1. Olhanense com «causa»
E, de repente, o debate mudou. Depois de tantas críticas ao futebol defensivo, critica-se uma equipa por ser demasiado ofensiva e não saber fechar-se. O Olhanense de Jorge Costa. Mas existe aqui um equívoco de origem. Saber defender não implica futebol defensivo. Tem a ver com outros conceitos. Como controlo do jogo e seus ritmos. O local ideal para o fazer não é junto à área mas sim no meio-campo.
A debilidade do onze está nesses tais momentos. Onde é preciso baixar o ritmo. Não é fácil, porém, consegui-lo. Por uma razão simples: tal não está na essência da maioria dos seus jogadores. Rabiola, Castro ou Ukra, 90 minutos olhos nos olhos com o jogo. É esse estilo (ia escrever rebeldia) que faz a força do seu futebol. Jorge Costa já disse, pela forma como joga, que não quer contrariar (em nome de maiores cadeados tácticos) a natureza dos seus jogadores. A sua causa ultrapassa o mero pontinho conquistado. É aliciante mas, simultaneamente, perturbante. Porque aquilo que os pode fazer ganhar, é também o que, ao mesmo tempo, os pode fazer perder.
2. Onde fica o 4x4x2?
No Dragão, Jesualdo prossegue a reconstrução da equipa (parte IV). Mais do que substituir jogadores, é reactivar os elos de ligação entre-sectores. Nesse contexto táctico, o principal problema nem resulta dos novos elementos Belluschi, Pereira ou Falcão. Resulta da ausência de Rodriguez. Sem ele, o FC Porto regressa ao 4x3x3 mais puro em termos de linhas. Isto é, perde o jogador capaz de recuar e dar quatro unidades a meio-campo, desenhando, para os momentos de controlo e transição, uma espécie de 4x4x2. Foi esta a grande evolução táctica do FC Porto (nacional e, sobretudo, europeu) da última época.
Preso ao 4x3x3 (com Hulk a perder muitas bolas e Mariano a recuperar poucas) em momentos de transição defensiva, o plano global de jogo perde, muitas vezes, o equilíbrio do passado. Por isso (para lá da maior robustez do cenário internacional) o receio de meter Belluschi sem uma moldura que compense a sua menor leitura após perder a posse. É, no colectivo, uma questão de consistência táctica para saber não ter a bola e recuperá-la em zonas altas.
3. Como joga a «lanterna»
A Académica de Rogério Gonçalves caiu no último lugar. Com apenas 6 jogos, este simples facto não é grave. Vendo-a jogar em Vila do Conde, porém, senti que a equipa já vive demasiado recosa em campo. Depois do belo jogo em Braga na primeira jornada, pensava, numa evolução natural, encontrá-la com outra cabeça.
Rogério procura manter um 4x3x3 no qual um dos avançados é, digamos, mais falso e procura jogar nas costas dos outros dois. Por isso parece muitas vezes 4x4x2. É uma boa forma de aproveitar a profundidade que Sougou, Lito ou Vouho podem dar, ficando Miguel Pedro na tal posição falsa (quase sempre da faixa para dentro). É uma boa ideia que carece, porém, de precisão na transição defesa-ataque. Contra o Rio Ave, Paulo Sérgio e Nuno Coelho nunca definiram bem o posicionamento à frente da defesa e com isso a saída de bola ficou sempre travada. Ora sai mais apoiado, ora sai com um passe mais longo, mas era raro esse primeiro passe entrar bem. É este o principal ponto para a equipa evoluir: decidir como quer fazer as transições ofensivas.