TAÇA UEFA: DE GLASGOW A SEVILHA

28 de Agosto de 2004
FC DUKLA BYSTRICA, RAPID VIENA, GLASGOW RANGERS, SEVILHA E HEART OF MIDLOTHIAN. Cinco equipas de estilos ou dimensões diferentes no caminho dos cinco clubes portugueses rumo á fase de grupos da Taça UEFA. Como principal força, o Glasgow Rangers, grande embaixador do futebol escocês, onde impera a atitude lutadora que, mesmo sendo um emblema da chamada segunda linha, também molda o estilo do Heart of Midlothian, enquanto que, vindo do renovado futebol da Eslováquia, o Dukla Bystrica, sem credenciais europeias, busca penetrar na elite do Velho Continente, habitat onde sempre esteve o histórico Rapid Viena, hoje uma sombra do passado, mas sempre temível, tal como o Sevilha, a face mais técnica do competitivo futebol espanhol.

FK DUKLA BYSTRICA: Velhos gigantes da Eslováquia

Produto da divisão territorial que separou o outrora unida nação da Checoslováquia, o FK Dukla Banska Bystrica foi um dos clubes que, após essa separação, ganhou, a partir do momento em que ficou inserido no campeonato da Eslováquia, uma nova dimensão futebolística, após várias décadas na sombra de emblemas mais fortes. Com a divisão, afastados do confronto com as equipas da Republica Checa e face ao declinio do históricos emblemas de Bratislava, o futebol eslovaco ganhou uma nova correlação de forças, no qual emergiram na última época, MSK Zilina e o FK Bystrica. Perdendo o titulo apenas por gol-average, o adversário do Benfica destacou-se sobretudo pelo bom futebol apresentado, no qual sobressaí uma perigosa dupla atacante, de perfil moderno, que se complementa muito bem, Semenik (1,81m. e 74kg.) segundo melhor marcador da Liga eslovaca com 15 golos, o tipo de avançado que gosta de se movimentar em busca de espaços vazios, e Jakubko, um verdadeiro gigante de 1,94m. e 89kg., autor de 10 golos, um verdadeiro monstro da grande área, 24 anos, que chegara a meio da época vindo do Tatran Presov. A vocação goleadora desta dupla mantêm-se nos primeiros jogos desta época, Jakubko já fez três golos em três jogos do campeonato, enquanto que Semenik foi decisivo na ultima ronda da Taça UEFA, frente ao Will da Suíça, apontado três golos no conjunto das duas mãos (3-1 e 1-1). Tacticamente muito culto, Semenik é o jogador mais experiente do onze de Bystrica. Aos 31 anos, conhece todos os segredos dos relvados, pelo que também pode jogar mais recuado, sobre o meio campo, jogou na Hungria no ETO Gyor, passou pela Tuquia, no Gençlerbirligi, em 99/00, e também se destacou no FK Teplice checo, entre outros, mas o seu faro pelo golo só surgiu em pleno no Bystrica, devido também ao facto de ser o marcador oficial dos penaltys. Orientado por Ladislav Molnar, o onze, totalmente feito na Eslováquia, jogando em 4x4x2 ou 3x5x2, tem como médio centro, uma promessa novo do futebol eslovaco, Pecovsky 21 anos, acompanhado pelo experiente Svintek, 29, e por, sobre as alas, os veteranos Sovic, 34 anos, á direita, e Dzurik, 35, á esquerda, podendo este também jogar como lateral numa defesa a «3». Na defesa, com o Toth, 33, ou Kunzo, 31 á frente como trincos, também impera a experiência, com Kentos, 30, Urgela, 28, e Leitner, 30, lateral esquerdo, apoiados por Vyskoc, 25, que sobe muito bem no terreno. Trata-se, no global, de uma equipa envelhecida, com o peso da idade a fazer-se sentir quando o jogo adquire um ritmo mais alto. Com tempo para trocar a bola, dando espaços a Semenik ou descurando a marcação ao gigante Jakubko, poderá, ao invés, causar perigo.

