Quando foi campeão, em 1985, com um fabuloso onze onde estavam grandes jogadores como o guarda redes Southal, o lateral Gary Stevens, os médios Peter Reid e Trevor Steven, e os avançados Lineker e Andy Gray, o Everton, orientado por Howard Kendel, não teria, porém, na época seguinte, a possibilidade de jogar na Taça dos Campeões, devido ao castigo imposto ao futebol inglês no pós-Heysel. Era uma equipa espectacular, no seguimento de um memorável ciclo de domínio do futebol inglês, onde também estiveram Liverpool e Nottingham. Vinte anos depois, o Everton volta a conquistar o direito a participar na maior prova da UEFA, embora o seu titulo, esta época, não passe de seja um sensacional 4ºlugar.
Trata-se, porém, de uma grande proeza, obra do treinador escocês David Moyes, com um orçamento ínfimo, comparado aos de outros gigantes da Premiership.
Após ser goleado, no primeiro jogo, em casa (0-4), pelo Arsenal, demonstrando uma impressionante fraqueza defensiva, pensou-se que estava ali um forte candidato á descida. Moyes, há três anos no banco de Goodison Park, vindo do Preston, iria, porém, montar uma equipa muito competitiva que, mesmo perdendo Roney e Gravesen, nunca daria um minuto de descanso a qualquer adversário. O apuramento para a Champions acaba, assim, por colmatar, um pouco, a desilusão de 1985.

Tacticamente esquematizado em 4x4x2 ou 4x5x1, este Everton de Moyes teve os seus pontos fortes na mescla do meio campo entre lutadores, como Klibane e Carley, e organizadores, como Cahill e Arteta, este a partir de Janeiro.
Na defesa, manda o central Stubbs, enquanto nas laterais, Pistone, á esquerda, e Hibbert, á direita, faziam todo o flanco. No ataque, um ponta de lança muito interessante, daqueles de sozinho, colocar a cabeça em água a uma defesa inteira, Bent, que, na hora do jogo directo, com bolas a chover na área, tinha o apoio do irascível veterano Ferguson.
Praticando um jogo de traços típicos britânicos, com bolas longas, longe dos toques curtos e apoiados que marcam os novos tempos do continentalizado futebol inglês, ver jogar este Everton de Moyes foi quase como viajar ao passado dos relvados da Velha Albion.