Arrancaram esta semana os primeiros campeonatos de 2010/11. Áustria e Suíça. Em busca dos primeiros sinais da nova época, segui a jornada inaugural da Liga austríaca. Dez equipas num campeonato que espelha bem a depressão em que caiu o futebol que outrora deu grandes estrelas aos relvados europeus. Rodo a parabólica para ver o Innsbruck vs Rapid Viena e o primeiro impacto vem do comentador televisivo que faz a antevisão do jogo. Está mais gordo, até parece mais baixo, mas o olhar é o mesmo: Krankl, nos anos 80, fora o maior goleador europeu, numa geração que tivera também figuras como Schachner ou Proaskha. Olho para o banco e eis outro fantasma goleador dos anos 80, Pacult, hoje treinador do Rapid. Já não existem jogadores como estes na Áustria.
No primeiro jogo, segui o campeão Salzburg a jogar na casa do modesto Kapfenberg. Um jogo de ritmo baixo, sem mudança de velocidade. Neste cenário, o Salzburg dominou mas nunca desmontou a defesa adversária. A passo, o argentino Zarate manda no meio-campo dentro de um 4x2x3x1 que tem no holandês Mendez, ex-AZ, o patrão do duplo-pivot à frente da defesa. Jantsher e Svento apoiam o ponta-de-lança Wallner, mas é quando entra Cziommer, médio criativo alemão, de 29 anos, também ex-AZ, que se vê outro ritmo de futebol. Não chegou para alterar o 0-0. Esta simples visão do seu campeão espelha bem o abismo em que caiu o futebol austríaco. É um problema estrutural que se arrasta há duas décadas. Problemas na formação e incapacidade de gerar novas estrelas.
O histórico Rapid é hoje uma sombra errante que foi goleado pelo Innsbruck que esta época regressou da II Divisão. Foi a melhor nota desta viagem austríaca. Estendido num rápido 4x4x2, o Innsbruck fez uma grande exibição, só com um pivot (o checo Abraham, 31 anos, perfeito sentido posicional), alas rápidos (Koch diabólico) e um ponta-de-lança (o possante sérvio Burgic, chegado esta época da Suécia, do AIK) que segura a bola, usa o corpo e leva-a agarrada até à área adversária.
O Rapid, também em 4x4x2, tem o alemão Hoffman, o jogador mais credenciado, escondido no flanco direito e raramente consegue mexer no jogo com criatividade. No ataque uma dupla sérvia-albanesa com Jelavic e Salihi, mas o jogador que pode ter mais futuro na equipa é o lateral direito Tanju Kayhan, 20 anos. O FK Austria, que bateu o Mattersburg com um golo de Linz, e o Sturm Graz, onde brilha o húngaro Szabics, são as outras equipas que podem lutar pelo título. Neste momento, porém, o melhor destino futebolístico na Austria é Innsbruck. Atmosfera de grande entusiasmo e golos. Por uns momentos parecia que era a Áustria de outros tempos. Pura ilusão.