Rosenborg-Skonto Riga: Duelo infinito

6 de Janeiro de 2005
QUEM GANHARÁ MAIS CAMPEONATOS CONSECUTIVOS?
Da Noruega á Letónia, Rosenborg e Skonto Riga, travam, desde o inicio dos anos 90, uma titânica luta para saber quem ganhará mais campeonatos consecutivos. Neste momento, lidera o Skonto, com 14 titulos, mais um que o Rosenborg, com 13, numa luta que, a certa altura, teve a concorrência de Glasgow Rangers (9) e Olympiakos (7). Este é um duelo á parte no mundo do futebol internacional.
Ganhar um campeonato é um tarefa difícil, que exige grande regularidade competitiva. Conquistar três ou quatro campeonatos seguidos é algo raro, só ao alcance de equipas muito sólidas, táctica e tecnicamente, com uma estrutura que se mantenha por vários anos. Vencer 13 ou 14 campeonatos seguidos é algo épico, quase impensável para equipas meramente terrenas, seja em que país for. É certo que a Noruega e a Letónia não são reconhecidas como grandes potência futebolísticas. Apesar do crescimento das suas selecções, as suas Ligas estão entre as mais fracas do futebol europeu. Desde há mais de uma década, porém, as suas duas equipas mais simbólicas, Rosenborg e Skonto Riga, começaram a ganhar especial destaque, ao ponto de hoje travarem, um curioso duelo á distância: qual delas conseguirá conquistar o maior número de campeonatos consecutivos? Neste momento, findos os campeonatos de 2004 (no norte da Europa a época decorre durante o verão e o defeso é durante o gélido inverno), o heróico onze com mais títulos consecutivos é o Skonto Riga, com 14, á frente do Rosenborg com 13, numa disputa que atingiu dimensão mundial quando, em 2002, superaram os australianos do St.George Rugby Clube, de Sydney, clube que então detinha o record mundial, com 11 títulos da Austrália conquistados entre 1956 e 1966.

Skonto Riga – Bandeira da nova Letónia

Ganhou todas as Ligas disputadas na Letónia, de 1991 a 2004, desde que a nação báltica recuperou a sua independência, após o fim da URSS. No seu comando, sempre o mesmo treinador, antigo jogador do clube: Aleksandrs Starkovs, (também seleccionador nacional desde 98). Os primeiros títulos, em 93 e 94, tiveram a marca dos goleadores Yeleseyev e Babichev, respectivamente. Como grandes símbolos deste fantástico ciclo emergem, vários nomes, desde o capitão todo-terreno Astafjevs, 33 anos, organizador de jogo, hoje no Rubin Kazan, melhor marcador em 1995, com 19 golos, feito logrado em 97 por Chaladze, e, em 2000, por Kolesnicenko. Nas últimas conquistas, o homem-golo chamou-se Miholaps, mas a grande estrela que o Skonto deu ao mundo do futebol chama-se. Verpakovskis. Jogou em Riga entre 2001 e 2003, vindo do Lipaja, e hoje brilha no Dinamo Kiev. Dos actuais jogadores do Skonto Riga, são habitualmente titulares na selecção os veteranos defesas Zemlinskis, 34 anos, central, Blagonadezdins, 32, latera-esquerdo, e Isakovs, 31, lateral-direito,. Apesar do sucesso interno, Starkovs, não conseguiu, no entanto, ao contrário da selecção, lograr a intromissão do Skonto Riga entre os grandes da Europa, nunca se apurando para a fase de grupos da Liga dos Campeões.

O último titulo antes da partida

Ansioso por novos desafios, Starkovs abandonaria, antes do final da presente época, o banco do Skonto Riga e da selecção da Letónia, ingressando no Spartak de Moscovo. Mesmo sem o seu mentor, a equipa, orientada pelo antigo adjunto Jurijs Andrejevs (que também substituiu Starkovs na selecção) logrou o 14ºtitulo. O domínio do Skonto Riga está, nos últimos tempos, a tornar-se cada vez menos indiscutível. Como principal adversário, destaca-se o Metalurgs Liepaja, que esta época ficou em segundo, a apenas um ponto. Tudo se decidiu na penúltima jornada, quando o Skonto Ruga bateu o Liepaja por 3-2, após estar a perder por 0-2. O actual onze já evidencia os sinais de renovação, destacando-se o defesa Menteshashvili, 24 anos, o médio Semjonovs, 19, o gigante avançado Kalnins (1,93m. e 90kg), 23, e um interessante avançado ucraniano emprestado pelo Sothampton, Pereplyotkin, 19, companheiros no ataque do goleador Miholaps, melhor marcador da equipa com 16 golos.

