Nesta opção, Luxemburgo demonstrou, desde logo, como um treinador se deve manter fiel á sua filosofia de jogo, afinal o que o destingue, em termos puramente futebolístico, dos outros. Foi assim que sempre jogara no passado. Apesar das vitórias serem um argumento demolidor, o actual jogo do Real está ainda, porém, muito longe de ser um paraíso. Vejamos:
Com a entrada de Gravesen, a equipa ganhou, quando não tem a posse a bola, maior dimensão física na linha de cobertura defensiva do meio campo. Com ela, Gravesen é, porem, um jogador com grande limitações técnicas no passe e circulação. Joga simples, nunca se esconde, mas nunca será capaz de fazer esquecer o maior erro de gestão da era-Florentino Perez: a dispensa de Makelele.
A compleição atlética de Gravesen dispensa, em tese, a obrigação do doble-pivot, mas só em tarefas de recuperação. Falta depois o chamado lado subsequente do pressing, a entrega da bola jogável. Para isso é preciso surgir Guti ou, noutra vertente da dinâmica táctica, Beckham quando flecte no terreno, recuperando a posição central antes ocupada. Na ala direita, porém, inglês pode evidenciar a maior qualidade do seu futebol: os cruzamentos enroscados para a área ou as mudanças de flanco em lançamentos longos. Com esta manobra, permite, muitas vezes, o desbloquear uma jogada para poder começar de novo.
Em 4x4x2, sem doble-pivot o onze ganhou maior personalidade como equipa de top. Esta questão de jogar com um ou dos trincos é, aliás, muito discutível em equipas de topo. Desde logo porque no lugar do volante-pivot deve estar sempre um grande jogador, visto este ser um lugar chave. O tipo de jogador que como diria Redondo quando colocavam outro jogador a seu lado à frente da defesa dizia: “é como se me tapassem um olho”. Com Gravesen, porém, sente-se a necessidade de outro jogador, mais técnico, que saiba fazer a saída de bola.
Por isso, o titular, em face do exposto, deveria ser Guti, embora, claro, o posto perca a tal dimensão física adquirida com Gravesen. Entre o físico e a técnica, penso que o Real, como equipa de top, deveria, obviamente, priviligiar a técnica. Outro debate seria sobre a necessidade do onze merengue contratar um verdeiro craque para esse lugar. No estilo, perdido que está Makalele, do que encontrará na Liga dos Campeões, do lado da Juventus: Emerson.

A grande mudança em termos de design reside, assim, na introdução do losango a meio campo. No rombo de Luxemburgo há, porém, a particularidade de existirem sempre três jogadores perto da bola, traçando várias linhas de passe curto, surgindo Figo no vértice ofensivo do rombo. A tendência de Raul em recuar na busca da bola em posições mais atrasadas faz, porém, que muitas vezes choque com Figo na mesmo espaço. Para evitar essa sobreposição posicional, Figo não hesit m voltar a decair para as faixas, sobretudo a esquerda, tornando-se no principal interprete das manobras ofensivas do onze.
É, porém, um jogo essencialmente lento. Mas, vendo bem, é impossível fazer um jogo rápido quando não se tem jogadores rápidos. Isso leva-nos há questão de saber que tipo de jogador é hoje Zidane? Jogando no centro ou na esquerda, foi, na prática, o que menos sentiu a mudança de sistema, mas sem mudanças de velocidade é incapaz de dar dinâmica posicional a este desenho táctico. Tal só é resolvido quando entra Solari, capaz, através da profundidade de jogo que incute á faixa esquerda, de dinamitar um jogo a partir de uma simples flanco. Se, no entanto, a melhor defesa é, em teoria, ter maior posse de bola do que o adversário, sobretudo se for no meio campo contrário, então este Real Madrid melhorou muito em termo de equilibrio colectivo.

Neste desenho, espelha-se o actual modelo de jogo preferencial de Wanderley Luxemburgo no Real Madrid. Depois, com o decorrer do jogo (neste caso foi o que sucedeu contra o Numancia) pode entrar Solari, que irá jogar para o lado esquerdo, saindo Zidane, enquanto no ataque, refresca a dinâmica do sector com a troca de Raul por Portillo.
Guti, provando a sua polivlência, tanto pode entrar para o lugar de Gravesen, no vértice recuado, ficando como pivot, ou para o lugar de Figo, assumindo o papel de rombo ofensivo, nas costas dos avançados.