Existem vários factores para poder definir os traços caracterizantes que fazem um bom treinador. Personalidade, visão táctica, metodologia de treino e capacidade de liderança. Capacidade de motivar e controlar as emoções do grupo.
Em busca de novos treinadores com esse perfil no futebol europeu, há um nome que, apesar de ainda sem grande experiência nos bancos, reúne excelentes condições para marcar o futuro: Slaven Bilic.
É, actualmente, o seleccionador da Croácia. Com apenas 38 anos, antes só treinara uma época o Hajduk Split e dois anos a selecção Sub-21. A sua visão a abordar o jogo, o forma como num discurso claro e inteligente explica as suas opções tácticas, interpretando ao mesmo tempo a estratégia do adversário, demonstram um treinador tacticamente culto e astuto a preparar os jogos. O lado temperamental que marcou a sua carreira como jogador, com um estilo indomável, dão-lhe personalidade e carácter, nunca deixando os seus jogadores adormecerem em campo.
Noutro prisma, há quem acredite que um dos principais aspectos que distinguem os técnicos do presente dos de anos atrás é a força da imagem que emoldura o discurso. Bilic tem as duas coisas. Para melhorar cada vez o seu trabalho e entendimento com os jogadores, lê livros de psicologia. Sabe que liderar é gerir as emoções do grupo e entrar na cabeça dos jogadores que comanda.

A Croácia evidencia hoje grande presença em campo e sente-se que tem um líder no banco. Estreou-se com uma vitória num particular em Itália (0-2) e antes de jogar na Rússia, não hesitou em afastar, em pleno estágio e não depois de perder o jogo, três estrelas da equipa após uma saída nocturna excessiva. Empatou o jogo e, com isso, ganhou o respeito do grupo.
A forma como, depois, venceu a Inglaterra, alterando tacticamente de um jogo para o outro, e explorando o facto dos ingleses terem jogado num sistema idêntico de 3x5x2, demonstrou a sua visão táctica. Para além disso, mostrou-se cirúrgico nos famosos mind games, jogos psicológicos, que marcam o pré-jogo fora das quatro linhas mas que condicionam depois todos os seus intérpretes dentro delas. Para seus adjuntos, escolheu três ex-companheiros da inolvidável selecção croata que ficou em 3º no Mundial-98: Prosinescki, Asanovic e Ladic. Fixem portanto o seu nome e sigam-lhe a carreira: Slaven Bilic, um treinador de quem se vai falar no futuro.