SUL AMERICANO SUB-20/ 2003 (APRESENTAÇÃO): Os jovens magos da América do Sul

4 de Janeiro de 2003
SUL AMERICANO SUB-20`2003 DISPUTA-SE NO LENDÁRIO URUGUAI

É um dos maiores paraísos do futebol mundial para os caçadores de talentos. Na alvorada do ano 2003, no mítico Uruguai, 10 selecções de jovens estrelas do Novo Mundo, disputam o Torneio Sul Americano de Sub-20, desde há vários anos uma referência obrigatória entre os observatórios talentos de todo o mundo futebolístico, sobretudo o Europeu. No passado revelou Francescoli e Romário, este ano, sem os Meninos da Vila, Diego e Robinho, novos prodígios canarinhos, outras figuras surgem: Tevéz, Olivera, William....
Transportando, no corpo e na técnica, a magia típica do continente dos magos, eles são o futuro do futebol-arte sul americano. Um talento natural, obra divina, que ainda há poucos anos emergia em infinitos baldios de terra decorados com três palavras que fazem sonhar todos os meninos da América do Sul: Las redes, los arcos e las pelotas. Hoje, o sonho prossegue nos relvados, as canchas douradas que os podem transformar em grandes estrelas do futebol mundial. Quando há 21 anos o Uruguai conquistou o seu último titulo sul americano Sub-20, a sua grande estrela era um príncipe alto e magro que tocava na bola como se ela fosse uma jarra de cristal: Enzo Francescoli. Duas décadas depois, o seleccionador Jorge Pollilla Da Silva, que também assumiu a selecção principal após a saída de Púa, ambiciona devolver esses dias de glória ao futebol uruguaio. O triunfo no Sul-Americano Sub-20, a disputar nas cidades charrúas de Colonia, Maldonado e, claro, Montevideo, seria o arranque perfeito para esse novo ciclo. Entre os novos príncipes emergem dois nomes para seguir: Ruben El Pollo Olivera, segundo avançado, um artista feito no Danúbio que já passeia o seu belo futebol em Itália, na Juventus, onde Lippi já o lançou na Liga dos Campeões, e Marcelo Lopéz, aguerrido e elegante defesa do River Plate, o mesmo local onde Francescoli foi elevado á categoria de lenda. Herdeiros da aguerrida técnica charrúa, eles são hoje duas grandes esperanças do novo futebol uruguaio, pilares da Celeste Sub-20. Para erguerem a Copa, terão, no entanto, de bater outros dois monstros do futebol sul americano, Brasil e Argentina, onde os craques crescem como cogumelos e todos os dias surgem novas estrelas prontas a brilhar.
Duas das maiores estarão, no entanto, ausentes das canchas uruguaias: Robinho e Diego, grandes fenómenos do fabuloso time-moleque do Santos, campeão brasileiro 2002. Ambos já estão reservados para voos mais altos: o onze Olímpico e, muito em breve, podem acreditar, a principal selecção brasileira. Sem eles, o seleccionador Valinhos apenas poderá apostar num membro dessa fantástica geração dos Meninos da Vila: o avançado centro William, durante o Brasileirão remetido para o banco pelo artilheiro Alberto, mas que possui também um potencial futebolístico maravilhoso, sempre com a baliza nos olhos e o bom futebol, técnico e apoiado, nos pés. Entre outros talentos canarinhos a seguir destaque-se outros dois nomes: Carlos Alberto, médio revelação do Fluminense, e Felipe Mello, médio-estrelinha do futebol carioca, no Flamengo. No passado, o Brasil já foi 8 vezes campeão sul americano Sub-20, a última vez no Equador, em 2001, através dos golos de Adriano e Ewerton, que hoje jogam, respectivamente, em Parma e Dortmund. Apenas dois destinos do Velho Continente que, em breve, também irá certamente receber algumas das figuras do onze geração-83 agora presente no Uruguai.

Tevéz, El Pibe de Fuerte Apache e os golos de Cavenaghi

Desde 1994 até a meados de 2002, o futebol das jovens selecções argentinas teve assinatura própria: José Néstor Pekerman. Uma era que ficará para a história decorada por grandes títulos e, sobretudo, um estilo sedutor, que com arte e técnica, devolveu a magia ao fútbol argentino, então perdido e picardias excessivas. Seu adjunto durante toda esta bela caminhada, Hugo Tocalli é o novo técnico com a missão de prosseguir a obra de Pekerman, descobrindo novos pibes mágicos. Na selecção sub-20 que estará no Uruguai, alguns nomes já se destacam á partida: Na defesa, referência para Marco Charras, actualmente na Búlgária, no CSKA Sofia e Javier Pinola, titular do At.Madrid B. As grandes figuras moram, porém, na linha da frente: Cavenaghi, ponta-de-lança, o goleador dos espaços curtos, forte e com grande instinto dentro da área, e Maxi López, 18 anos 1,87m, um terror para os defesas. Juntos formam a dupla atacante do River Plate, enquanto do Boca Juniores emerge o truculento Carlos Tevéz, El Pibe de Fuerte Apache, nome do pobre bairro de Buenos Aires, conhecido pela sua criminalidade, de onde é originário. Dono já da camisola nº10 do Boca Juniores, Tevéz, 18 anos, é um fabuloso médio-ofensivo, o chamado enganche, que arrasta consigo todo a equipa. Driblador e agressivo sobre a bola é um filho do mais puro futebol de rua. Tacticamente, Tocalli já afirmou ir continuar a sistematizar o moderno 3x5x2, com defesa a «3», quatro médios lutadores, dois deles volantes, um enganche ofensivo e dois pontas-de-lança. O esquema ideal para driblar o 4x4x2 de Colômbia, Chile e Paraguay.

