Os “fantasmas” vestem de branco

8 de Maio de 2011 11:27
Guimarães: Fica a ideia que a equipa poderia ter dado mais e chegado mais longe no campeonato. Podia? Sim e não.

 

A época é longa e através dela uma equipa passa por diferentes estados. No fim, porém, fica uma ideia global sobre o que vale verdadeiramente. O mais intrigante sucede quando os sinais dados ao longo da época, por tão contrastantes, confundem essa sensação final. O V. Guimarães é um exemplo desse enigma. Houve fases em que parecia num plano superior (jogo/resultados). Houve outros em que deprimiu-se e caiu (jogo/resultados, outra vez). Parece que foram duas equipas diferentes. Terá sido um pouco isso. Mas existem razões para essa visão final tão turva da equipa de Manuel Machado. Nela cruzam-se tácticas e jogadores.
A ideia que fica é que a equipa podia ter chegado mais longe. Podia? Sim e não. Sim, porque houve um momento em que, solidificado o 4x3x1x2, com um pivot e dois médios interiores, atrás de um mais ofensivo, laterais a subir e dois avançados, a equipa atingiu um nível de equilíbrio/dinâmica táctica muito interessante. Não, porque a certo momento, motivado pelas lesões, o sistema alterou-se, para 4x2x3x1, e a dinâmica anterior perdeu-se, acabando por meter a equipa num beco sem saída táctico. E, claro, passou a jogar pior.
 
Na primeira lesão, Edson, ainda entrou Jorge Ribeiro, mais rápido mas sem o mesmo rigor táctico. A segunda, João Alves, atingiu o coração do onze, passando então a jogar com duplo-pivot invertendo o triângulo do meio-campo. O problema é que sendo Cleber e Renan jogadores de futebol curto, a equipa perdeu fluidez e profundidade na transição defesa-ataque. O jogo de transições passou a ser um…jogo de laterais, dependente das subidas de Bruno Teles e, sobretudo, Alex.
No centro da segunda linha, Rui Miguel tem sido opção nos últimos jogos. Tem qualidade de passe, mas não é o jogador de trabalho como aquele espaço também pede face à distância que fica do duplo-pivot posicional. João Ribeiro caiu da equipa por questões extra-desportivas. Sente-se, porém, a sua falta para redimensionar o processo ofensivo, na ala ou no centro, como médio de ruptura.
Talvez por isso, face à opção 4x2x3x1, imagino por vezes que seria melhor puxar Rui Miguel para a direita e meter Toscano no centro, como espécie de segundo avançado nas costas de Edgar. Atacar-se-iam dois problemas. Primeiro, o individual, de Toscano, pois penso que a razão de ter caído tanto após o que prometeu quando surgiu, está relacionado com o lugar onde joga, ala direito, quando é um segundo avançado, entrando em ruptura.
 
Segundo, o colectivo, reconstruindo uma dupla de ataque e dando companhia a Edgar, que, sozinho na frente, tem dificuldade em dar sequência às jogadas. Em geral, quando faz um passe, é um apoio atrasado de costas para a baliza. Talvez com receio de perder consistência defensiva, Machado nunca foi para o 4x1x3x2 (falta um ala a saber defender). Seria forma de dar outra dinâmica às necessidades ofensivas do onze.
A equipa está no Jamor, mas o seu melhor projecto exibicional ficou perdido lá para trás na época. Resgatá-lo seria quase reinventar jogadores.
 

 

 

Artigos Relacionados

  • O "Saco azul" da táctica O `Saco azul` da táctica 8 de Março de 2012 O choque do clássico: “Vítor Pereira treinador do FC Porto na Luz” derrotou “Vítor Pereira treinador...
  • iTALIA, a preto-e-branco iTALIA, a preto-e-branco 7 de Janeiro de 2012 Táctico no Calcio: cinco dos 6 primeiros jogam (sempre ou ás vezes) em sistemas de defesa a «3»
  • Onde estão as estrelas? Onde estão as estrelas? 9 de Dezembro de 2011 Viagem pelo “fútbol” argentino: como joga o Boca, o River na II Divisão e os golos de Gutierrez
  • Onze jogadores obrigados a pensar Onze jogadores obrigados a pensar 2 de Dezembro de 2011 O estranho caso da `equipa de posse`, as transições como necessidade e o que significa `defender com poucos`
  • Homens temporariamente sós Homens temporariamente sós 23 de Novembro de 2011 Perceber a posição do treinador, vendo os olhares que se trocam entre jogadores e banco durante o jogo