Rosenborg: A invenção de Nils Arne Eggen

Até a meados dos anos 80, o Rosenborg não passava de um modesto clube norueguês que alternava subidas e descidas entre a I a II divisão, até que, em 85, regressou para ficar. O carismático treinador que iria mudar o curso do destino surgiria em 1990: Nils Arne Eggen. Era o inicio da grande revolução no futebol norueguês. Enquanto Egil Olsen revolucionava a selecção, Eggen encetou, a partir de 1992, um imparável trajecto que, até hoje, levou o Rosenborg á conquista de 13 sucessivos títulos de campeão. Ao mesmo tempo, colocou o futebol norueguês de clubes na elite das competições europeia. Desde meados dos anos 90, o Rosenborg é crónico participante na Liga dos Campeões. Ao longo dos tempos, foi apresentando atraentes equipas, no qual brilharam excelentes jogadores, desde Bjornebye, Leonhardsen e Bergdolmo, até Brattbakk, Iversen e Heggen, passando por Mini Jakobsen, Carrew e Rushfeldt, entre muitos outros. Muitos deles acabaram transferidos para grandes clubes estrangeiros, reforçando financeiramente o clube. Embora Nills Egen tenha, em 1998, abandonado o banco, passando para manager, os seus sucessor, Trond Solied, Age Hareide e Ola By Rise, aproveitando as sólidas bases deixadas, souberam prosseguir a obra.

Ultimo titulo decidido por um golo...

O ultimo titulo conquistado teve contornos dramáticos. No comando toda a época, o Rosenborg quebrou na parte final. Perdeu quatro dos últimos cinco jogos, e chegou á derradeira jornada em igualdade pontual com o Valerenga. O titulo seria decidido por gol-average. Antes do último jogo, a diferença era igual, estando o Rosenborg na frente apenas por ter mais golos marcados. A alternância na liderança durou até ao apito final, acabando por ser um golo de Frode Johnsen, a dois minutos do fim, a garantir o titulo, selando a vitória por 4-1 sobre o Lyn, enquanto o Valerenga apenas conseguia bater o Stabaek por 3-0. Por um golo, o Rosenborg conquistava o seu 13º titulo consecutivo de campeão norueguês. Treinado por Ola By Rise, este onze campeão em 2004, eliminado na primeira fase da Liga dos Campeões, apresenta, porém, um nível algo inferior ás equipas do passado. Entre as principais estrelas, moram o goleador Frode Johnsen, melhor marcador do campeonato com 19 golos, ao lado de outros dois interessantes avançados, Storflor e, sobretudo, um criativo de origem africana, Daniel Bratten, chamam-lhe o novo Carrew.

EM PORTUGAL: O eterno «penta» do dragão

Bobby Robson, Oliveira e Fernando Santos. Três treinadores, diferentes ideologias, mas cada um, no seu estilo, responsáveis pelo épico feito que, nos anos 90, fez subir o FC Porto á eternidade dos grandes campeões com a conquista de cinco títulos consecutivos de campeão nacional, superando a longínqua saga dos cinco violinos que, nos anos 50 (entre 51 e 54) tinham guiado o Sporting á conquista de quatro faixas consecutivas, o tetra. A epopeia do dragão decorreu de 1995 a 1999: 94/95 e 95/96, com Robson, 96/97 e 97/98, com Oliveira, e 98/99 com Fernando Santos, o engenheiro do Penta. Atravessando as cinco épocas, seis jogadores cujos nomes ficam a letras de ouro na história azul e branca: Aloisio, Paulinho Santos, Rui Barros, Folha, Drulovic e o grande capitão Jorge Costa, a imagem da garra e do carácter que fez do FC Porto a maior equipa portuguesa do final de século. Uma aventura que começou, em 94, como um golo do malogrado Rui Felipe (na vitória sobre o Sp.Braga, 2-0) e que teve, nas últimas três épocas, a temível marca goleadora de Jardel, período no qual apontou 92 golos pelos dragões. Falharia, no entanto, o hexa em 99/00, apesar dos seus 38 golos, época onde o Sporting regressou aos títulos após 18 anos de vazio, quebrando, assim, o domínio do FC Porto.

