Steaua Bucarest: uma equipa a seguir

20 de Março de 2006
Grande símbolo do futebol romeno, o Steaua Bucarest volta a brilhar na Europa, após eliminar o Bétis na Taça UEFA. Oportunidade para descobrir uma interessante equipa, com bons pivots (atenção a Radoi) e perigosos extremos (Nicolita-Bostina). Entre os postes, Carlos «enche» a baliza.
Chegou a Sevilha com um mito a encabeçar a comitiva. Seu nome: Ducadam. Há 20 anos, em 1986, ele cometera, em Sevilha, a proeza de defender quatro penaltys na final da Taça dos Campeões frente ao Barcelona. Foi o momento áureo do Steaua Bucarest campeão europeu. Na baliza do grande clube romeno está hoje, porém, outro grande guarda-redes embora, claro, menos idolatrado. Nuca foi falado para a selecção, nem sequer para um grande, mas é indiscutivelmente, um dos melhores guardiões portugueses: Carlos. Chegou ao Steaua no mercado de Janeiro e é o único estrangeiro do onze. Não parece, no entanto, tal a forma entusiasta como comunica com os colegas e vibra com o jogo, como se viu na última eliminatória da Taça UEFA, quando eliminou o Bétis em Sevilha. As suas espectaculares defesas foram decisivas para o sucesso, mas na equipa de Cosmin Olardiu, esquematizada em 4x3x3, detectam-se vários jogadores muito interessantes.
Na defesa tem um forte dupla de centrais composta por Goian e Ghionea, imperiais no jogo aéreo e sempre no sitio cero para o corte marcando à zona ou ao homem os avançados contrários, apoiados por dois laterais quase sempre recuados e que basculam muito bem, Ogararu, à direita, e Marin, à esquerda. Ambos sobem pouco até porque uma das principais armas da equipa a atacar reside nos seus dois velozes e virtuosos extremos: Nicolita, na direita, e Bostina, na esquerda, embora também jogue na direita, mas procurar movimentos interiores de desequilíbrio. São dois jogadores em permanente movimento, servindo ou combinando muito bem com o possante ponta de lança Iacob (1,90m.), que lutador e forte a subir para amortecer de cabeça, também sabe arrastar marcações, permitindo nesse movimento abrir espaços para as entradas em velocidade de Bostina e, sobretudo, Nicolita, um constante perigo à solta. Para a segurança defensiva é decisiva, porém, a dupla de trincos que faz a primeira linha de cobertura à frente da defesa: Radoi-Paraschiv. São agressivos no corte e, depois, transportam muito bem a bola na saída da transição defesa-ataque. Nessas manobras, Radoi, central de origem, é mais elegante, enquanto Paraschiv assume uma postura de maior combate agressividade com ou sem bola. Uma bela equipa, sem dúvida, actual 2ª classificada na Liga romena que poderemos rever nos quartos-final da Taça UEFA, onde vai defrontar, num titânico derby de Bucarest, o rival Rapid.

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