Os “quadrados” brasileiros

November 25, 2011 7:30 PM
Analisando o Corinthians e Vasco. Eder Luis, Dedé, Leandro Castán, Willian…

 

Corinthians e Vasco da Gama, duas equipas em luta pelo Brasileirão que espelham bem o actual estilo dominante no futebol brasileiro. No global, o maior combate a meio-campo superou o futebol dos dribladores (os volantes derrubaram os criativos), os extremos deram lugar aos laterais ofensivos e a dupla de avançados e médios como que desenham um quadrado entre eles (o 4x4x2 torna-se quase um 4x2x2x2). Ou seja, partem de um posicionamento central e depois é através da mobilidade que causam desequilíbrios. Vejamos:
Com a defesa a 4 sempre completa sem bola, o Vasco aposta em Rómulo como volante central e dois médios interiores que transportam a bola, os veteranos Juninho Pernambucano e Felipe (outras soluções Felipe Bastos-Eduardo Costa). Mais à frente, Diego Sousa é a principal ligação à dupla atacante, onde está, em permanente movimento, o veloz de Éder Luis, recuando e arrancando desde trás, alternando quem joga mais fixo a seu lado, Alecssandro ou Elton. Entre os laterais, Fagner, à direita, é, com bola, quase um extremo. É uma equipa muito forte em lances de contra-ataque. Se acerta o primeiro passe surge depois muito rápida na frente.
 
No centro da defesa, Dedé. Não duvido que tem grande potencial: rápido, timing certo de corte, jogo aéreo e técnica a sair com bola. Tenho dúvidas, porém, no transfer de tudo isso para a Europa onde se exige maior rigor posicional de marcação e circulação de bola atrás. Dedé sai muito facilmente de posição. Vê bem o espaço na frente. Calcula-o mal nas suas costas. Tem, numa frase, o defeito dos centrais brasileiros que mais se destacam: pensa como se fosse um…avançado. Já David Luiz tinha um pouco isso quando saia com a bola rápido sem pensar no que deixava (em termos de espaço livre de marcação) para trás.
O Corinthians parte de dois volantes fortes, na contenção, recuperação e saída musculada de bola: Ralf-Paulinho. Depois, mete mais dois médios na segunda linha do meio-campo ou aposta só num como enganche com o trio ofensivo. Seja em que opção for, Danilo é a principal referência atrás dos avançados. É um falso-lento que joga com a experiência, cai na ala ou mais no centro, na área. Pode jogar com Alex perto de si ou sozinho, ficando Liedson a ponta-de-lança e dois avançados-alas mais abertos (Willian, revelação da época, e Jorge Henrique ou Emerson, à esquerda). Nessa altura quase parece um 4x3x3 que, nos últimos jogos, tem, perto do fim, recebido Adriano, 101 quilos com sentido de baliza. Os adversários temem-no só de o ver. A defesa é mais posicional que a do Vasco, os laterais sobem menos. Entre os centrais, o canhoto Leandro Castán é quem manda. Eficaz no corte e a sair, mas pensando sempre como um…defesa.
 
Moral táctica da história: as equipas brasileiras estão colectivamente mais sábias em campo, mas individualmente perdem cada vez mais o respeito ao estabelecido. Não sei se isso é positivo.
 
 
 
 
 
O futuro do Flamengo
 
Parecia capaz de lutar pelo título até ao fim, mas o Flamengo caiu nos últimos jogos. No sistema, o quadrado de Luxemburgo procura sempre conduzir a bola de forma apoiada mas, depois de já sair lento da linha de volantes (Airton-Maldonado ou Renato Abreu) tem dificuldade em mudar de velocidade na segunda linha de construção ofensiva. Thiago Neves quer sempre a bola no pé e Ronaldinho, metido na dupla atacante (com Deivid mais rematador ao lado) fica demasiado desviado do flanco esquerdo onde gosta mais de sair a jogar, embora sem a mudança de velocidade com drible incorporado do passado.  
Por isso, olho para esta equipa do Flamengo e aquilo que mais me cativou, sobretudo pensado no futuro, são os garotos que saíram da sua escola e que no início do ano tinham vencido a Copinha São Paulo Sub-18. Três nomes a fixar. Eles vão entrando aos poucos no time principal: Negueba, 19 anos, avançado repentista e driblador, furando nos espaços; Muralha, 18, médio-volante condutor de bola desde trás, com visão agressiva de jogo: e, sobretudo, Thomas, de 18, médio ofensivo ou segundo avançado, daqueles que joga em linha recta, não olha ou joga para os lados. Técnica apurada, destro, recepção e arranque seco, temporizando bem para voltar a arrancar ou meter a bola no ataque. Entrou em 8 jogos (3 como titular). Lourinho, é um craquezinho para não perder de vista no futuro!        
 
 
 
 
 
A sensação Figueirense
 
Símbolo maior do futebol catarinense, um dos mais competitivos e europeizados no estilo, fiel às históricas tendências da região sul, o Figueirense é a principal sensação deste Brasileirão entre o chamado G5 do topo da classificação. É uma equipa muito bem construída por um dos técnicos mais promissores da nova vaga brasileira: Jorginho.
Como principal motor, surge Wellington Nem (médio ofensivo, canhoto que arranca desde trás, repentismo e passe) à frente do núcleo táctico duro da equipa, o trio de volantes Tulio, Igor e Maicon, este o jogador mais influente na ligação ao ataque, deixando os outros dois volantes mais fixos atrás. Desenha-se, assim, uma espécie de 4x3x1x2, com os laterais Bruno, à direita, e Juninho, à esquerda, a dar grande profundidade pelos flancos. Na dupla de ataque, Aloisio é um perigo quando recua e descobre depois espaço para furar a defesa adversária. A principal referência goleadora é, porém, Júlio César (que passou pelo Gil Vicente e Amadora, em 2003/05). Aos 31 anos, vindo da Turquia (do Gaziantepspor) move-se muito bem nos espaços e faz golos (11 em 20 jogos).     

 

 

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