De Kiev a Glasgow: Em busca da eternidade

Em tempos recentes, também outras equipas sonharam perseguir o Rosenborg e o Skonto Riga nesta infinita saga de conquistas. Nesse grupo, destacaram-se o Dinamo de Kiev de Lobanovski que, após o fim da URSS, somou 9 títulos de campeão ucraniano, entre 93 e 2001, o Olympiakos, sete vezes campeão grego entre 97 e 2003 e, na macrocéfala Liga escocesa, o Glasgow Rangers que venceu 9 títulos entre 89 e 97, até ser interrompido, em 98, quase por uma questão de orgulho histórico, pelo Celtic, que, assim, impediu o onze protestante de bater o seu record, também de 9 conquistas consecutivas, entre 66 e 74. Em épocas mais distantes repousam os feitos do CSKA (9 vezes campeão búlgaro entre 1954 e 1962) e do MTK Budapest (9 vezes campeão húngaro entre 1917 e 1925).

OS GRANDES CAMPEÕES COM TITULOS CONSECUTIVOS

ALBÂNIA: 4. Dinamo Tirana (50, 51, 52, 53) ALEMANHA: 4. Bayern Munique (72, 73, 74; 85, 86, 87) e Borussia Monchengladbach (75, 76, 77) INGLATERRA: 3. Huddersfield (24, 25, 26), Arsenal (33, 34, 35) e Liverpool (82, 83, 84) AUSTRIA: 4. FK Austria Viena (78, 79, 80, 81) BÉLGICA: 5. Anderlecht (64, 65, 66, 67, 68) BULGÁRIA: 9. CSKA Sofia (54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61, 62) DINAMARCA: 3. Kopenhagen (48, 49, 50); AGF (55, 56, 57), Esberg (61, 62, 63); Brondby (96, 97, 98) ESCÓCIA: 9. Celtic (66, 67, 68, 69, 70, 71, 72, 73, 74) e Glasgow Rangers (89, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 97, 97) ESPANHA: 5. Real Madrid (61, 62, 63, 64, 65) FRANÇA: Saint-Etienne (67, 68, 69, 70), Marselha (89, 90, 91, 92) * GRECIA: 7. Olympiakos ( 97, 98, 99, 2000, 2001, 2002, 2003) HUNGRIA: 9. MTK Budapest (17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25) ITALIA: 5. Juventus (31, 32, 33, 34, 35), Torino (43, 46, 47, 48, 49)** NORUEGA: 13. Rosenborg (92, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004) HOLANDA: 4. HVV (1900, 01, 02, 03), PSV (86, 87, 88, 89) POLONIA: 5. Gornik Zabrze (63, 64, 65, 66, 67) PORTUGAL. 5. FC Porto (95, 96, 97, 99, 99) ROMÉNIA: 6. Steaua Bucarest (93, 94, 95, 96, 97, 98) EX-URSS: 3. CDKA Moscovo (46, 47, 48), Dinamo Kiev (66, 67, 68) RUSSIA: 6. Spartak Moscovo (96, 97, 98, 99, 2000, 2001) LETÓNIA: 14. Skonto Riga (91, 92, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004) SUÉCIA: IFK Norrkoping (45, 46, 47, 48), IFK Goteborg (93, 94, 95, 96),, SUIÇA: 4. Young Boys (57, 58, 59, 60) TURQUIA: 4. Galatasaray (97, 98, 99, 2000) UCRANIA: 9. Dinamo Kiev (93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 2000, 2001) EX-JUGOSLÁVIA: 3. Partizan (61, 62, 63), Estrela Vermelha (68, 69, 79; 90, 91, 92) CROACIA: 4. Croacia Zagreb (96, 897, 98, 99) * Titulo de 93 retirado por corrupção ** Em 44 e 45, campeonato interrompido devido á Guerra

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