PSV-AZ:O perfume das túlipas holandesas

25 de Março de 2005
DOIS PROFETAS DO BOM FUTEBOL Á SOLTA NOS RELVADOS HOLANDESES.

É uma questão de escola. Apesar de muitas vezes o talento individual não seguir o quadro teórico-colectivo, em campo, qualquer equipa holandesa, mesmo as que só lutam por não descer, revela uma elevada cultura táctica. Quando ambos os conceitos se unem em equipas de topo, vê-las jogar torna-se numa lição táctico-técnica. É o que sucede com os dois onzes que lutam pelo titulo desta época: PSV e AZ Alkmaar.
Embora com propostas tácticas distintas (o PSV em 4x4x3, o AZ entre o 4x4x2 e o 3x5x2), ambos preconizam os mesmos princípios de jogo. Ou seja, sistemas diferentes, a mesma filosofia.: jogo apoiado, fazendo circular a bola por todo o campo e privilegiando o jogo pelos flancos. No banco, dois doutores do futebol holandês: Guss Hiddink, em Eindhoven, e Co Adriansse, em Alkmaar.
Lutando por esse rótulo com o Lyon, o PSV é uma das equipas mais ofensivas do actual futebol europeu. Fiel ao seus princípios (demonstrada inclusive quando fez o milagre de levar a Coreia do Sul ao quarto lugar no Mundial-2002), Hiddink é um sábio tacticista dedicado a uma boa causa, o futebol de ataque, exímio em incutir a dinâmica ofensiva certa ao 4x3x3. Assim, partindo sempre da defesa a «4» (com dois lúcidos e poderosos centrais Alex-Bouma), a distribuição e dinâmica do meio campo parte, em tarefas de marcação e recuperação de um triângulo basculante e grande maturidade táctico-posicional: Vogel, interior direito, Cocu, mais sobre a esquerda (ambos perfeitos a cair para fechar nas faixas) e, no centro, o pulmão da equipa, Van Bommel, um jogador de área a área: corta, passa, transporta jogo, entra no ataque e faz golos. Um médio completo. Com esta perfeita noção das compensações defesa-ataque mantendo a equipa sempre como um bloco, com as três linhas unidas, os extremos podem desenhar um verdadeiro 4x4x3 e não a usual máscara do 4x2x3x1 que só vira 4x3x3, com bola, nos últimos 30 metros. Assim, com o pujante Hesselink a ponta de lança, Hiddink lança nos flancos dois bons rebeldes: o peruano Farfan e o coreano Park, uma sua aposta pessoal de grande sucesso tal a velocidade, capacidade de passe e inteligência de movimentos ofensivos.
Sem o mesmo peso colectivo, o AZ é, em termos de dinâmica, um caso táctico muito interessante, tal a astúcia de Co Adriansse em variar entre o 4x4x2, como começou a época, e os sistemas de três defesas, modelo de referência do futebol holandês, adoptado nos últimos jogos na variante 3x1x3x2x1 e o 3x4x2x1, com um excelente trio defensivo (Kromkamp-Mathijsen-Opdam). Em vez de «carrileros» típicos, daqueles que sobem e descem pelo corredor no mesmo fôlego, apostam nas faixas, em médio tacticamente evoluídos (Meerdink-De Cler) que sabem defender e, depois, com bola, servir essencialmente de apoio á segunda linha do meio campo, muito astuta a abrir nas faixas (com Perez e Sektioui, exímio depois nas diagonais de penetração) ou a flectir para organizar jogo no centro, o que sucede sobretudo quando joga o veterano Van Gallen, o jogador mais cerebral do onze, com grande leitura de jogo e precisão de passe. Nesse caso, joga mais numa espécie de 3x4x2x1. Pelo corredor central, com Buskermolemn a trinco, o principal transportador de bola é o dinâmico Landzaat, que, muitas vezes, surge, nessas subidas, nas costas, do ponta de lança (Nelisse ou Huysegems). A grande arma do onze reside, porém, na elevada cultura táctica demonstrada.

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