SUÉCIA: A força e a táctica

27 de Abril de 2004
O MOMENTO DO GRANDE EMBAIXADOR DO FUTEBOL NORTE-EUROPEU:
Muitos analistas considerarem esta Suécia como das mais defensivas da história do futebol viking. Não é bem assim. Embora tenha como base o rigor defensivo, a verdade é que, sem dispor de uma geração com o mesmo talento de outras anteriores, o seleccionador Lars Lagerback logrou, através de um inteligente equilíbrio de sectores, algumas adaptações e dinâmica de movimentos em campo, construir um onze altamente competitivo. O grande suporte continua a ser a superior cultura táctica dos seus possantes jogadores. Estes são os seus nomes e rostos.
Historicamente dos mais cultos do mundo no plano da leitura do jogo e da ocupação dos espaços, o futebol sueco mantêm, actualmente, o mesmo estilo robusto, táctica e tecnicamente sábio, que o tornou respeitado por todo o mundo. Embora continue sem dispor de grandes criativos, continua a ser um viveiro de excelentes médios-volantes defensivos, ora de contenção, ora de elaboração ofensiva, que, partindo de posições recuadas, á frente da defesa, gerem, em toques curtos, mas atleticamente poderosos, a manobra do onze. Adoptando um clássico 4x4x2 que vive, sobretudo, na fase ofensiva, do chamado jogo directo, com bolas metidas, em cruzamentos ou passes em profundidade, no coração da área adversária, onde mora uma possante dupla de pontas de lança, esta Suécia de Lagerback –sempre apoiado pelo seu fiel adjunto Soderberg, o motivador- é uma equipa moldada, sobretudo, para um ritmo de jogo lento que lhe permita, quando detêm a bola, fazer a sua circulação a toda a largura do terreno. Sem ela, é um onze que fecha todos os espaços, cobrindo os flancos, exercendo um forte pressing para a recuperar longe da sua área, confirmando, nesse momento, a tese do futebol nórdico ser o melhor do mundo a jogar sem bola. Estes traços de carácter táctico, técnico e mental são evidentes nas três linhas da actual selecção sueca.

A. Svensson e Ljungberg: os criadores do meio campo

No presente, o seu jogador mais virtuoso na linha do meio campo é, sem dúvida, o habilidoso A. Svensson, um médio ofensivo de 26 anos, com tendência em descair para o flanco direito, tecnicamente muito forte, exímio a marcar livres e muito imaginativo na construção das jogadas ofensivas, nunca se perdendo em iniciativas individuais, mantendo sempre a noção do jogo colectivo. Actualmente a jogar no Southampton atravessa um período de quebra de forma, e, provando a sua influência, todo o onze se reflecte disso. No mesmo plano, jogando em ambos os flancos, como faz no Arsenal, o outro nome de referência no actual futebol sueco é Ljungberg. A sua carreira perdeu algum fulgor nas últimas épocas. Faltou-lhe, talvez, maior atitude competitiva para se assumir como um verdadeiro motor do onze, caracterizando-se hoje mais por ser um jogador de rasgos, muito forte em velocidade e em diagonais de penetração que furam as defesas adversárias. Como ala direito, confirma-se o polivalente M.Nilsson (Halmstad), originariamente lateral defensivo, mas que também pode flectir para zonas centrais do meio campo

Kallstrom e o viveiro de grandes trincos

O equilíbrio global do onze baseia-se, porém, na segurança dos médio defensivos de contenção, no qual se destaca Linderoth (Everton), um cérebro que joga sempre simples, sem inventar, fazendo a bola correr o campo todo. O seu companheiro de sector, no caso de jogar, como quase sempre, com uma dupla de trincos, poderão ser Joahnsson (Djurgarden) ou Andersson (Belenenses), embora nos últimos jogos Lagerback tenha apostado na subida de Jakobsson (Brondby) que passou de central para trinco. O jogador de futuro é, no entanto, Kallstrom, a nova grande promessa do futebol sueco, um médio que joga de área a área com visão de jogo, técnica, capacidade atlética, remate e passe. Aos 21 anos, actualmente em França, no Rennes, é o patrão da selecção Sub-21, e começa a impor-se também na primeira equipa. Com o passar dos anos, tem avançado no terreno e, hoje, muitas vezes, joga mais próximo dos avançados. Não é, no entanto, um criativo, destacando-se mais pela capacidade de organizar jogo.

As torres da defesa e a classe de Ibrahimovic

Depois de algumas dúvidas pós-Mundial 2002, o sector defensivo recuperou, nos últimos tempos, a segurança, com centrais exímios no jogo aéreo e laterais seguros a fechar as faixas, marcando em cima. Assim, no centro, Lagerback dispõe de várias soluções, saindo, neste momento, a sua dupla de torres preferencial do trio Mellberg-M.Svenson-Mjallby. Mellberg (Aston Vila), é o que possui maior leitura de jogo, eleito o jogador sueco do ano, raramente falha um corte. M.Svensson, que derivou da lateral esquerda, é exímio sobretudo no homem-a-homem e no jogo aéreo. Mjallby (Celtic) é uma muralha, mas aos 33 anos, já revela pouco agilidade. Outra opção seria Jakobsson, excelente na antecipação, mas que nos últimos jogos, aproveitando a sua capacidade de recuperar bolas, Lagerback decidiu adiantar para a frente da defesa, como trinco na primeira linha de cobertura defensiva. Nas laterais, ainda existem questões em aberto. Na direita, após o adiantamento de Nilsson para o meio campo, fixou-se Lucic (Leverkusen), que também pode ser central. É pouco ofensivo, mas cumpre posicionalmente a defender. Talvez para dar maior profundidade ao sector, Lagerback convocou, no entanto, para Portugal, a revelação Wahlstedt (Helsingborg), em grande momento de forma. Na esquerda, o lugar, após várias experiências, fixou-se Edman (Heerenveen). Sem deslumbrar, faz a zona com grande dinâmica, nunca perdendo as referências posicionais de marcação.

O tal Romário com 1,92m....

No ataque, mantendo-se a recusa de Larsson em regressar á selecção, esta Suécia tem três nomes de referência: Ibrahimovic, Allback e Jonson. Embora todos atleticamente fortes, têm, no entanto, características diferentes. Allback (Aston Villa), é o típico ponta de lança peitudo de área. Pouca técnica, muita força no choque e nas chamadas segundas bolas, ressaltos que surgem perdidos na área. Jonsen (Brondby), menos forte mas com maior movimentação, joga melhor fora da área, recua, é incansável a perseguir a bola, e, pode, por isso, até jogar como segundo avançado, com grande espirito de sacrifício. Junto deles, a estrela Ibrahimovic (Ajax), 22 anos, grande categoria técnica, táctica, exímio a fugir ás marcações, penetrando pelo flanco direito e com grande poder de finalização, muito frio em frente ao guarda redes. É, como alguns lhe chamam, um Romário sueco com 1,92m. de altura. Com Jonsen lesionado Lagerbak aposta, porém, na chamada de Skog (Malmoe), melhor marcador da Liga sueca na última época (com 22 golos) e Elmander (NEC), dois jogadores a seguir no futuro.

SUÉCIA / Sistema: 4x4x2

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