A única palavra que, nos relvados das tulipas, continua a escrever-se com maiúsculas é Ataque. No pólo oposto, a palavra defesa continua a aparecer sempre em letra pequena. O futebol holandês deixou de estar na vanguarda da revolução táctica, mas a alma inspiradora das suas equipas continua a ser a filosofia ofensiva. Os extremos tornaram-se numa espécie de jogadores de estufa (já não nascem naturalmente, revelando muito trabalho de base), mas nos sistemas continua a ser referência o 4x3x3 e suas variantes, sempre com a intenção de jogar pelos flancos.
A época entrou na fase decisiva. No topo, três equipas separadas por três pontos. PSV, Twente e Ajax. Todas jogam preferencialmente em 4x3x3, alertando os pivots (duplo ou único) e a colocação mais fixa do segundo avançado.
A fábrica do Ajax continua a revelar craques em potência. O último grande exemplar é o dinamarquês Erikssen, de 19 anos, já dono do defesa-ataque-defesa da equipa. O mais espantoso é que parece jogar em diferentes posições, quando, na realidade, o que ele faz é, na sua dinâmica total de jogo, ocupar e invadir diferentes espaços posicionais. Ora parece um segundo pivot que conduz jogo desde trás, ora parece um avançado que define junto à área. Após a saída em Janeiro de Luiz Suarez para o Liverpool, destaca-se o aparecimento de Ebecilio, de 19 anos, em foco no Observando as estrelas.
O PSV será a equipa que melhor combina imaginação e responsabilidade (entenda-se gestos individuais e labor operário colectivo). Engelaar e Hutchinson são os monstros de pernas arqueadas e passada larga que comem o meio-campo. Depois, cinco jogadores para os processos atacantes. Dzudzak, ala-esquerdo húngaro, Toivonen, possante avançado sueco que gosta de pegar no jogo entre-linhas e passar, Berg, nº9 puro, Lens, virtuoso na faixa ou no centro, e o brasileiro Reis, a imaginação dirigida à baliza.
O Twente tem o rosto táctico mais conservador a meio-campo com o dupo-pivot Janssen-Brama. Não param um segundo, mentem a rotação táctica da equipa alta durante 90 minutos, deixando mais adiantados no apoio ao ataque De Jong e Brian Ruiz, o mago da Costa-Rica, que gosta de partir desde uma faixa, deixando na frente o maior poder físico de Janko. Quem, nesta fase, se destaca mais no onze é, no entanto, um belga de origem marroquina: Chadli. Arranca desde a esquerda e surge por dentro, muito objectivo rumo à baliza.
Todas as semanas, a Liga holandesa respira bom futebol. Pouco agressivo defensivamente, mas muito culto tacticamente. Qualquer equipa, mesmo as mais pequenas, revela grande inteligência racional de posicionamento. Só que depois, claro, entra em cena a bola…