O que torna mais preocupante e paradoxal esta situação é que á frente das grandes equipas holandesas estão hoje antigos jogadores que, no relvado, fizeram a glória do Futebol Total e seus sucessores nos anos pós-Cruyff. Após várias derrotas, o Ajax, eliminado da Liga dos Campeões, despediu o treinador Co Adriaanse, um dos maiores caça talentos dos últimos anos, responsável pelas escolas do clube entre 1992 e 1997. Durante vários anos, milhares de jovens passaram pelo De Meer e pelo seu computador, onde decompunha as características de cada um, em busca dos que podiam possuir o perfil-Ajax. Com os maus resultados, porém, também ele decidiria inverter o sistema, e, sem as grandes estrelas do passado, deixou o dinâmico 4-3-3, passando a jogar num defensivo 5-2-1-2, variante do 5-3-2, mas sempre com cinco defesas: Trabelsi, Vierklau, Bergolmo, Chivu e Grim. Desaparecem os extremos, sofre apenas um golo em seis jogos e segura o lugar. Por pouco tempo, pois após nova derrota surgiu no seu lugar Koeman, o líbero do Dream Team de Cruyff em Barcelona, tendo como adjunto Krol. Apesar dos tempos com o mestre, também Koeman opta por um cauteloso 4-4-2, como antes fazia no Vitesse, com o duro Kreek com trinco.
No Sparta, Rijkaard, joga, no papel, com defesa a 4, mas que, em campo ganha um quinto elemento: Winter, antes um médio ofensivo. O mesmo sistema de Neeskens, mito de 74, no Nec, com marcações individuais. No PSV, está Gerets. Joga num clássico 4-4-2, com marcação mista, mas a sua escola é outra. A belga, tradicionalmente defensiva, pelo que se compreende a opção. A única excepção a este desolador cenário, é o Feyenoord de Bart Van Marwijck, devoto do 4-3-3, que, muitas vezes, em fase ofensiva, na saída de bola, se transforma em 4-2-4, com dois extremos, Kalou e Leonardo, um ponta de lança de raiz, Van Hoijdoonk e outro falso, Tomasson, que entra de trás.
É certo que para praticar o futebol sedutor e ofensivo de antigamente, o Ajax e os outros clubes holandeses, necessitavam de conseguir segurar as suas grandes estrelas, algo impossível na era pós-Bosman, mas, mesmo assim, as ideologias tácticas devem permanecer sob pena de se atraiçoar a história e agudizar as chamadas crises de personalidade futebolística.