Esta selecção não tem o estilo bacteriologicamente tradicional do futebol português. Não se vêem fintas, não existe o extremo que sozinho abana o jogo, nem sequer aquele gosto de ter a bola só por ter a bola, quase como se não existissem balizas. Pelo contrário, é um onze com uma cultura táctica… sem bola, invulgar no ADN do nosso futebol. Preocupa-se mais com a nossa baliza do que a do adversário. Pelo menos, tem essa ordem de prioridades. E, assim, construiu a sua força a partir da noção das suas limitações. Em geral, as nossas selecções jovens pensam ao contrário.
Interessante, agora, é tentar adivinhar, quais destes jogadores irá no futuro confirmar-se ao mais alto nível. No último ano, por esta página (tirando o caso-Nelson Oliveira já de I Liga) passaram na caixa Atenção a dois jogadores deste onze-base Sub-20: Danilo (quando ainda júnior do Benfica) e Nuno Reis (depois de o ver melhor em Toulon). A Colômbia confirmou estas indicações. Penso mesmo que serão estes os elementos com mais perfil competitivo a nível sénior. Roderick precisa de uma injecção (mental ou futebolística) qualquer; Sérgio Oliveira e Júlio Alves de voltar à terra. Continuo a ver Alex mais como extremo, Pelé, se mais rotativo, pode ser um bom operário; Cédric e Mário Rui são mais laterais do que… defesas; Mika tem obrigatoriamente de encontrar clube para jogar.
Mas, pensando no futuro global do futebol português, o importante é o que eles podem transmitir de novo. Para perceberem o que quero dizer basta ver a selecção de 89 e a carreiras que fizeram. Tirando João Pinto e Fernando Couto (que não joga a Final), impressiona a quantidade (Abel, Morgado, Paulo Madeira, Valido, Jorge Couto e Felipe) que passou ao lado do estatuto adulto de craque. Maior ironia, Paulo Sousa era suplente. E era um ala. No seu lugar, jogavam… Hélio e Tozé.
A de 91 é diferente muito diferente em termos de pistas de talento e mais adulta mentalmente. O processo de formação já estava adquirido, os jogadores já tinham referências visíveis (vindas de 89) para crescer e não tentavam só imaginar. É um pouco o efeito que esta geração pode ter agora para as seguintes. Por isso, esta selecção é parecida com a de 89 (ordem táctica e noção competitiva de grupo) mas muito diferente da de 91 (para além do grupo, estrelas, Jorge Costa, Figo, João Pinto, Rui Costa…).
Será agora possível, aproveitando o embrião criado, esse upgrade de qualidade? Duvido. Porque não detecto o tal plano estrutural integrado que ligou aquelas outras gerações. Não adianta bater na tecla dos clubes apostar mais nos jogadores portugueses. A selecção tem de pensar acima disso pela simples razão que não pode mudar a casa dos outros. Mas pode mudar a sua. Esse é o grande desafio. Impedir que tudo isto fique no plano conjuntural. Nesse plano, futebol português e…jogador português são realidades muito diferentes.