Ordem: “lar doce lar táctico”

12 de Junho de 2011 19:14
Como reage um jogador quando é forçado a mudar de posição para jogar na selecção?

 

Uma equipa ordenada não tem de ser, necessariamente, uma equipa mecanizada. Nem isso é aconselhável. O ideal é o respeito pelas posições iniciais e, ambição táctica máxima, uma dinâmica onde seja possível as desmarcações e logo depois voltar rapidamente às…marcações.
Todas as equipas sentem esta necessidade de manter a ordem em campo, mas quando se fala numa selecção (que não tem as rotinas tácticas naturais de uma equipa de clube que treina todos os dias) tal torna-se mais evidente, pois a tentação de a confundir com mecanização é muito grande. Ou seja, os jogadores, perdida a noção de ordem colectiva (porque não a reconhecem como no clube) tendem a soltar os seus movimentos próprios (mecanizados a partir das suas características e hábitos), mas sem visão colectiva, quase sempre…desordenados.
 
No último fôlego da época, com o natural cansaço mental (fadiga táctica) evidente em quase todos os jogadores, a selecção nacional soube ser suficientemente inteligente para, frente a um adversário física e tacticamente difícil, manter a ordem durante quase todo o jogo. Por isso, nenhum jogador se destacou e até se ouviu a ousadia de alguém soltar uns tímidos assobios a Ronaldo já na segunda parte.
Com esta ideia na mente, passei a maior parte do jogo a seguir os passos do jogador que esta época mais alterou a mecanização do seu jogo (posição e espaço ocupados) em relação a épocas anteriores: Raul Meireles. Ao ponto de agora, quando regressa para jogar na selecção, ocupar uma posição, pivot-defensivo, no meio-campo de um 4x3x3, já muito distante do lugar que faz no seu clube, o Liverpool, onde virou quase médio ofensivo nas costas do avançado-centro ou então médio descaído para uma faixa (não me atrevo a chamar-lhe ala), na segunda-linha de um 4x2x3x1 ou 4x4x2.
 
Não sei até que ponto esta evolução (ou transformação) favorece o jogo de Meireles. Acredito que agora se divirta mais, disso não duvido. Mas do ponto de vista de manter a ordem no jogo, tal só é possível porque no seu subconsciente ainda está a… mecânica anterior. Mesmo assim, a forma fácil como, sobretudo no primeiro tempo, saía do seu posto (onde o grande principio é saber estar…quieto, isto é, tacticamente posicional) revelava que na sua cabeça já está…outro jogo, noutra ordem táctica (ia a escrever desordem). Meireles sente, naturalmente, vontade de chegar mais vezes à área adversária. O seu corpo táctico pede-lhe isso. E ele, claro, segue-lhe a vontade inglesa.
E, sempre que via o jogo a resvalar nesse ponto, voltava a olhar para o meio-campo, onde a rotação de Moutinho tentava fazer três posições e, num ápice, descobria a equipa novamente…ordenada. Uma ordem na exacta proporção da vitória por 1-0. Aquela que soube manter sempre activo o radar de regresso às posições de marcação. O lar doce lar táctico só voltava, porém, quando se voltava a ouvir outra vez o barulho das chaves de Meireles a entrar na fechadura da sua casa táctica nº6: A ordem táctica total estava restabelecida.
 

 

 

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