assumir a fase conclusiva atacante, o chamado ultimo passe. Tudo isto é feito com pujança física, mas, por princípio, como pouca velocidade. Outras opções para este espaço, seriam Kasmierczak, mais lento e recuperador, ou Gargula, muito mais dinâmico, o tipo de jogador que, sem ser um grande talento, estremece com o jogo quando entra.

A importância dos alas: Jelen, Krzynoweck e Smolarek

Procurando jogar, ou ocupar, o campo todo, Beenhaker demonstra a sua raiz holandesa, no facto de manter sempre dois homem bem abertos nos flancos, para estender a equipa a toda a largura do terreno e dar, assim, maior referências de circulação de bola. Com as faixas sempre ocupadas, o onze também fecha melhor a defender nessa zona, missão onde se destacam os laterais que raramente sobem (quando o fazem é quase sempre só em apoio). Depois, recuperada a bola, incute uma profundidade ofensiva de jogo interessante pelas faixas. É nessa dinâmica que surge, sobre o flanco esquerdo, um dos melhores jogadores polacos da actualidade: Krzynowek. Há 8 anos na Alemanha, tem grande resistência física, mas, pelo seu flanco, é dos poucos que sabe acelerar jogo. Perto da área, centra bem ou remata forte. Quando colocado em posições mais centrais, desaparece do jogo.
Na direita, Smolarek é o elemento mais activo. Trabalha menos a defender. Também recua mas, mais frágil fisicamente, recupera poucas bolas. A atacar é, sem dúvida, o elemento mais móvel, surgindo muitas vezes em diagonal em zonas interiores, entrando depois na área, nos espaços vazios, em busca do golo. Um estilo semelhante ao de Jelen, também na direita (e que também pode jogar no centro), mais possante, mas muito difícil de travar quando, irrompe, pelo seu flanco em direcção à área. O segredo é nunca o deixar embalar e, fechando os espaços, à zona, forçá-lo a soltar a bola em zonas mais recuadas do terreno. Por fim, cite-se o jovem Blaszczykowski, 20 anos. Decepcionante na estreia contra a Finlândia, sobre o flanco direito, tem sido colocado em posições mais centrais. Vê-se que sabe jogar, tem bom toque de bola, mas falta-lhe ainda alguma agressividade.

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