“Onde fica a porta da saída?”

September 11, 2011 3:52 PM
Que pensará Aimar quando obrigado a conduzir a bola desde tão longe da área adversária?

 

No mapa de diferentes estradas tácticas do relvado, os espaços não têm todos o mesmo valor ou influência na manobra da equipa. Apesar das grandes jogadas que podem nascer desde os flancos, (o local onde se refugiam no futebol actual os avançados mais criativos) é no centro e nos espaços interiores que moram as zonas de influência colectivas capazes de mudar a equipa. Nesse corredor central, desde o pivot até ao ponta-de-lança, vivem diferentes espécies de jogadores. Adulterar esse seus habitats naturais, altera as melhores condições para respirarem no jogo. A espécie rara que cruza capacidade de organizar com criatividade é a mais sensível a essa colocação contra-natura.
 
Os três grandes têm diferentes expressões táctica no centro. O 4x3x3 do FC Porto e do Sporting cruzam, na origem, princípios semelhantes: Pivot posicional (Fernano-Rinaudo) e dois interiores que recuperam e conduzem (Moutinho, mais transições, e Guarín, mais pressionante, no FC Porto; Elias, recuo-avanço, e Schaars, o mais evoluído no passe, no Sporting). Quando nesta equação entra Belluschi ou Matías Fernandez, a correlação de exigências tácticas altera-se porque entra um jogador mais vocacionado para a bola no pé. Se Belluschi ainda recua (embora recupere pouco), Matías só vive para a…bola e é o jogador que mais cresce quando lhe devolvem esse habitat (retirando-o da faixa). O jogo que fez nesse espaço contra o Leiria, os pormenores técnicos (mostrando que estava divertido) com transfer objectivo para o jogo, os golos e passes, mostraram que só faz verdadeiramente sentido mete-lo no mapa do jogo se for possível dar-lhe nele essa estrada táctica.
No Benfica, este traço organizador/criativo tem maior sensibilidade (táctica e física). Porque se fala em Aimar. No reciclado 4x1x3x2 de Jesus, o segundo médio-centro deixou de ser tão ofensivo para se colar mais ao pivot. É Witsel. Com isso, Aimar é muitas vezes quase segundo avançado. Como sente não ser esse o melhor habitat para o seu jogo de maestro respirar, recua para ter…bola e…espaços. Por isso parece mais um 4x2x3x1.
O jogo de Braga levou-o a dançar entre dois espaços longe desse seu habitat que melhor lhe permite organizar…criando. Ora porque (primeira parte) começou muito perto do ponta-de-lança, ora porque (segunda parte) começou muito perto do pivot-defensivo. Foi mais perturbante ver a dificuldade em tentar respirar (entenda-se tentativa de chegar, com a bola, à frente, à sua zona adiantada de maestro) no segundo tempo. De cada vez que o via arrancar desde trás, imaginava que na cabeça dele, enquanto conduzia a bola, só passaria a urgência de saber onde fica a porta de saída?
 
Com o mapa táctico confundido, sem GPS físico capaz de percorrer esses caminhos durante muito tempo, acabou por sair, como habitual, por volta do minuto 72-75. Uma substituição quase como a saída do labirinto onde fora tacticamente inserido.
 
 
 

 

 

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