Grande berço do futebol escandinavo, território onde sempre se concentrou a grande força do futebol norte-europeu, a Suécia continua fiel, no seu estilo de jogo, ao poderio atlético-muscular típico dos seus jogadores. Tacticamente, desde os remotos anos 50, década da sua melhor selecção de todos os tempos, com os mitos Liedholm, Nordal, Gren e o fabuloso extremo Hamrim, o futebol sueco sempre foi dos mais inteligentes e evoluídos do mundo. Com o decorrer dos anos, porém, a técnica foi fazendo, cada vez mais, parte de um estilo que, embora historicamente muito influenciado pelos britânicos, revelou sempre muito maior rigor táctico-posicional em campo. Apesar das novas tendências técnicas do presente, o sistema de jogo base mantêm, no entanto, o seu típico traço anglo-saxónico: 4x4x2, dois pontas-de-lança, pressing a meio campo e predilecção, na fase ofensiva, pelo jogo aéreo.
Depois dos anos 70/80 já terem revelado o aproximar desse novo aroma, com nomes como Ralf Edstroem, Tommy Andersson, Stromberg ou Ekstrom, os anos 90 consagrariam, por fim, o novo design sueco, expresso, a nível de selecção, por uma categorizada geração de jogadores, dirigida no banco pelo fleumático Tommy Svensson, e onde brilhavam nomes como Brolin, Schwartz, Andersson, Dahlin, Thern e o guarda redes Ravelli, mentores do 3º lugar conquistado no Mundial-94. Observando jogar as selecções suecas em diferentes épocas, entre tempos tão distantes, dos anos 50 até hoje, vislumbra-se, no entanto, a mesma inteligência de movimentos em campo, ficando a ideia de que a única diferença verdadeiramente substancial reside no ritmo de jogo, sendo mais veloz, muito naturalmente, o dos nossos dias.
Meio campo: O grande motor da equipa
Finda a era-Svensson, a Federação sueca sentiu que estava na hora de iniciar um novo ciclo, e nomeou, para o chefiar, dois homens, sem grande curriculum, mas muitos respeitados como treinadores: Tommy Soderberg, antigo seleccionador Sub-21, e Lars Lagerback, antigo adjunto de Svensson. Juntos formam a estrutura bicéfala que gere os destinos técnico-tácticos da selecção viking: Lagerback, mais expansivo, é o motivador, Soderberg, mais discreto, é o teórico. Em resumo, enquanto um incute moral, o outro lê o jogo. Após a desilusão do Mundial 2002, falou-se que a dupla ia ser desfeita perante o desalento de Lagerback, mas, no final, após meditar no futuro, ambos decidiram continuar a reger os destinos do futebol sueco rumo ao Euro-2004.
A estruturado base é, neste momento, praticamente a mesma que esteve presente no Mundial-2002, continuando a grande força do onze, essencialmente musculado, a concentrar-se na agressividade competitiva do seu meio-campo, composto por quatro médios de choque. Donos de uma técnica musculada e com um indomável espirito lutador eles são o grande suporte táctico do mais clássico 4x4x2. Na frente da defesa, como médios-defensivos, Lideroth, do Everton, e Anders Svensson, do Southampton, dois incansáveis recuperadores de bola, apoiados, nas alas, por, Niclas Alexandersson, do Everton, á direita, e Ljungberg, á esquerda, o grande motor da equipa, estrela do Arsenal de Wenger. Moldados desde as camadas jovens por princípios de jogo que colocam, como pilar da atitude em campo a agressividade sob á bola –a chamada zona pressionante- todos eles intensificaram esses conceitos combatitivos quando passaram a jogar no futebol inglês, a grande escola do futebol-força anglo-saxónico.
