Terminada a época 2010/11, desfilam os campeões por toda a Europa. 52 equipas, uma babilónia com diferentes níveis competitivos que, depois, o filtro da Champions separa sem pestanejar. Muitos deles, de países com grande história futebolística, têm de arrancar desde a segunda pré-eliminatória. São os casos, por exemplo, do Videoton (da Hungria), Wisla Cracóvia (da Polónia) e, entre outros metidos nessas quase catacumbas do futebol europeu, o Sturm Graz, campeão da Áustria. Será difícil, o futebol austríaco fazer esse longo trajecto de…duas eliminatórias até à elite da Champions. Vendo alguns dos seus jogos, nota-se, porém, uma equipa bem estendida em 4x4x2, algo lenta na transição ofensiva, mas capaz de dar profundidade ao seu jogo apoiado (mantendo sempre dois bons alas bem abertos, Holtz e Bukva) quando a bola pede para entrar no último terço do terreno. É quando surge um avançado, alto e algo inestético morfologicamente, mas muito interessante no plano dos movimentos, apoios e remate. É Kienast, abre muito bem na esquerda para receber a bola e entende os movimentos de recuo e avanço no centro do experiente húngaro Szabics. Juntos, Kienast-Szabics fazem uma interessante dupla. Com golos. Kienast, 27 anos, fez 19 em 30 jogos esta época. O melhor jogador da equipa (o tacticamente mais intenso e inteligente) mora, porém, à frente da defesa: é o pivot Weber, de 25 anos, visão de jogo e precisão de passe em distribuição.
Olhando para as equipas que entram directamente nos grupos da Champions, o país que, no plano da evolução, causa mais interesse é a Suíça e o seu campeão Basileia. No seu onze estão alguns exemplares da nova bela geração do futebol suíço, campeã Sub-17 em 2009 e que já irrompeu pela selecção principal como se viu na passada semana contra a Inglaterra. É a geração Khalifa (o arquitecto principal que joga no Nuremberga B). No Basileia, brilha o segundo avançado Xhaka, com apenas 18 anos, elegante a jogar atrás dos experientes Frei ou Streller, enquanto na ala-esquerda voa o veloz baixinho extremo Shaqiri. Faltará a esta equipa (como ao jogo suíço em geral) mais agressividade táctica com bola no plano ofensivo. A cultura táctica helvética é, porém, uma imagem de marca preservada neste onze, em que também existe um bom pivot para por ordem no colectivo. É o marfinense Yapi Yapo (embora, vendo as suas características, talvez jogue demasiado recuado).
Todos estes jogadores (e campeonatos onde jogam) não estão nas principais rotas dos relvados europeus, mas de cada vez que tocam na bola ou soltam a sua visão táctico-técnica de jogo, mostram que há qualidade de vida nessa chamada segunda linha do futebol europeu.