RAPID VIENA: A orquestra do maestro Ivanschitz

Repousam distantes os tempos gloriosos do futebol austríaco. Debatendo-se em profunda crise competitiva, o Rapid sonha resgatar os velhos tempos mas basta um simples olhar para o seu actual onze, orientado pelo ex-seleccionador Hickersberger, para perceber a dificuldade da missão. O seu principal esperança reside num sedutor médio centro construtor de jogo, Ivanschitz, 20 anos. Chamam-lhe o novo Herzog pela autoridade como conduz a bola, mas, também veloz, a nova estrela de Viena prefere pensar mais o jogo. Gosta de se refugiar no flanco esquerdo para fugir ás marcações e depois, desde essa zona, distribuir jogo, com passes longos ou, com a bola dominado, procurar rasgar em perigosas triangulações. Inserido num estilo de jogo essencialmente musculado, sem adornos tecnicistas e jogado quase sempre em dois-três toques, Ivanschitz incute o traço de criatividade que, em certos momentos, até torna atractivo o futebol do Rapid ou da selecção austríaca, onde já é a sua principal figura. É ele, claramente, o guia espiritual da equipa, onde, sector por sector, também se podem detectar alguns pontos de interesse. Na defesa, o experiente central Martin Hiden, enquanto, nos flancos, impõem-se o lateral esquerdo polaco Adamski, destacando-se, também, o polivalente Feldhofer, que pode jogar como central ou trinco. No meio campo, ao lado de Ivanschitz, atenção ao médio alemão Hofmann, 23 anos, das escolas do Bayer Munique, algo franzino mas muito inteligente a trocar a bola, e ao médio ofensivo uruguaio Martinez, daqueles que gosta de entrar de trás, há várias épocas na Áustria, onde também já jogou no Worgl, num sector onde a cobertura defensiva é feita sobretudo pelo trinco húngaro Korsos, dependendo a profundidade do jogo pelos flancos da inspiração do eslovaco Hlinka, á direita, e de Katzer ou Sturm, á esquerda. No ataque, é proibido perder de vista o ponta de lança checo Kincl, emprestado pelo Sparta de Praga e que já fez, esta época, 5 golos em 6 jogos da Liga Austríaca. Alto e forte no choque (1,90m. e 87kg.), jogando em passada larga, ganha muitas bolas divididas pela experiência dos seus 31 anos, e se descobrir um espaço para rematar é mortífero, sendo os seus principais apoios, deambulando de flanco para flanco, dois perigosos extremos: o belga Lawarée e o checo Dosek, ex-Slavia Praga. A dupla em quem o técnico Hickersberger aposta preferencialmente é formada, no entanto, pela pequena sociedade checa Kincl-Dosek, ambos chegaram esta época a Viena e é para eles que todos olham quando o tempo passa e o golo não aparece.
SISTEMA: 3X1X3X1X2

SEVILHA: A máquina tecnicista de Caparrós

Orientada por um dos treinadores tacticamente mais sábios do futebol espanhol, Joaquín Caparrós, o Sevilha manteve a mesa base da época passada, reforçando-se com dois perigosos avançados, daqueles que sabem jogar na área ou furar, em força, com a bola dominada, como poucos no futebol espanhol, Makukuka e Aranda, também letais na hora do remate. Para abrir o jogo sobre as faixas, com grande poder de penetração, o veloz tecnicista Fernando Dales, ex-Vallodolid, um avançado exímio a jogar em contra ataque, com grande poder de desmarcação. Para dar coesão e criatividade ao meio campo, chegou o inteligente brasileiro Renato, ex-pilar do Santos. Com estes quatro reforços, o 4x2x3x1 de Caparros ganha, claramente, maior qualidade, mantendo como pedras-chave do onze, o lateral direito brasileiro Daniel Alves, muito ofensivo e driblador, o duro defesa central Alfaro, daqueles que olha de frente para os avançados adversários, muitas vezes abusando na agressividade, o doble-pivot, isto é, a dupla de trincos Casquero-Martí, e, como grande figura, o possante brasileiro Julio Baptista que chegara a Sevilha, a época passada, como médio defensivo, mas que foi transformado por Caparros num perigoso médio ofensivo que joga atrás dos avançados, dono de um forte remate, (fez 20 golos) sendo, pela sua compleição física e pela forma como cobre a bola, quase impossível de desarmar. No ataque, também pode surgir, o malabarista uruguaio Dario Silva, um jogador de rasgos, apoiado pelo categorizado médio Antoñito, excelente num um para um, inventado jogadas de golo.

