Esquematizada num clássico 4x4x2, sem um médio centro nº10 tradicional, mas com dois excelentes trincos de cobertura defensiva, á frente de uma defesa a «4» sempre completa e médios ala exímios a fazer diagonais e a assumir a condução ofensiva de jogo, atrás de um ataque criativo e virtuoso, exímio a fugir ás marcações, este Sochaux de Lacombe é, em síntese, um onze tacticamente dinâmico, sempre em movimento, mas, claramente, menos eficaz a defender do que a soltar as suas acções ofensivas. Um desequilibro entre sectores que, por vezes (como frente ao Newcastle) compromete a consistência táctica colectiva do onze.
Sem um organizador de jogo central clássico, responsável pela circulação da bola, joga com dois volantes plantados á entrada da meia lua (Pitau, Lonfat ou Boudarène), mas, como são jogadores essencialmente de contenção, pautando-se sobretudo por preocupações defensivas, raramente sobem pelo corredor central para pensar o jogo ofensivo. Neste contexto, a coordenação do jogo fica sobretudo a cargo dos médio ala (Oruma-Isabey), que, para além de dar profundidade de jogo pelas faixas, abrindo o jogo a toda a largura do terreno, têm tendência, de posse da bola ou quando ela surge em zonais mais centrais, a flectir no terreno, fazendo diagonais para pegar na bola e assumir o papel de dinamização de distribuição ofensiva do meio campo, nas costas da dupla atacante, sempre formada por avançados virtuosos, com grande inteligência de movimentos.
A DEFESA:
Corte e antecipação, questão de «timing»

Na análise global, a defesa é, claramente, o sector menos consistente do onze, sobretudo depois das lesões terem afastado dois jogadores-chave, o lateral Pontllon e o central Monsereau (que, em principio, seria o chefe do sector). Sem eles, emergiu o pujante senegalês Diawara como nova referência no centro da defesa. Marcando em cima ou cobrindo a bola, atravessa um excelente momento. A seu lado, pode jogar Paisley (que também actua á esquerda) ou Tall, mas sem a mesma eficácia no corte, muito lentos na antecipação e no um para um.
Por outro lado, na dinâmica de jogo do 4x4x2 de Lacombe, os laterais (Daf-Mathieu) sobem pouco no terreno, e, quando o fazem, é sobretudo em missões de apoio, apesar de, na esquerda, Matthieu, exímio a marcar livres, ser um jogador de vocação atacante, fruto do seu lugar de origem ser como médio ala-esquerdo, onde começou a época, com Pontillon nas costas. Com a lesão deste, Lacombe optaria por recuar Matthieu para lateral. Na direita, Daf está quase sempre recuado, receoso, talvez, de perder o sentido posicional, pois embora forte, não possui, depois, rins para recuperar o posto com bolas metidas em velocidade nas suas costas.
ORUMA E ISABEY:
As diagonais de organização

Como não existe, no centro do 4x4x2, um médio nº10 organizador clássico, nem sequer um destribuidor recuado disfarçado de trinco, como era, na época passada, Pedretti, o papel de pegar na bola para coordenar e dinamizar as acções ofensivas fica a cargo dos médio ala flanqueadores. São eles os registas da equipa. Nesse papel, destacam-se Oruma e Isabey. Partindo da esquerda, o nigeriano Oruma, possante no transporte da bola e nos lances divididos, que também pode se pode posicionar sobre o centro (como fez no inicio da época, estilo volante, ficando Mathieu, hoje lateral, na ala esquerda), surge, depois, muitas vezes, nas costas dos avançados, procurando espaços para executar os passes verticais de desmarcação ou, até, o remate. Tem força, não é muito rápido, mas personifica a face combativa do sector, que, na fase defensiva, desenha uma linha de cobertura defensiva muito robusta, quase um muro, que se estende a toda a largura do terreno, a meio do seu meio meio-campo, á frente do quarteto defensivo. No centro dessa linha estão os trincos Pitau Boudarène ou Lonfant. Fecham a defender e quando á espaço, sobem, procurando entrar de trás, sobretudo Pitau. Na ala direita, está a alma do onze, um jogador de grande carácter, muito lutador, o capitão Isabey. Luta por todas as bolas, irreverente com ela nos pés e a procurar furar entre os defesas. Personifica o típico jogador de equipa, transmitindo-lhe grande espirito combativo.
AS CHAVES TÁCTICAS:
SANTOS, ZAIRI, ILAN E MENÉZ:
A criatividade atacante

Após ver sair, no inicio da época, o seu principal goleador (o ponta de lança Frau, hoje no Lyon), Lacombe temeu perder eficácia atacante. Neste momento, detendo o melhor ataque da Liga (com 21 golos, igual a Lyon e Auxerre) esses receios desapareceram. Principais razões: um dinâmico trio, Santos-Zairi-Ilan, todos com grande inteligência de movimentos. Jogando em 4x4x2, Lacombe pode variar, de jogo para jogo, conforme as circunstâncias do jogo, mais ou menos de contra-ataque, a formação da dupla atacante. Nesta óptica, o brasileiro Ilan, contratado esta época ao At.Paranaense, é o avançado mais de área, com grande faro de golo, tecnicamente impecável e muito oportuno a antecipar-se aos defesas. Zairi é um ilusionista. O seu futebol feito de dribles e toques curtos, sem perder o controle da bola, possui grande visão de jogo e é preciso no passe, pedindo, a seu lado, outro avançado, como o brasileiro-tunisino Santos, que, mais veloz, fura por entre os defesas. Raramente dribla, mas, com o seu estilo esquivo, foge ás marcações com hábil jogo de cintura, e, lançando em velocidade, com espaço livre, é mortal frente ao guarda redes.
MENÉZ:
A grande promessa

No actual Sochaux, há um jovem garçon que se destaca como grande promessa: Jérémy Menez, 17 anos, feito no clube e que, neste defeso esteve a um passo do Manchester United,. Cativa pela sua forma de se mover, entre o elegante e o inestético, impressão que resulta, talvez, da sua esguia compleição física (1,82 m e 73 kg.). Conduzindo a bola, pelo flanco, sobretudo o esquerdo, apesar do seu melhor pé ser o direito, revela pormenores técnicos de filigrana, apoiando ou ponta de lança ou surgindo na área., procurando o remate. Com cultura táctica, recua a defender, fugir ás marcações, arrancando depois com excelente sentido de movimentação sem bola.
O Onze Tipo (Sistema: 4x4x2)

A equipa que, na Liga Francesa, ganhou no Mónaco por 3-1