Reflexões de Futebol (4)

20 de Julho de 2011 19:18
1. “Relatar” o jogo 2. Como seria sem os outros? 3. Primeiro Nacional

 

1.    “Relatar” o jogo
 
Quando se fala em ruído e gritos no futebol, pensamos logo no público ou no treinador a dar indicações. É uma visão redutora da fala no futebol. Porque as grandes conversas no jogo, são dos…jogadores! Refiro-me a falar mesmo. O futebol é um jogo impossível de ser jogado em silêncio. Alguém se imagina obrigado a jogar calado? É pior que não poder tocar na bola durante 90 minutos! Um verdadeiro sufoco.
Há jogadores que falam mais do que outros. Vejam os que esbracejam e reclamam por não lhe passarem a bola. Penso, porém, noutro caso: a bola está longe e (inconscientemente) estão a dizer o que os colegas devem fazer. A bola está perto e também estão (conscientemente) a dizer o que…os colegas devem fazer. É quase como se relatassem o jogo. Dois exemplos desse tipo de jogador, que já não estão cá, são Bruno Alves e Moisés. Ambos centrais, a ver o jogo de frente. É um bom meio de provar a participação no jogo: acabá-lo afónico de tanto falar e os corrigir colegas (“fecha, fecha”, “vai”, “”, etc.). Não se pode é jogar mudo, isso de certeza.
 
 
 
 
2.    Como seria sem os outros?
 
Existem conceitos básicos para desenhar bom futebol e evitar erros de concepção no jogo. Por exemplo, nunca se deve fazer um passe para a frente em linha recta. Ou, pelo menos, quase nunca. Porque, na maioria esmagadora das vezes, nessa denúncia de passe, o receptor estará marcado e, assim, recebe a bola parado. Salvo que ele seja um Messi, na maior parte das vezes acaba desarmado e proporciona um contra-ataque perigoso do adversário. O ideal é meter-lhes a bola nas costas e o jogador e ir lá buscá-la. Os passes em diagonal, são os melhores para romper a barreira de uma equipa que saiba sair bem a fazer o fora-de-jogo.
Há uns tempos, numa entrevista em que quase o desfaziam com elogios, Xavi, de repente, interrompeu os jornalistas bajuladores com uma simples frase. “Sim, sim…mas eu não sou ninguém se não me metem um bom desmarque… Ou se, depois, outro jogador não me surge a pedir em curto…Sem companheiros, o meu futebol não tem sentido!”. Uma certeza: para receber bem a bola, não há que chocar com ela, há que saber buscar bem os espaços.
 
 
 
 
3.   Primeiro Nacional
 
Estreia do Nacional 2011/12 na pré-eliminatória da Liga Europa, contra o Hafnarfjördur. É muito cedo, claro, para avaliar a equipa. O melhor é ver este Nacional como um onze em construção, em busca de equilíbrio para uma ideia de jogo. Por enquanto, a equipa está muito presa no meio-campo, sobretudo na segunda linha do seu 4x3x3, onde surgem de perfil Mihelic-Skolnik que embora sempre bem posicionados, nunca conseguiram, depois, encostar ao pivot Luiz Alberto a defender, nem apoiar o ataque, quando em posse. Tudo movimentos muito curtos e circulação reduzida. No ataque, Mateus a 9 é um erro conceptual. Ele é, claramente, jogador de faixa, vertical ou de fora para dentro. Candeias joga por instinto. O grande trabalho com ele será explicar-lhe o…jogo. Os laterais têm vontade, falta-lhes o…resto.
Luiz Alberto continua a ser o dono da equipa. Elisson é um belo guarda-redes, mas a defesa sobe demais para centrais lentos. Edgar Costa necessita de participar mais com os médios. Mas, ok, tudo está muito no início. A equipa irá, certamente, melhorar.

 

 

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