O Sevilha de Caparrós: A sociedade Cantera-Brasil

27 de Janeiro de 2005
Mesclando talentos da cantera com um trio de brasileiros encantados, o Sevilha é, jogando num 4x4x2 aberto a toda a largura do terreno, apostando no jogo pelos flancos e na velocidade do contra-ataque, uma das equipas mais atraentes do actual futebol espanhol. Este é o seu perfil.
Destemido, treinador desde há quase duas décadas, quando começou nos campos da regional, no Campillo e no Montilla, Joaquín Caparros não tremeu, no verão de 2000 quando foi eleito para a dura missão de tirar um histórico do futebol espanhol da II Divisão: o Sevilha. A subida conquistada nessa mesma época levou-o, ao mesmo tempo, á sua estreia na primeira divisão, após treinar na segunda categoria Huelva e Villareal. Cinco épocas depois, o seu Sevilha tornou-se uma referência de bom futebol na Liga espanhola, na qual ocupa, actualmente, o 4º lugar. Regressou á Taça UEFA nove anos depois e, mesclando, jovens da cantera com estrelas brasileiras contratadas quase em sigilo, ainda em embrião, construiu um onze fiel á tradição tecnicista do futebol da Andaluzia.
Jogando num 4x4x2 aberto a toda a largura do terreno, apostando no jogo pelos flancos e na velocidade do contra-ataque, baseia a sua segurança defensiva numa dura e muito experiente dupla de centrais Alfaro-Javi Navarro, estendendo depois, ao longo do meio campo e ataque, a vertente técnica do onze, onde se destaca um trio de brasileiros, com arte e tacticamente perfeitos: David Alves, médio ala direito, muito rápido e, por ser originariamente lateral, exímio em ir á linha central; Renato, um organizador operário com grande visão de jogo, missão em que é auxiliado pelo incansável Casquero, e Julio Baptista, a besta, que chegou como médio defensivo e transformou-se, com Caparros, num potente avançado, verdadeiro terror das defesas adversários. O grande núcleo espiritual saiu, porém, da cantera, da qual jogam, habitualmente, de gerações diferentes, 4/5 pérolas na primeira equipa. Sergio Ramos, 18 anos, um fabuloso lateral direito para marcar época, Antoñito, médio ofensivo ou avançado, muito esquivo e oportuno, Carlitos, o mais velho, 28 anos, avançado móvel, que fora lançado por Toni em 94/95 e, sobretudo, Jesus Navas, 19 anos, ala direito com vocação ofensiva de extremo, mesclando drible, velocidade e remate. Cirúrgico nos reforços, o Sevilha de Caparrós é, também, um exemplo de prospecção. Cada aquisição, sem grandes alarido, é de máximo rendimento. É o caso, este ano, vindo de Tenerife, do médio centro Martí, o construtor da ligação meio campo-ataque, e do interior esquerdo Antonio López, ex-Valladolid, perfeito nas compensações defesa-ataque, enquanto Fernando Sales ainda busca entrosar-se. Outras opções ofesivas são Aranda e o temperamental uruguaio Dario Silva. Solidificado como titular há cinco anos, desde que chegou com Caparros, destaque-se também o excelente lateral-esquerdo David, o «elevador canhoto» tal a forma como sobe e desce pela sua faixa.

SEVILHA. TREINADOR: JOAQUIN CAPARRÓS. SISTEMA: 4X4X2

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