Quem chega perto de quem?

27 de Junho de 2010 20:52
A mobilidade como factor de diferença no jogo é a melhor forma de ver que existe uma baliza…

 

É o tipo de jogador que dá gosto encontrar num jogo. Toca muito bem a bola (colocação de passe) e só disso poderia viver o seu jogo mas as suas condições (naturais e fabricadas) podem levá-lo mais longe. Landon Donavan. Sempre que o vejo na selecção dos EUA, cativa-me a sua capacidade de movimento. Foge das zonas de conflito para ganhar espaços. Talvez por isso jogue tão encostado a um flanco, o direito. Nos clubes europeus, porém, nunca foi o mesmo. A robustez muscular da Bundesliga alemã também não combina com ele. Inglaterra é um pouco melhor, mas seguindo-o pelo campo imagino-o mais nos estilos dos relvados latinos (mais pausa, técnica e dimensão física controlada). Ainda haverá essa terceira via europeia para Donovan?
 
A Inglaterra, depois de dois jogos depressivos, soltou-se mais frente à Eslovénia. Principal alteração: Heskey por Defoe. É só um elemento da dupla atacante, mas o suficiente para existir outra (maior) mobilidade nesse (e a partir) desse sector. Em vez de apoios de Heskey para quem entrar de trás, os movimentos de desmarcação de Defoe a pedir a bola no espaço na área. Mantendo-se Gerrard na esquerda, na outra faixa, em vez de um extremo puro como Lennon ou Wright-Phillips, surgiu Milner. Pode parecer que a equipa perde alguma profundidade, mas ganha algo mais importante para o seu 4x4x2: melhor posse, temporização e circulação. Este factor combinado com os movimentos de Defoe, dando linhas de passe ofensivas, faz evoluir o jogo inglês à entrada dos oitavos-de-final.
 
O Gana é a única equipa africana a seguir em frente. É, também, a mais adulta tacticamente. Contra a Alemanha, interessante ver como não receou subir o bloco e meter sempre quatro homens no processo de conclusão ofensiva. A Argélia caiu agarrada às suas convicções. Rabah Saadane, o pai do futebol argelino, o único treinador africano presente no Mundial, insistiu na europeização defensiva como estilo de jogo. Três centrais e tentativa de jogar em posse curta apoiada a meio-campo. Por momentos, dá ideia que a equipa até joga bem. De repente, porém, nota-se que lhe falta um elemento essencial a esse jogo: a baliza.
 
 
 
Virtudes e defeitos
 
A Alemanha sempre teve, na sua história, jogadores de grande talento que se submeteram à maquina muscular do colectivo. Por vezes, soltavam uns traços de imaginação (Littbarsky, Magath, Matthaus) mas a regra era a força. A actual selecção de Low, mesmo saída de outro tempo (novas babilónias) continua mentalmente idêntica. Imune a pressões e à ansiedade. Uma equipa que joga sempre de frente. Neste mundial nota-se a intenção de jogar mais lento na saída de bola (Schweinsteiger-Khedira protegem muito bem os três criativos do meio-campo, Muller-Ozil-Podolski, e fazem primeira zona de pressão) mas, mesmo com o jogo no congelador, a equipa parece sempre cómoda em campo.
Viu-se contra o Gana que até parecia jogar melhor e criar oportunidades. Bastou cometer um erro, num centro um dos pivots (Annan) meteu-se dentro da área (juntando-se aos centrais) e deixou espaço livre à entrada da área para Ozil receber, preparar e rematar. É um erro primário do pivot que nunca deve ir para dentro da área quando a equipa adversária prepara uma entrada (diagonal em pose ou cruzamento desde a faixa). Não é um detalhe. É uma grande competência táctica individual. E assim, sem ansiedade, a Alemanha chegou onde queria.

 

 

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