
Com a Juventus relegada para a Série B e o Milan condenado a iniciar o campeonato com menos oito pontos, é pacifico afirmar que, matematicamente, este só pode ser, , o ano do Inter. Neste cenário, Mancini não tem margem de erro, mas, apesar desta vantagem, o seu Inter está ainda muito longe de ser um onze dominador. Continua uma equipa muito longa em campo, isto é, com demasiada distância entre as linhas meio-campo-ataque. É um 4x4x2 que, face à polivalência dos seus jogadores, se pode dispor em linha ou em losango.
Seja no desenho inicial, no qual Figo já alinhou no vértice ofensivo central, embora sem capacidade para acelerar o jogo, seja no decorrer do jogo, com as diagonais dos alas (Stankovic ou Figo). A melhor forma de ocupar o centro surgiu, porém, nos últimos jogos com a passagem de Stankovic da ala esquerda para o centro, uma zona onde solta melhor o poder de aceleração e capacidade de desequilíbrio do seu jogo, temperado também com fortes remates. Sem aplicação permanece a estrutura com três avançados que Mancini esboçou na pré-época, com Ibrahimovic atrás de Crespo e Adriano. Falta peso de cobertura ao meio-campo para suster um modelo teoricamente tão ofensivo para o estilo italiano. Com a entrada de Recoba (e a saída de Adriano) o ataque ganhou maior mobilidade e capacidade de improviso, combinando muito bem com Crespo ou Júlio Cruz, avançados de área mais fixos.

Uma complementaridade difícil de conseguir no ataque do Milan com a dupla Inzaghi-Gilardino, dois avançados com características muito semelhantes na forma de se movimentarem e desmarcarem nos espaços vazios perto ou dentro da área. Gilardino é, aliás, um caso que prova como os jogadores dependem muito dos hábitos adquiridos, pois sente-se melhor a jogar sozinho no ataque, como fazia no Parma. O sistema de Ancelotti é, no entanto, o 4x3x1x2 com dois pontas-de-lança. Assim, no plano da complementaridade, Ricardo Oliveira, pela forma como sabe jogar melhor em zonas mais distantes da área, é o avançado mais indicado para ser a referência na construção da dupla atacante.
Outro problema da equipa reside na fase de construção, onde Káká é o grande acelerador de jogo na segunda linha do meio campo, só que, quando corre com a bola, é comum ver-se os outros jogadores estáticos. Estas diferenças de ritmo entre Kaká e outros membros do sector (Seedorf-Ambrosini ou Gattuso) seja por dessincronização táctica, seja por características próprias de cada um deles, impede a equipa de ter uma velocidade colectiva definida.
Como jogam Palermo e Roma

Líder à 8ª jornada, o Palermo de Guidolin é a sensação do inicio de época. Tacticamente culto, é um onze que sabe esconder a bola. Em termos de sistema, estrutura-se preferencialmente em 4xx3x1x2, mas, frente a adversários mais fortes, fora de casa, surge em 3x5x2.
Em qualquer opção, mantêm sempre três médios na zona central: Guana, trinco, Corini, espécie de regista recuado, e Simplício, médio de transição. No ataque, mais uma bela dupla complementar: os esguios Amauri ou Caracciolo em cunha entre os centrais, e o esquivo Di Michele, entrando desde trás nos espaços vazios.
Na vitória em Milão, porém, jogou com três centrais puros, congeminando um meio campo com cinco elementos através da subida dos laterais, alas de origem, Diana, à direita, e Bresciano, à esquerda, que abriam o jogo a toda a largura do terreno e fechavam a faixa logo à entrada do meio campo, evitando recuar. Desta forma, o sistema mantinha sempre o 3x5x2, com meio-campo a «5», em vez do habitual 5x3x2 em que caem, na prática, os sistemas deste tipo.
Quatro dias depois, em casa, frente ao Messina, regressou ao 4x1x3x2, com laterais a subir e descer numa clássica defesa a «4». Dois sistemas, duas vitórias, mas a mesma filosofia de jogo: futebol apoiado, toque curto no inicio da transição ofensiva, superioridade numérica a meio-campo, velocidade e bolas longas na conclusão ofensiva.
Na Roma, Spalletti ainda não descobriu a fórmula para dar o balanceamento certo a um meio campo que vive angustiado nas costas de Totti, segundo avançado, e Montella, ponta de lança. Mantendo sempre a opção pela defesa a «4», tem em De Rossi, pivot defensivo, a âncora do sistema, mas, depois, falta mecanização entre o espaço interior e as alas, onde estão Taddei e Perrota. A chave poderá estar em Pizarro, posicionado dois passos à frente de De Rossi, com a missão de organizar jogo desde trás. Aprisionado ente De Rossi e Totti ainda não encontrou, no entanto, o ritmo certo para ser o elo de ligação entre-linhas que a equipa tanto precisa.