Uma equipa não é um sistema informático mas há casos em que o seu software táctico em campo dá a sensação de ter uma formatação tão rígida que parece estar previamente programadas para agir de ou outra forma. Penso nisso ao ver a Suíça. É uma boa equipa, tacticamente muito rigorosa a procurar (fechar) espaços mas ao longo de todo o jogo fica sempre uma ideia clara: parece que está programada só para defender (e sofrer). Nem procura muito a bola, limita-se a tratá-la quase com indiferença quando a recebe, não lhe dá confiança a meio-campo (não procura especular em posse) tenta meter um contra-ataque com uma mudança de velocidade dos alas (Behrami ou Barnetta) e o poder físico da passada dos avançados (N´Kufo-Derdyiok). Foi assim, que, quase vírus futebolístico, entrou, em dois jogos, num programa táctico-informático adversário exactamente o oposto na forma de conceber o jogo: Espanha e Chile. As selecções que mais cultivam a posse de bola deste Mundial. Estão programadas para isso.
A forma como a Suíça lhes «come» o relvado (não a bola) é perturbante. Inler, Hugel e Gelson Fernandes são os três comedores de espaços à frente da defesa que nunca é atraída pelo risco e parece colada à relva como se fosse cimento.
Nesse sentido, ver jogar, no pólo oposto, o programa táctico-técnico chileno é descobrir outro mundo. Bielsa depois do híbrido 4x3x3 do primeiro jogo (Honduras) surgiu no seu habitual 3x3x1x3 (ou 3x3x3x1) com largura, posse arriscada de bola, circulação e sucessivos passes de ruptura, diagonais ou verticais na construção ofensiva. Alexis Sanchez-Matias Fernandez- Beausejour (depois Valdivia e Gonzalez)) na segunda linha, Suazo (depois Paredes) mais adiantado. Nas alas, Vidal, médio-centro combativo de origem foi convertido em lateral-esquerdo todo-o-terreno. Ganhou os dois jogos mas ainda tem o apuramento ameaçado pelo vírus futebolístico suíço.
Ou seja, no fundo, a táctica é quase como um programa informático. Se a equipa não vai até à bola, a bola vai ter com ela. Depois, cada uma trata-a como entende. E, nesse momento, distingue-se logo as melhores equipas (as que jogam futebol).
A equação
inglesa
Na Inglaterra, regressou o médio-centro defensivo Barry, mas os problemas persistem. Amarrada no início de saída de bola, não encontra forma de estender o seu forte no processo de construção defesa-ataque. Nem circula a bola, nem dá profundidade a esses momentos. Nessa altura, quando quer jogar, parece que choca contra si própria. Gerrard na esquerda é uma boa ideia posicional de origem, mas sem Cole subir nas suas costas, quando Gerrard flecte para dentro (movimento interior habitual) a equipa fica vazia no flanco e não ganha o ocupante natural no centro da segunda linha do meio-campo.
E é aqui que reside o problema que no jogo tem o nome da falta de forma (intensidade para subir e chegar lá com lucidez físico-táctica) de Lampard. Por isso, tantas vezes vemos Heskey a recuar para essa zona entre-linhas e tocar para… trás em apoio. Na ala direita, vive apenas de picos individuais (Lennon ou Wright-Philips), sem combinações com interiores ou laterais. Entretanto, Joe Cole continua desaparecido. Soluções? Na estrutura, o losango (diamante em inglês). Mais do que pedir a tantos jogadores que cheguem a determinados espaços, colocá-los de olhem neles. A zona central da segunda linha do meio-campo sobretudo.