A dois jogos do fim da fase de qualificação, quatro estreantes selecções africanas se perfilam para lograr o passaporte para a Alemanha: Costa do Marfim, Angola, Ghana e Togo. Podem-se adiantar duas razões para este fenómeno: 1º- A progressiva alteração da correlação de forças dentro do futebol africano, no qual o aumento do nível competitivo das selecções centro-africanas, a África negra, foi acompanhado da quebra dos onzes da região norte, a África branca, onde Marrocos é hoje a principal força. 2º- A chamada dupla personalidade demonstrada por muitas estrelas de selecções mais fortes, como Nigéria e Senegal, já a brilhar em grandes equipas europeias, mas que, depois, não revelam a mesma atitude competitiva, individual e colectivamente, quando regressam ás duas selecções. Caminhante de velhas batalhas, o capitão Jean-Paul Abalo, há dez anos no centro da defesa do Amiens, sempre entre a II e III Divisões francesas, sem nunca pisar um relvado da I Divisão, jamais sonharia com a possibilidade de jogar na fase final de um Mundial. Perdido nos confins do futebol africano, o Togo viveu sempre na sombra das grandes potências do futebol africano. Em cinco participações na CAN, nunca passou da primeira fase. Nos últimos anos, porém, um jogador exótico como o pássaro de Nairobi, começou aos poucos, com os seus golos, a tornar o seu país falado no mundo do futebol. Seu nome: Adebayor. É ele o novo símbolo da emergente selecção togolesa.
Composta por jogadores, tirando Adebayor no Mónaco, quase todos a alinhar na Europa em pequenas clubes ou equipas de divisões secundárias, o onze cresceu muito no plano táctico-técnico desde que o sábio Stephan Keshi (lendário central nigeriano do Anderlecht nos anos 80) assumiu o seu comando, substituindo o sorumbático brasileiro António Dumas que para lançar o futebol do Togo, sugerira naturalizar vários brasileiros para assim jogarem na sua selecção. A ideia revoltou todo o país. Astuto, Keshi entendeu a polémica e, profundo conhecedor do futebol africano e da forma como o tornar competitivo à medida do ritmo internacional, vasculhou por todo o mundo em busca de valores com raízes togolesas, incutiu-lhe o seu estilo natural e montou uma equipa atraente, capaz de causar sensação no Continente negro. No jogo chave frente ao Senegal, num ambiente adverso, montou um elástico 4x4x2 que geriu, com inteligência, os vários «timings» do jogo. Fez um golo cedo, mas quando o Senegal virou o jogo, em vez de arriscar tudo no ataque, decidiu antes trocar um médio ofensivo (Salifou) por um médio mais defensivo (Aziawonou). Com isso, reequilibrou o onze, distribuindo-o melhor em campo e passou a trocar a bola com mais segurança. O golo de Adebayor, perto do fim, gelou Dakar e colocou o Togo a um passo do Mundial-2006.
O ONZE TIPO DA SELECÇÃO DO TOGO RUMO AO MUNDIAL-2006

Uma das equipas do Togo nesta campanha rumo ao Mundial-2006: Agassa Kossi (guarda-redes), Kassim, Aziawonou, Atte-Oudeyi, Adebayor, Toure (em cima); Mamah, Salifou, Amewou, Olufade e Abalo (em baixo).