PREMIERSHIP 2009/10: novos alquimistas

5 de Setembro de 2009
Adebayor, Robinho, Touré, Tévez … Pode o «faraónico» Manchester City ganhar a Premiere League?

 

É quase como abrir a porta para uma quinta dimensão, a twilight zone do futebol. Ciclicamente, o novo multinacional futebol inglês, vê chegar alquimistas faraónicos que, num ápice, transformam equipas e pulverizam o mercado.
O Manchester City do grupo árabe Abu Dhabi United é a nova aventura disposta a romper com o status da Premier League. 218 milhões de euros em compras e uma equipa para sonhar. Com o título? Muito difícil, nesta fase de arranque, mas por entre este projecto louco há um onze que vale a pena ver jogar. Pelos jogadores, pela atmosfera criada, pelo quase mundo de fantasia que tudo isto envolve.
 
Tudo é, no entanto, bem real. Como o arranque de Robinho, a visão de jogo de Adebayor pelo meio das marcações adversárias, abrindo para a direita onde surge embalado Shau Wright-Philips para, num drible e passe, meter atrasado para a girafa do Togo fuzilar a baliza. A sua Premiere League começara há apenas 3 minutos. Em Blackburn, o novo City, mostrava-se à Velha Albion.
Robinho e Wright–Phillips são os alas-extremos. Adebayor o ponta-de-lança que também viaja por outras paragens, recua ou vai às faixas. No centro do ataque, pode combinar com o veloz Bellamy ou com Tévez, ainda em busca do seu espaço.
No centro do meio-campo, tem aquele que é hoje, talvez, o melhor médio de recuperação do futebol inglês: Barry. Corta, levanta a cabeça e faz jogar. A seu lado, um irlandês com requintes técnicos invulgares: Ireland.
 
No sistema, é um 4x4x2 ao velho estilo britânico. O espelho do pensamento tradicional do seu técnico Mark Hughes. O curioso é ver, depois, o choque de conceitos. Porque a ideia que fica vendo a equipa jogar é que aqueles jogadores pediam outro tipo de futebol em termos de filosofia. Mais jogo apoiado, toque, com a defesa a sair a jogar, circulação e menos a sinceridade do passe longo. Os jogadores, pelas suas características, levam o jogo para esse estilo, mas no plano inicial aquela concepção mais primitiva retira-lhe cultura defensiva, um aspecto fundamental para ganhar personalidade capaz de fazer a diferença no globalmente vertiginoso futebol inglês. Nesse sector, Richards é um lateral-direito (que também pode ser central) poderoso, mas quem manda, sem inventar, fazendo de cada corte um grito no jogo, assustando a bola, é o central Dunne, apesar dos esforços de Touré, roubado a Wenger, em por maior calma no jogo.
 
O pior que um treinador pode fazer é pedir que voem jogadores que só jogam bem a caminhar, ou pedir que só caminhem aqueles que sabem voar tão bem. Mais do que a atitude, o crescimento deste novo Manchester árabe depende muito da visão de Hughes. 
 
 
«Pré-história» táctica
 
Jogadas ensaiadas no tradicional futebol inglês? Busca difícil. Com uma excepção: os lançamentos de linha lateral. Quando perto da área, são quase…cantos marcados com a mão!
Uma tradição revisitada no Blackburn de Allardyce, genuíno treinador britânico. Cada vez que a equipa ganhava um lançamento perto da área, não era, como habitual, o lateral desse lado que o fazia, mas sim o ala-esquerdo Pedersen que andava de flanco para flanco para o executar, colocando, com esse gesto, a bola directamente na área. Allardyce sempre apostou nesse “jogada ensaiada”. No Bolton, era Okocha. Hoje, na Liga Inglesa, o jogador mais forte nesses lances, é Delap, do Stoke. Com isso, metem o pânico na defesa adversária.
 
A bola vai muito tensa, veloz, cai na área e, quase sempre, provoca ressaltos imprevistos, fica a saltar, uma confusão. Como marcar nestes lances? Zona ou homem? É indiferente. Nessa altura já nem vejo qualquer questão táctica. É a pré-história do jogo. Como por instantes tudo voltasse ao football de inicio do século passado.  

 

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