É quase um confronto filosófico de sistemas de marcação: qual a forma mais eficaz de defender nas bolas paradas: zona ou homem? Por princípio, prefiro a zona (entendida como activa e pressionante), mas tal não é uma verdade absoluta. Porque depende muito dos jogadores que se tem (características físicas/tácticas, hábitos, leitura, etc) pois a zona exige, claramente, inteligência de jogo muito maior. Que fazer? Penso que poder existir um compromisso entre as duas. Ou seja, a zona pode ter marcações individuais e esta pode ter princípios da zona.
Impressionou a passividade da defesa do Sporting (entenda-se jogadores no processo defensivo nessas alturas) nos lances de bola parada, cantos e livres laterais. Domingos destacou-o no final. Não é uma questão de altura, disse. Nem poderia ser, porque não preconiza o homem nesses lances. Pelo contrário, quer ganhar duelos de movimentação pela disputa de bola, não promover duelos físicos. A base é agressividade de antecipação a ler a trajectória e a atacar a bola para o corte. É nesse princípio de zona activa que a equipa falha.
No lado do carácter, falta grito, alguém autoritário que aponte e dê ordens. Na táctica individual, falta, quando a bola parte, em vez de dar passos atrás esperando por ela, dar antes dois passos à frente em direcção à bola. Olhar o adversário só quando o centro ainda não partiu, procurando a melhor zona controlar movimentos. Depois, olhar a bola quando esta parte e, com a melhor zona previamente definida, atacar o espaço lido em antecipação. Uma atitude táctica activa (carácter e inteligência).
É em situações destas (de passividade zonal), partindo do princípio que não existem posicionamentos universais, que penso na marcação à zona com…preocupações individuais. Ou seja, alguns jogadores fazem homem, outros zona, uma situação mista que deve ser utilizada quando o adversário é forte nesse jogo aéreo. Um sistema misto que salvaguarda as maiores exigências que a zona implica. A equipa que, nos últimos anos, vi fazer melhor isto, foi a de Benitez no Liverpool.
Partir de um canto para analisar o Sporting global, leva-me a recordar que na fase dos elogios prematuros escrevi aqui um artigo em contra-mão com essa opinião (A outra análise ao novo Sporting, 27 de Julho, logo após ganhar à Juventus). Não alinho agora, porém, na teoria do caos na organização do plantel. Há um plano de construção da equipa que Domingos tenta seguir mas das 15 contratações feitas, não encontro uma que entrasse de caras no onze titular do FC Porto ou Benfica (Rodriguez, no seu melhor, talvez, e Jeffren é o que tem coisas mais interessante). Até que surgiu o 16º novo passageiro: Elias. Este sim, esqueçam o resto, tem futebol que vale por todos os outros 15. Tem um mecanismo que alarga os caminhos tácticos que na relva se tornam mais estreitos. Numa frase: Pensa como jogador de equipa grande!