HEART OF MIDLOTHIAN: O velho estilo lutador britânico

Impulsionado por um bom inicio de época, o Heart de Craig Levein surge na Taça UEFA com o entusiasmo tradicional das equipas britânicas, com perfil lutador e tacticamente desenhado num clássico 4x4x2 sem pretensões de esconder qualquer segredo. Estes traços típicos do futebol britânico são detectáveis em todos os sectores, num onze que tem na baliza um jovem guarda redes de 21 anos, Gordon, que já brilhou na selecção escocesa. Á sua frente, a tradicional defesa a «4», com os centrais Webster e Pressley, uma dupla que se conhece de olhos fechados. Noa faixa esquerda, reparem no lateral australiano Knisorbo, muito dinâmico com a bola nos pés, enquanto na direita, o irlandês Maybury, que jogou muitos anos no Leeds, faz todo o corredor de um só fôlego. No meio campo, Hammil e o inglês Stamp fazem a cobertura defensiva e ocupam a zona central, ora na recuperação de bola, ora na elaboração da saída para o contra-ataque. Sobre os flancos, procurando linhas de passe para os cruzamentos, Hartley abre na esquerda, e Neilson dá profundidade pela direita. No ataque, os principais referências são o espanhol Ramon Pereira, 25 anos, vindo esta época do Raith Rovers, e o jovem Weir, 20 anos, um jogador em que os adeptos depositam grandes esperanças para o futuro. Outra solução é o holandês, nascido no Suriname, De Vries, um goleador nato. Praticamente toda a equipa já joga junta há três-quatro épocas, o que torna o grupo muito coeso colectivamente e dificulta a entrada de novos elementos, como os reforços Jamie McAlister, ex-Livingston, e do médio Stewart, emprestado pelo Manchester United.

GLASGOW RANGERS: Estrelas e indisciplina táctica

De novo com o velho Mcleish no banco, o Glasgow Rangers mantêm, esta época, as mesma qualidades e os mesmos defeitos de temporadas anteriores. Uma equipa com grande atitude competitiva, tipicamente britânica, mas, apesar dos recentes progressos tácticos, ainda pouco consistente em termos das compensações defesa-ataque, desequilibrando-se facilmente a defender, sobretudo frente a equipas que saibam jogar em contra-ataque. Este estilo fica bem espelhado na forma de jogar do seu quarteto defensivo, no qual o central francês Boumsong veio esta época dar um toque de classe, ao lado de Khizashvili, também utilizado á esquerda, enquanto que sobre as faixas, os laterais Ricksen e o francês Vignal, que também pode jogar a central, são muito ofensivos, sobem bem no terreno a procurar triangulações e idas á linha para centrar, mas depois, sofrem muito na hora de recuperar defensivamente. No centro, na luta do meio campo, uma dupla de médios defensivos operários, Rae e Burke. São eles o traço mais defensivo de um onze de perfil claramente atacante, onde não é raro jogar, como frente ao CSKA Moscovo, quatro homens de pendor ofensivo, transformando o 4x4x2 inicial num 4x2x4 a atacar. Nesse sentido, destaca-se o croata Prso, que surge agora mais sobre a esquerda, incansável, atrás e á frente, lutando pela bola e forçando o ataque. Na direita, atenção a Hughes e, sobretudo, ao extremo Lovenkraus, muito forte na velocidade com a bola, No centro, o Arveladze é o principal construtor de jogo, como espécie de segundo avançado, atrás do ponta de lança, o espanhol Nacho Novo, ex-Dundee, muito lutador mas pouco astuto no controle de bola.

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