Embora em termos de princípios de jogo, as três nações bálticas (Letónia, Lituânia e Estónia) apresentem, numa análise geral, o mesmo estilo, entre elas existe, no entanto, uma acentuada diferença a nível competitivo. Nessa escala do emergente futebol báltico, A Letónia surge hoje claramente na vanguarda, seguida da Lituânia, com um perfil mais britanizado e de passe longo, enquanto que a Estónia é ainda, apesar dos progressos dos últimos tempos (onde se destacam, em termos de resultados, os empates na Croácia, e, em casa, com a Bulgária, ambos por 0-0, na fase de apuramento para o Euro-2004), a selecção com menor poder competitivo.
Produtos do mesmo habitat futebolístico, sentindo as mesmas influências, ora do vizinha Finlândia, ora do velho sistema soviético, as três, apesar de distantes da elite do futebol europeu, nunca profetizaram um futebol excessivamente defensivo, apostando antes numa postura mais solta, sempre com dois avançados, partindo do clássico 4x4x2, procurando superioridade numérica a meio-campo, fechando-se quando perde a posse da bola, mas, em qualquer momento do jogo, tendo também sempre na mente descobrir aberturas para lançar o contra-ataque. A diferença, em campo, é feita, depois, pela maior ou menor qualidade das individualidades ao dispor de cada selecção, factor no qual se destaca hoje a bela geração do futebol letão. Sem possuir os mesmo talentos, a Estónia procura superar esse déficit com uma maior disciplina táctica em campo, ponto no qual o trabalho do seleccionador holandês Arno Pijpers, no cargo desde 2000, se tem feito sentir cada vez mais, na forma como a equipa se apresenta em campo. Faltará, assim, a esta Estónia, dois ou três jogadores com maior categoria para que a sua selecção adquiria uma superior qualidade futebolística e competitividade internacional.
As bases do 4x4x2 de Pijpers

Partindo essencialmente de um elenco de 20-25 jogadores seleccionáveis, Arno Pijpers tem, nos últimos quatro anos, aumentado a consistência táctica da equipa, quase sempre esquematizada num clássico 4x4x2, onde sobressai a intenção do contra-ataque, expressa no facto de jogar sempre com dois avançados puros, apoiados por um médio ofensivo ou um extremo, o que transforma o esquema, a atacar, de posse da bola, próximo de uma variante de 4x3x1x2. Nesta forma de jogar, destacam-se alguns jogadores fundamentais, base do crescimento e do actual momento do onze estónio
Uma equipa atleticamente forte, na qual emerge, como principal figura, o guarda redes Mart Poom, há dez épocas, desde os 22 anos, a jogar a Inglaterra, passando pelo Portsmouth, Derby County e Sunderland. No quarteto defensivo, a grande referência é Stepanov, central do Torpedo de Moscovo, onde chegou a meio da época passada vindo do Flora Tallin. Forte no jogo aéreo e no choque, não é muito rápido, mas possui excelente sentido posicional. Lesionado, não defronta Portugal, o que influi na segurança colectiva do sector. Sem ele, emergem outros três nomes chave, entre os quais os dois laterais, Allas, sobre a direita, pujante a subir no terreno e fechando bem todo o corredor, e Urmas Rooba, sobre a esquerda, e, no eixo, o outro central, Piiroja, habitual companheiro de Stepanov, já com a experiência do futebol norueguês (no Valerenga e no Fredrikstad), que terá a seu lado Jaager do Flora Talin, embora, neste momento, muitas esperanças já estejam postas na promessa Ragnar Klavan, 18 anos, que Pijpers já testou na selecção principal. É um talento feito também no Flora, que, após treinar no PSV, jogará até final da época, emprestado, no Valerenga norueguês, onde as potencialidades do seu futebol poderão evoluir. Um jogador a seguir no futuro.
Meio campo e ataque:
Os rasgos de Viikmae e os golos de Oper

