Nos bancos, a presença de Blanc e Deschamps como as novas referências a pensar o jogo, mostra como a Velha Gália busca o melhor rumo para o seu futebol partindo de quem o fez grande dentro do campo. Era o clássico Marselha-Bordeaux. Muito do melhor futebol francês desta época passará por estes dois onzes. Os outros, são o renascido PSG de Kombouaré e, claro, o Lyon de Puel.
De todos, o Bordeaux de Blanc é o mais mutável tacticamente. Tanto joga em 4x4x2 losango (como fez nas primeiras três jornadas) como em 4x2x3x1 (como emMarselha e na Champions). Em qualquer sistema, surge Gourcuff como organizador de jogo nas costas dos avançados, quer como enganche central da segunda linha do meio-campo em «2x3», quer como vértice ofensivo do losango, em «1x2x1». No ataque, Chamakh pode jogar sozinho, mais solto, ou com Cavenaghi, que tem maior presença na área. Diarra ou Fernando são as âncoras do corredor central, surgindo depôs Wendel e Goufran como as asas a atacar pelos flancos.
O Marselha de Deschamps pegou nas bases de Gerets e reciclou o seu 4x3x3, com um pivot (Mbia). Espera por Lucho para ser um dos interiores de transição num dos vértices subidos do losango, algo que Cissé e Cheyrou, mais de contenção, não conseguem fazer. Intriga ver Ben Arfa quase sempre no banco. A maior força do onze está na imaginação do ataque, com Niang e Koné endiabrados sobre os flancos, no um-para-um ou em diagonais para a área, onde está o possante Brandão, pouco móvel, mas que desgasta muito os defesas adversários.
A refundação do Lyon de Puel parte de um sistema híbrido. O 4x3x3 puro alterna agora com um 4x2x3x1 que em muitos momentos do jogo parece um 4x4x2, com as movimentações dos avançados. É, nessa estratégia, a influência de Lisandro que parte mais de trás (faixa ou centro) do que o ponta-de-lança Gomis, para surgir depois na área. Um esquema aberto a toda a largura do ataque, onde Michel Bastos é um ala que faz a diferença pela criatividade e sentidode baliza. Falta ao onze um grande médio-centro. Desapareceu Juninho. Às vezes quase parece jogar com duplo-pivot, tal a forma como Kallstrom ou Pjanic se aproximam de Toulalan, o nº6 de origem.
O PSG de Kombouaré é um profeta do 4x4x2, com alas (Guily-Sessegnon) e dois avançados que recuam e avançam (Luyndula e Erding, um turco com a baliza no sangue). No duplo-pivot, Makelele, menos rotativo que outrora, mas sempre no sitio táctico certo para o passe, e Clemént, mais solto a subir.
Quatro equipas, quatro diferentes ideias. A velocidade de Niang, os golos de Lisandro e Gomis, a ligação Sessegon-Erding e o cérebro de Gourcuff. Estará num destes factores a chave do Le Championat.