Depois de um início irregular, a Roma de Spalleti arrancou para uma espectacular recuperação. Do fundo da tabela para o quarto lugar, uma saga de dez vitórias consecutivas, igualando um record histórico estabelecido por JUventus (31/32), Milan (50/51) e Bolonha (63/64).
O mais estranho, no entanto, reside na constatação de que ela se iniciou a partir da dispensa de um jogador ainda há pouco um talento insubstituível: Cassano. Apesar do seu valor, o seu carácter rebelde tornara-se uma fonte de problemas que atormentava a preparação e o jogo de toda a equipa.
Após a sua partida, parece que o onze está mais calmo e até Totti passou a mover-se com outra magia, agora numa posição mais adiantada na frente de ataque (remetendo Montella para o banco) embora com liberdade para deambular, como um falso avançado-centro dentro de um esquema de 4x3x3 estendido em 4x2x3x1. Nesta posição, vê reduzido o seu papel de organizador, estilo trequartista, mas ganha maior dimensão de ultimo passe ou remate, estilo mezzapunta.
Na defesa, Spalleti mantêm os mesmo laterais: Panucci à direita, e Bovo, bela revelação de 23 anos, forte a defender e a subir, à esquerda. No eixo, fazendo dupla de centrais, Chivu passou a ter a seu lado Mexes, saindo Kuffour. Posicionalmente perfeitos, Chivu-Mexés fazem uma dupla elegante, tecnicamente dotada, mas por vezes algo lenta no tackle.
No meio campo, à frente da defesa, assume-se o condutor De Rossi, um pivot de grande classe. Queima linhas com a bola, distribui jogo e remata forte de segunda linha. É, claramente, um jogador de selecção. A seu lado, pode jogar Dacourt ou Aquilani, outro jogador que entrou na equipa nesta fase de recuperação e fez sentir a diferença.
Mais adiantado, Perrota assume, com agressividade, a fase conclusiva da transição atacante, soltando nas alas os flanqueadores Mancini e Taddei, que, muito ofensivos, também dão grande profundidade pelo flanco
O último jogo, trouxe, no entanto, a terrível lesão de Totti. Sem o seu capitão, o onze perde a sua estrela. Para o seu lugar, deverá regressar Montella, variando depois Spalleti em função dos médios.
ROMA. Treinador: Spalleti (Sistema: 4x2x3x1 ; 4x3x3)

O onze que serviu de base ás dez vitórias consecutivas