Talvez mais do que a Copa América Sub-20, por ser financeiramente mais acessível e os talentos igualmente sedutores, um local de peregrinação para os caça-talentos devia ser o Congo, onde se está a jogar a Taça de África Sub-20. Oito selecções, sete da África negra (Burkina, Costa do Marfim, Gambia, Congo, Nigéria, Zâmbia e Camarões) e uma da região norte (Egipto).
Com o torneio a meio, a Gambia é o principal destaque. A equipa ainda joga quase todo na inóspita Liga local. A excepção é Ousmane Jallow, avançado do Raja de Marrocos. A base é o onze vem que venceu a CAN Sub-17 em 2005. Outro bom jogador é Mansally, este ainda do Real FC gambiano. Nota especial para Centro Nacional de Formação do Congo que dá 10 jogadores à actual selecção, mas atenção a Nguessi Fabrice, goleador do La Mancha FC congolês. Curioso é notar poder de exportação do jovem futebol do Burkina. No seu onze estão diamantes já de laboratórios europeus: Traoré (Auxerre) Dianda (Verona) Dabré (Atalanta) e Bassoule (primavera da Juventus).
Actual campeão, a Nigéria continua forte. Zenke Terwase é um perigo à solta. O Egipto (composto por 10 jogadores da formação do Al Ahly) é um onze mais táctico. Vejamos, pois, as principais estrelas e onze campeão nos relvados de Brazzavile.

Orientada pelo técnico francês Eddie Hudanski, a selecção do Congo conquistou a Can Sub-20 com um interessante onze, no plano colectivo e individual. Partiu de um 4x2x3x1, com os laterais Okiele e Loparimi a fecharam as faixas, mas, a atacar, transformava-se em 4x3x3, destacando-se, nessa dinâmica de jogo pelos flancos a acção, em velocidade e «zigzag», do extremo esquerdo Nkounga.
No centro, o 10 Filanckembo organiza jogo com criatividade, enquanto a dupla Ondjola, mais recuado, e Delvin, controlavam a zona central, ajudando a atacar e recuando sem bola. Na direita, Tchilimbou cria menos desequilíbrios no um para um, mas sabe apoiar na fase ofensiva, servindo o ponta-de-lança Fabrice.
Zenke (Nigéria/Strasbourg)

A Taça de África Sub-20 terminou com a vitória do Congo, mas, após ver todos os jogos, é um avançado de outra selecção que prefiro destacar: Zenke Terwase, robusto ponta-de-lança vagabundo da Nigéria, derrotada na final (0-1). Tem força, excelente controlo de bola, ora cobrindo-a bem, ora correndo com ela, e revela bons pormenores técnicos de execução, embora não seja muito rápido. Aguenta bem o choque (1,78m e 82kg.) e desgasta defesas. Pode jogar com outro colega ao lado ou sozinho, como fez na final. Lembra um pouco o estilo do senegalês Niang.
Já mora em França, nas escolas do Strasbourg, desde 2005, após ser descoberto no Níger Tornados da Nigéria. Aos 18 anos, ainda alinha na equipa B, com contrato de estagiário. Será interessante ver a sua evolução. Pode estar ali um grande avançado para o futuro.
Fabrice (Congo/CS La Mancha)

Um dos melhores jogadores da CAN Sub-20. Avançado móvel, esguio, destemido a partir para o drible, lutador e com boa visão de jogo para entrar nos espaços ou passar a bola. Fabrice Nguessi, que na camisola trazia o nome Ondama, 19 anos, joga ainda no anónimo CS La Mancha, modesta equipa congolesa, pelo que não pode ser muito caro. Precisa, claro, de ser trabalhado táctica e fisicamente. O potencial está lá.
Ousman Jallow (Gambia/Raja)

Inteligente a movimentar-se entre os defesas, Ousman Jallow (1,81 e 72kg.), ponta-de-lança da interessante selecção Gambia, revelou-se um dos melhores avançados da CAN Sub-20. Marcou três golos e repetiu o feito de melhor marcador já conquistado no torneio Sub-17 em 2005.
Alto e oportuno na área, tem um estilo algo parecido com Jardel. Neste momento, aos 18 anos, joga em Marrocos, no Rajá, após ter passado pelos Emirados, no Al-Ain. A seguir.