No meio campo, um nome incontornável na Estónia, é o do médio defensivo Marko Kristal, 31 anos, com mais de 100 internacionalizações. Também ausente do jogo com Portugal, o sector terá de descobrir outros referências na circulação de bola, entre as quais se destaca, á frente da defesa, o veterano Reim, 33 anos, como trinco ou volante a organizar a saída da bola, apoiado por Rahn, que também pode jogar na defesa, mais perto dos centrais, há duas épocas a jogar na Ucrania, no Volyn. O grande dinamizador ofensivo é, porém, o flanqueador Viikmae, rápido no apoio aos pontas de lança, uma missão na qual também se destaca o esquerdino Sergei Terehhov, alinhando como ala, há seis anos no estrangeiro, passando pelo Braan, da Noruega e, actualmente, no FC Haka da Finlândia.
Na frente de ataque, moram as principais figuras da equipa, com maior experiência internacional: Andres Oper e Indrek Zelinski, uma dupla possante que, sem grandes requintes técnicos, move-se com inteligência dentro da área, sem receio do choque, em busca de oportunidades para rematar. Regressado de uma lesão, Oper, embora não tenha conquistado a titularidade no Torpedo de Moscovo, onde está desde 2003, é o avançado mais perigoso, qualidade que confirmou em quatro épocas no Alborg da Dinamarca. Zemlinski é mais oportuno, o melhor marcador da selecção, com 26 golos, já atingiu as 100 internacionalizações, fez dupla com Oper no Flora Tallin, entre 1995 e 199, e, depois, no Alborg entre 2001 e 2003, pelo que se conhecem muito bem e jogam já quase de olhos fechados. As outras opções ofensivas de Pijpers, residem num trio de jovens promessas ainda a jogar na Estónia. Teever, 21, Lindpere, 22 e Zahovaiko, 22, todos lançados no ultimo jogo contra o Luxemburgo.
Estrelas da Estónia a seguir
Mart Poom

Posição: Guarda-redes
Idade: 31 anos (17/1/73)
Clube: Sunderland (Inglaterra)
É a principal imagem da Estónia,. Um guarda redes ágil e com rapidez de reflexos. Alto e robusto (1,93m. e 85kg.), possui também, após dez anos no futebol inglês, bastante experiência internacional, onde, jogando sempre em equipas de segundo plano, aprendeu a jogar fora dos postes e a aguentar a pressão constante dos adversários, sobretudo em cruzamentos. A ele se deve, em grande parte, os melhores resultados logrados pela Estónia, muitas vezes evitando goleadas.
Urmas Rooba

Posição: Lateral esquerdo
Idade: 26 anos (8/7/78)
Clube: FC Copenhagen (Dinamarca)
Um interessante lateral esquerdo, (1,79m. e 68kg.), com bom sentido posicional. Defende com segurança e, depois, tenta subir no terreno sem descurar as marcações, terminando muitas investidas com perigosos cruzamentos, embora a maioria deles sejam feitos ainda de muito longe. Joga na Dinamarca há cinco épocas, desde que em 2000 saiu do Flora para o FC Midtjyland, do qual se transferiu, em 2002 para o FC Copenhagen.
Kristen Viikmae

Posição: Médio ofensivo
Idade: 25 anos (10/2/1979)
Clube: Enkoping (Suécia)
Espécie de segundo avançado, daqueles que entra de trás, deambulando de flanco para flanco, actuando muitas vezes como se fosse um extremo, abrindo a frente de ataque, buscando cruzamentos ou espaços de penetração. Rápido, sem medo choque, inteligente a apoiar os pontas de lança, também tenta muitas vezes o remate para golo. Vai jogar até ao final da época na II Divisão sueca, no Enkoping, após passar pelo Valerenga da Noruega.
Andres Oper

Posição: Ponta de Lança
Idade: 27 anos (7/1/77)
Clube: Torpedo Moscovo (Rússia)
Atleticamente forte e lutador, ( 1,85m. e 75kg.), sempre atento em busca de espaços para o remate, é um ponta de lança quer gosta de jogar dentro da área, mas com outro avançado a apoia-lo. Revelou-se no Flora Talin, saiu em 99/00 para a Dinamarca, ingressando no AaB onde foi quase sempre titular. Em quatro épocas fez 117 jogos e marcou 28 golos, a melhor em 02/03, quando marcou 11 em 27 jogos e saltou para o Torpedo Moscovo da Rússia, onde, no entanto, não é titular.