Rápido, siga aquele «trinco»!

19 de Outubro de 2009
Depois de ver Chico «secar» Xavi, que lugar para as marcações individuais no futebol moderno?

 

Todas as equipas têm os seus pontos nevrálgicos de criação. Vê-se o Braça a jogar e a primeira tentação é pensar que Messi pode resolver sozinho o jogo a qualquer momento. Não é bem assim. Hugo Sanchez, treinador do Almeria, pensou nisso e, na estratégia, resistiu à tentação fácil de marcar em cima Messi. Olhou à volta e percebeu que a fonte de criação está mais atrás. Estancar esse ponto é estancar o inicio de pensamento do jogo. Xavi, pois claro.
Neste contexto, as mais rígidas marcações individuais ressurgiram com Chico, defesa do Almeria a seguir Xavi por todo o campo. Nem o deixava respirar. Xavi ia buscar a bola à entrada da sua área e Chico estava em cima dele. Subia no terreno, Chico estava lá. Fugia para as faixas, ai estava Chico. Parava para pensar, Chico respirava-lhe na nuca. Acabou quase encostado a lateral-direito. Com Chico a olhar para ele. Consequências? Xavi pouco jogou e o Barça teve muitas dificuldades em criar espaços de penetração. Ganhou 1-0 com um golão de Pedro.
 
Chamem-lhe visão táctica. Chamem-lhe anti-futebol. Qualquer definição serve. Que tipo de lugar ocupam, afinal, estas marcações individuais no actual futebol de top? É pacífico afirmar que é a zona (inteligente e pressionante) a marca das grandes equipas, mas o oposto desta ideia, não é outra ideia, mas sim um contra-ideia, pois embora o esquema de marcação não faça por si só o sistema, é uma nuance decisiva do chamado contra-sistema. A crescente assimetria entre estas super-equipas e outras sem os mesmos argumentos, cria o ecossistema perfeito para o renascer desta estratégia. Sacrificar um jogador para o resto da equipa sobreviver.
Para lhe responder, só explorando ainda mais os princípios da zona. Criar superioridade numérica em cada espaço onde a bola, a maior referência da aplicação da zona, entrar. Dessa forma, sempre que Xavi recebia a bola, o importante era ter ao lado outro jogador, livre, para fazer essa missão de saída de bola. Algo possível pois aqui não se trata de secar o génio das fintas e depois não existir mais ninguém capaz de fazer o mesmo. Fala-se em marcar pivots que saem com a bola. Iniesta, porém, ainda está longe da melhor forma.
Nada disto, porém, é novo e até pode levar a sacrifícios maiores. Como sentiu o próprio Guardiola, o pai dos pivots modernos, que, um dia, num Barça-Real, viu-se surpreendido por uma marcação individual feita por…Butragueño, que baixava do ataque para o perseguir. Nesse dia, deu vontade de recomeçar tudo de novo na história do futebol. No duelo Chico-Xavi é apenas uma consequência dos jogos de sombras (sistema versus contra-sistema) em que se tornaram muitos jogos do futebol moderno.    

 

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