Os «canarinhos» na Bundesliga

7 de Janeiro de 2005
AILTON, FRANÇA, LINCOLN, ROBSON PONTE, CACAU, ELBER, MARCELINHO....
Um dos temas mais debatidos nos últimos tempos, tem sido a questão da adaptação dos brasileiros ao futebol europeu. Neste campo, há um fenómeno que adquire cada vez mais interesse. É a espantosa metamorfose, tanto na condição atlética como no estilo, evidenciada pelos canarinhos, sobretudo avançados ou médios ofensivos, poucos anos depois de estar a jogar na Alemanha. É a mescla entre a técnica e o músculo.
Lincoln chegou ao futebol alemão há quatro anos, vindo do Atlético Mineiro, para o Kaiserlautern, com 21 anos, habilidoso e como estrela das selecções jovens brasileiras. Meio franzino, jogando como interior direito, sentiu o choque da transição. Tinha o nº10 nas costas, mas em vez de relva fofa, encontrou sobretudo gelo. A magia estranhou o habitat, passou muitos jogos no banco enrolado numa manta, mas, três anos depois, no Schalke 04, está...outro jogador. A sua técnica ganhou uma nova musculatura, robusteceu o jogo e, este mês, foi eleito por todos os futebolistas a actuar na Bundesliga, como o melhor jogador da primeira volta. Em segundo, o seu companheiro Marcelinho Paraíba, do Hertha, falso-avançado, dono de uma história parecida, tal como outros habilidosos médios ou avançados canarinhos que, treinando com luvas, gorro e colants, aprenderam a conviver com o frio, e, numa impressionante metamorfose física, ganharam uma robustez atlética que mesclada com a técnica inata os transformou numa das maiores fenómenos da Bundesliga. A transformação sucedeu com vários avançados: Elber, França, Amoroso, Ewerthon, Cacau e, entre outros, o terrível Ailton, um jogador peitudo e sem pescoço, que, em corrida, com a camisola colada ao corpo, quase parece esconder um motor dentro da sua robusta caixa torácica. A nível de médios, fixem-se, para além de Lincoln e Marcelinho, em Robson Ponte. Chegou em 1999 para o Leverkussen. Esteve dois anos no banco e foi emprestado ao Wolfsburg, onde o seu corpo meio franzino (1,74 m. e 66kg.) ganhou potência muscular e aprendeu a driblar o gelo. Regressado ao Bayer, tornou-se no seu playmaker, médio ofensivo atrás dos avançados. Aos 28 anos, quase já nem parece um jogador brasileiro. Embora seja um posto, por origem, mais físico, também os defesas e os médios defensivos adicionaram outra robustez física ao seu futebol após passar pela Alemanha. Veja-se o caso de Emerson, que chegou muito novo á Europa, com 21 anos, para o Bayer Leverkussen, onde jogou três anos. Hoje é, talvez, o mais forte médio defensivo do futebol europeu a jogar de área a área, cortando, recuperando e construindo jogo. Embora natural da região mais física do futebol brasileiro, o Rio Grande do Sul, a base dessa metamorfose físico-estilista europeia começou na Bundesliga.

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