Montevideo é um berço de grandes lendas do futebol mundial. Com a selecção uruguaia afastada da elite mundial, os grandes clássicos do seu fútbol tornaram-se, no entanto, cada vez mais distantes dos olhares europeus.
Esta semana, porém, vi, pela parabólica, o grande clássico do futebol uruguaio, Peñarol-Nacional, protagonistas de uma secular rivalidade social que separou, na raiz, o clube dos estrangeiros e o dos crioulos, respectivamente.
Com o Estádio Centenário cheio, a mais profunda alma do futbol charrua voltou a emergir. Com o Nacional a atravessar uma fase de crise, o Peñarol venceu claramente (4-1) após dez anos sem triunfar neste grande clássico e aproximou-se do líder Danúbio.

Jogando em 4x3x3, orientado pelo sábio Gregório Perez, este novo Peñarol demonstrou ser uma equipa muito bem estruturada tacticamente e com vários jogadores interessantes.
No comando das operações, pensando o jogo, está um mago veterano vindo das pampas argentinas, Ruben Capria, 36 anos, médio que até pode marcar os livres e as bolas paradas de olhos fechados sem que com isso o remate ou passe perca precisão.
Quem dá dinâmica ao meio campo é, no entanto, El Cacha Rios, 24 anos, vindo este ano do Bella Vista. Rompe desde trás muito bem, imprime velocidade ao jogo e surge a passar ou rematar, exímio no jogo de cabeça. A seu lado, Acosta apoia nas transições defesa-ataque-defea.
É este trio que apoia o ataque, onde está uma dupla terrível cujos nomes é imperioso apontar num bloco de notas: Delorte-Vigneri. Força, técnica e remate. Delorte, possante, joga mais em cunha na área, Vigneri, promessa de 23 anos, destro, ágil e esguio, joga por toda a frente de ataque, rápido, cabeceador e muito oportuno na área. Já foi chamado à selecção.

O Nacional nunca pegou no jogo. No centro do meio-campo tem um paraguaio, Britez, que já passou pelo Braga e Moreirense. Faz bons passes, sobretudo longos, mas é pouco, para uma equipa que tem como goleador um veterano do Equador, Juárez, e na qual apenas o central Diego Godin, 20 anos, parece um jogador para seguir no futuro.
No comando do campeonato continua, no entanto, o sensacional Danúbio, pequeno clube de Montevideo, chefiado por Nacho Gonzalez, e onde está o melhor meio campo do futebol urugiaio: González, Gargano, Garcia e Grossmuller. Falaremos deles muito em breve. Atenção, pois.