Durou onze meses o reinado de Wanderley Luxemburgo no Real Madrid. Ultrapassado por uma voraz politica estratégica mediático-financeira e incapaz de gerir os equilíbrios táctico-individuais dentro da equipa, caiu sem apelo, confirmando, mais uma vez, o cruel destino de insucesso dos treinadores sul-americanos, mesmo os mais titulados, no futebol europeu. Excepções a esta regra, ganhando grandes ligas europeias, só Hererra, nos anos 60, Di Stefano, nos 70, e Valdano, nos 90, mas todos eles, mais do que sul-americanos futebolisticamente puros, eram mais, digamos, treinadores do mundo, há várias épocas na Europa, onde tiraram o mestrado táctico que faz a diferença. É verdade que, dentro da gestão Florentino Perez, a composição da equipa do real Madrid há muito que ultrapasou o mero critério desportivo, para ter sobretudo como prioridade uma estrtégia de marketing comercial de conquista de novos mercados (o asiático, por exemplo) e assim retirar dividendos financeiros gigantescos através da exploração da imagem das estrelas galácticas contratadas. Foi, nesse contexto, que se inseriu a aquisição de Beckham, ao mesmo tempo que se cometia o colossal erro de gestão desportiva na construção da equipa: a dispensa de Makelelé. Ao perder essa referência de segurança (recuperação e primeiro passe no inicio da construção) à frente da defesa, o Real Madrid perdeu, num ápice, o equilíbrio do onze. Carlos Queirós sofreu em silêncio com isso e acabou condenado num processo que, afinal, nunca controlou.

Wanderley Luxemburgo foi, no entanto, depois de Del Bosque, o treinador a dispor de maior margem de manobra para resgatar esse equilíbrio. Ao mesmo tempo que recebia Robinho, um, grande jogador mas desenquadrado das necessidades tácticas do actual Real Madrid, já pode escolher médios defensivos embora com contenção financeira. Assim, para esse local, optou por jogadores esforçados mas, claramente, sem dimensão de Real Madrid, como seria, por exemplo, um grande craque como Vieira que foi do Arsenal para a Juventus. Para esse local chegaram a Madrid, por esta ordem, Gravesen, Pablo Garcia e Carlos Diogo. Muito músculo, pouca classe táctico-técnica, que levou, inclusive, ao adiantar de Sérgio Ramos, adquirido ao Sevilha como lateral de origem, para médio defensivo. Ao não conseguir resgatar o equilíbrio táctico nesta zona de risco e pressing, o Wanderley Luxemburgo traçou, sem apelo, o seu destino no Real Madrid e acabou, como todos, vitima dos resultados…