A Nova Bolivia de Melgar e La Foquita Jefferson do Perú

Entre as chamadas selecções de segunda linha do futebol sul americano, também dotadas de grande nível técnico, também se podem destacar alguns rostos e nomes. Como grande revelação, poderá emergir a Bolívia de Milton Melgar, antigo jogador do Boca Juniores e River Plate e figura do Mundial-94, responsável por um projecto de 5 anos incumbido de revolucionar todo o futebol jovem boliviano e fazer novos craques como Carlos Arce, 17 anos, a quem chamam o novo Etcheverry, Ortiz, um médio criativo que está nas equipas jovens do Bayern Munique, e José Castillo, goleador do campeonato boliviano 2001, autor de 88 golos em apenas duas épocas na I Divisão, mas que, para tristeza de Melgar, declarou não aceitar voltar a jogar no onze Sub-20. Outra selecção a seguir é o Paraguai do uruguaio Aníbal Maño Ruiz, onde sobressaem Victor Mareco, defesa do Brescia e Nelson Romero, avançado do San Lorenzo. Noutro nível, muita atenção a dupla avançada do Peru de César Chalaca González, formada por Wilmer Aguirre e La Foquita Jefferson, dois caça-golos de grande categoria. Três selecções com ambições em brilhar neste Sul Americano Sub-20/2003, onde para além do titulo, estarão em disputa quatro lugares para a próxima edição do Mundial da mesma categoria, a disputar-se em Março, nos Emiratos árabes Unidos. Os primeiros quatro classificados terão presença garantida.

SELECÇÕES E PRINCIPAIS ESTRELINHAS

GRUPO A

BRASIL Treinador: Valinhos Estrelas a seguir: William (Santos, A), Carlos Alberto (Fluminense, M) URUGUAI Treinador: Jorge Da Silva Estrelas a seguir: Olivera (Juventus, A), Marcelo López (River Plate, D) PERÚ Treinador: César González Estrelas a seguir: Wilmar Aguirre e Jefferson (Alianza Lima, A) EQUADOR Treinador: Fabian Birbano Estrelas a seguir: León (Gent, D) BOLIVÍA Treinador: Milton Melgar Estrelas a seguir: Juan Arce (Santa Cruz, A), José Luis Ortiz (Bayern Munique)

GRUPO B

ARGENTINA Treinador: Hugo Tocalli Estrelas a seguir: Tevéz (Boca Juniores, A), Cavenaghi (River Plate, A) PARAGUAY Treinador: Aníbl Ruiz Estrelas a seguir: Romero (San Lorenzo, A), Mareco (Brescia, D) CHILE Treinador: César Vaccia Estrelas a seguir: Pinilla (Universidade, A) COLOMBIA Treinador: Reinaldo Rueda Estrelas a seguir: Edigson Perea (Milionários, M) VENEZUELA Treinador: Richard Páez Estrelas a seguir: Renteria (Levante, M)

TONEIO SUL AMERICANO SUB-20 / HISTORIAL

ANO , VENCEDOR e GOLEADOR/REVELAÇÃO 1954 URUGUAI / AGUERO (PARAGUAI) 1958 URUGUAI / RAFFO (ARGENTINA) 1964 URUGUAI / JAIME BRAVO (CHILE) 1967 ARGENTINA / Não atribuído 1971 PARAGUAY / ISLAS (URUGUAI) e MALDONADO (PARAGUAI) 1974 BRASIL / REVETRIA (URUGUAI) 1975 URUGUAI / REVETRIA (URUGUAI) e TONINHO (BRASIL) 1977 URUGUAI / NADAL (URUGUAI) e GUINHA (BRASIL) 1979 URUGUAI / LUZARDO (URUGUAI) 1981 URUGUAI / FRANCESCOLI (URUGUAI) e LELA (BRASIL) 1983 BRASIL / AGUILLERA (URUGUAI) 1985 BRASIL / ROMÁRIO (BRASIL) 1987 COLOMBIA / RUSSO (ARGENTINA) 1988 BRASIL / ASSÍS (BRASIL) e FERREIRA (PARAGUAY) 1991 BRASIL ESNAÍDER (ARGENTINA) 1992 BRASIL CORREA (URUGUAI) 1995 BRASIL BIAGINI (ARGENTINA) 1997 ARGENTINA ADAILTON (BRASIL) 1999 ARGENTINA GALETTI (ARGENTINA) 2001 BRASIL ADRIANO e EWERTON (BRASIL)

Artigos Relacionados

  • África: bola, relva e táctica África: bola, relva e táctica 19 de Fevereiro de 2012 A Zambia e o CAN 201, equipas e reflexões: Qual o momento do actual futebol africano?
  • NOTAS 2011/12 (26) NOTAS 2011/12 (26) 27 de Janeiro de 2012 1. Que lugar para Danilo?; 2. Vendo o jogo de Hugo Vieira; 3. Obsevando o U.Leiria de Cajuda
  • O Império do "futebol nascente"  O Império do `futebol nascente` 25 de Janeiro de 2012 Sasaki e Sawa, treinador e jogadora, o futebol feminino japonês que assombrou o Mundo (Helena Costa)
  • NOTAS 2011/12 (23) NOTAS 2011/12 (23) 7 de Janeiro de 2012 1. Foi no verão passado...; 2. Notas da II Liga (equipas e jogadores)
  • O "berço" do génio O `berço` do génio 24 de Dezembro de 2011 Qual o melhor local para o futebol de Neymar crescer, Brasil ou Europa? Três centrais, “3x7x0” e...