“Peter Pan” do futebol

18 de Abril de 2011 23:33
O supremo desafio: ficar jovem para sempre! A aventura de Giggs por entre as tácticas do futebol moderno

 

No original de J.M.Barry a personagem é um pequeno rapaz que se recusa a crescer e vive aventuras mágicas. Foi criada em 1911. O nome: Peter Pan. No projecto de Ferguson, o protagonista é um futebolista que, aos 37 anos continua a jogar como no primeiro dia, encantando relvados com toques de génio. Apareceu em 1991. O nome: Ryan Giggs, o Peter Pan do futebol.
É verdade que, na expressão táctico-futebolística, Giggs mudou alguns traços. Está menos veloz, deixou o flanco e passou para o centro, onde moram os maiores sábios. Mas, de repente, Giggs ressurge na sua casa canhota, como extremo, centro atrasado e depois é só formalidade de por a bola nas redes. Três jogos, três golos, três passes de morte Giggs. 
 
O Manchester comeu o Chelsea na Champions. O seu falso 4x4x2 vive muito dos recuos com mobilidade de Rooney, em torno ou atrás do ponta-de-lança (Berbatov ou Chicharito) com Nani nas faixas (em diagonais ou centros) e, na defesa, Vidic dominador por terra e ar, mas ver Giggs reinventado como médio-centro a partir do espaço dos pivots (deixando Carrick mais fixo) surgindo depois na frente a criar passes de ruptura, leva o seu futebol para o conceito mágico de Peter Pan. Corre menos, é certo. Mas joga, ocupa diferentes espaços, com uma clareza táctica e destreza física invulgar. Mesmo quando apertado, nunca se desfaz da bola. Quando a solta, é através de um passe que produz sempre jogo!
O Chelsea não tem jogadores destes. Ancelotti viveu demasiado tempo a pensar no complexo-Torres. Dez jogos, zero golos, seria uma equação matemática futebolisticamente óbvia para pensar em lançar antes Drogba desde o início. A forma como, mesmo só entrando na segunda parte, o avançado marfinense fez uma recepção orientada com o peito para logo a seguir rematar para o golo que parecia abrir a eliminatória, disse tudo da sua qualidade superior.
 
Outra opção seria, claro, jogarem os dois. Uma dupla Drogba-Torres faria mais sentido do que um 4x3x3 que coloca Anelka numa faixa, a direita, sem ser ala a procurar diagonais onde choca (nunca combina) com Torres, e deixa a outra, a esquerda, entregue a aparições esporádicas de Malouda.
Este Chelsea, pelas características dos jogadores que tem, sobretudo os médios (Essien-Lampard-Ramires-Malouda) está claramente mais vocacionado para montar um 4x4x2. Ancelotti insiste, porém, no equívoco do 4x3x3 com Torres.
 
Esta questão táctica também cruza a história de Peter Pan Giggs. Passar da faixa (dos piques) para o centro (aos passes) foi decisivo para prolongar o seu tempo de vida na relva, recusando-se a…crescer, só mudando a expressão das suas mágicas aventuras de futebol!
 

 

 

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