O Portugal-Rússia em Sub-21 foi um perfeito exemplo para se perceber como os princípios de jogo estão primeiro do que o sistema. Desde o inicio, Portugal disse querer jogar em transição rápida, pressionando alto e explorando o jogo pelos flancos. Face as estes princípios, parecia que o 4x3x3 com extremos seria o sistema mais indicado. Couceiro preferiu, no entanto, o 4x4x2, mas a dinâmica dada ao sistema permitiu aplicar os mesmo princípios eficazmente. Isto é, embora no papel a distribuição do 4x4x2 seja mais indicada para circular a bola e dar menos verticalidade nas faixas, a verdade é que tudo depende dos princípios (dinâmicas) de jogo que o treinador incute ao sistema. Em vez de circulação, Couceiro pediu profundidade aos alas (ver quadro ao lado). É isto que distingue o modelo de jogo e seus princípios do mero sistema que, por si só, não tem vida própria. Ou seja, com o mesmo sistema, dois treinadores diferentes podem dar diferentes dinâmicas ao jogo. Tudo depende do que pretende ver a equipa fazer em campo.
COMO JOGOU A SELECÇÃO «SUB-21»: Transição rápida e profundidade nas faixas

Apostando no 4x4x2, Couceiro quis uma equipa em transição rápida e com profundidade de jogo pelas faixas. Assim, em vez do losango, apostou em dois flanqueadores puros (na direita, Djaló, na esquerda, Digo Valente ou Hélder Barbosa) dando, desta forma, grande verticalidade ao jogo nas faixas. Ou seja, em vez de travarem a meio do meio campo adversário, eles desmarcavam-se nas faixas, para receber passes em profundidade, quase sempre em diagonal, metidos nesse espaço, a pedir velocidade em busca de cruzamentos à linha. No centro, Moutinho, protegido nas costas por Organista, organizava jogo e as sucessivas viragens de flanco, para o qual também contribuiu o recuo de um dos avançados (Varela) e as deambulações de fora para dentro de um ala (Djaló).