A construção da nova dupla de ataque

No ataque, porém, a dupla Soderberg-Lagerback debate-se com o dilema de descobrir um ponta-de-lança com o mesmo faro goleador do terrível Henrik Larsson, que, apesar dos constantes apelos, decidiu retirar-se da selecção após o fim do Mundial do Oriente. Sem o Bota de Ouro do Celtic, a nova grande estrela do ataque é viking passou a ser jovem esperança, 19 anos, Zlatan Ibrahimovic, estrela do Ajax. A seu lado, fazendo dupla na frente de ataque, podem jogar Marcus Allback, jogador do Aston Villa, Jorgen Petersson, goleador do FC Copenhagen, que já não era chamado á selecção desde o Euro-2000 ou Andersson, titular no último jogo frente á Hungria, actualmente no AIK Estocolmo, após falhar as aventuras no Milan e Newcastle, todos pontas-de-lança ao velho estilo nórdico, fortes, altos e limitados tecnicamente,
Comparando este onze, nos sectores do meio campo e ataque, com o dos anos 90, falta sobretudo a esta Suécia, um avançado mais esquivo, espécie de segundo ponta-de-lança, com uma criatividade semelhante, por exemplo, á exibida, nesse passado recente, por Brolin ou Dahlin, criativos que sabiam fazer descer a bola á relva, confundindo os defesas adversários com os seus zig-zags e, assim, com este estilo, funcionar eficazmente, no plano da complementaridade, com os gigantes companheiros do sector, como foi, então, o poderoso cabeceador Kennet Andersson. Embora fortes fisicamente, as novas duplas de ataque, sem um jogador desse tipo e onde Ibrahimovic revela um valor técnico muito acima dos outros elementos do sector, revelam pouca mobilidade com a bola e falta de mecanização nas triangulações, sentindo assim grandes dificuldades em furar as defesas adversárias mais fechadas.
Os problemas na defesa
Onde Soderberg e Lagerback terão mesmo problemas é no sector defensivo, em face da ausência, cada vez mais usual, dos centrais Patrik Andersson, do Barcelona, (resistente da selecção de 94) e Mjalby, do Celtic. Com o avançar da idade destas duas torres defensivas, ambos com 31 anos, titulares indiscutíveis durante muito tempo, a Suécia tem de começar a buscar novas soluções para o eixo central da sua defesa. Entre os possíveis substitutos estão Jakobsson, que tanto pode jogar como stopper, central de marcação ou lateral esquerdo, Michael Svensson, mais elegante no trato da bola e melhor tecnicamente a sair com ela dominada, Teddy Lucic, outro polivalente que faz todos os lugares atrás, e Tomas Antoneluis, do FC Copenhagen. Foi, aliás, tendo já mente a renovação necessária que a dupla técnica já convocou para a selecção principal, para além de Ibrahimovic, os jovem talentos Kim Kallstrom, Pontus Farenerud, Rade Prica e Nils-Eric Sohanssen. É o nascer da nova geração-viking.
4 ESTRELAS SUECAS PARA SEGUIR
Tobias Lideroth
Clube: Everton
Idade: 23 anos
Posição: Médio-defensivo
Um médio um pouco na linha de Thern ou Schwartz . Para além de saber recuperar bolas, o seu jogo possui grande profundidade ofensiva, lançando o ataque. Mais do que um trinco, é uma espécie de motor de arranque da equipa
Anders Svensson
Clube: Southampton
Idade: 25 anos
Posição: Médio-centro
Talvez o jogador mais evoluído tecnicamente do meio-campo. Exímio marcador de livres, driblador, grande visão de jogo e excelente sentido de passe. É um médio ofensivo de grande categoria.
Fredrik Ljungberg
Clube: Arsenal
Idade: 25 anos
Posição: Médio-ala esquerdo
Um dos médios mais rápidos do futebol europeu com a bola nos pés, partindo sobretudo do flanco esquerdo, com uma garra e uma velocidade quase britânica, também possui sentido d gole. Ideal para sistemas de 4x3x1x2.
Zlatan Ibrahimovic
Idade: 21 anos
Posição: Avançado
A grande esperança do futebol sueco. Um jogador de fino recorte técnico, ágil, do alto do eu 1,90m., possui grande domínio de bola, drible curto em pernas longas, e grande sentido de baliza, gostando de descair para os flancos fugindo ás marcações.