No passado, Rehhagel já demonstrou não ter receio em modificar o sistema táctico em face do adversário, desde o clássico 4x4x2 até ao 5x4x1, passando pelo esquema base que levou ao apuramento, o 3x5x2 ou 3x4x1x2. Nesta fase de preparação, parece, no entanto, inclinado para resgatar o 4x4x2. Os dois últimos jogos de preparação, ambos em casa, confirmaram essa tendência, embora no jogo com Suíça, esta semana, se revele nova aproximação ao sistema de três defesas.
Frente á Bulgária, em Fevereiro, adoptou o mesmo sistema, embora com algumas particularidades táctico-posicionais, expressas numa dinâmica de 4x3x1x2, com a defesa de quatro elementos sempre completa. Frente á Suíça, esta semana, apostou num 3x5x2 menos clássico, desenhado quase sempre o losango na hora de fazer circular a bola.
Destas duas experiências, existem várias ilações a tirar, sobretudo no primeiro jogo, onde, com a postura adoptada, Reehagel procurou, essencialmente, dar maior peso e coesão ao meio campo, onde alinharam dois volantes centrais defensivos: Bassinas (pouco utilizado no apuramento) e Zagorakis, ficando Tsartas, mais adiantado, nas costas dos dois avançados, Charisteas e Papadoupolos, emergindo como a nota mais positiva deste ensaio, o sucesso da experiência de colocar, no mesmo onze, os dois grandes maestros do actual futebol grego: o nº10 Tsartas e o cerebral Bassinas, que, na selecção, recua para frente da defesa, ao contrário do que faz no Panathinaikos, onde joga mais adiantado. Ao lado de Zagorakis, um operário de grande experiência, Bassinas revelou-se o jogador-chave deste 4x3x1x2 helénico, pelas bolas que recupera e pelo jogo que distribuiu. Assim, reunindo no mesmo rectângulo, três pensadores (Bassinas-Zagorakis-Tsartas), o sector intermediário ganhou grande visão de jogo, mas, carente de desequilibradores como Karagounis e Giannakoupolos, perdeu velocidade e rasgo criativo, o que se sentiu, sobretudo, no jogo pelos flancos, onde apenas surgiu, no primeiro tempo, sobre a faixa direita, o virtuoso Lakis. Mal servido, porém, passou completamente ao lado do jogo.
No flanco esquerdo, face á ausência do seu dono natural, Giannakopoulos, o corredor foi ocupado, ora pelas ténues subidas de Fyssas, ora pelas deambulações de Papadoulos, na primeira parte, ou de Amanatidis, na segunda, que descaiam desde o centro, para assim abrir a frente de ataque, ficando apenas Charistas ou Vryzas em cunha entre os centrais adversários, passando, assim, explanar-se em 4x5x1.
Giannakopoulos e o jogo pelos flancos

Numa análise global, este onze grego, frente á Bulgária, revelou-se muito forte defensivo sem bola, pressionando muito longe da sua área. Apesar da visão cerebral dos dois playmakers, Bassinas, mais recuado, e Tsartas, mais adiantado, fica a ideia, porém, que o rendimento de ambos só se torna desequilibrador quando o ritmo de jogo é essencialmente lento. Ou seja, se não for o onze grego a impor o ritmo de jogo, dificilmente conseguirá fazer circular a bola por muito tempo.
Neste sentido, o jogo frente á Suíça, provou como Giannakopulos é fundamental para incutir, na manobra defesa-ataque, a mudança de velocidade que, através de triangulações cirúrgicas com Tsartas, cause os tais desiqulibrios nas linhas adversárias. Nesta busca por dar maior dinâmica e velocidade ofensiva, acabou por ser sacrificado, no entanto Bassinas, que regressou ao banco, só entrando, a meio do segundo tempo, substituindo Tsartas. Um esquema que, no inicio, consagrou Zagorakis como pivot de contenção central, Giannakopulos flanqueador, e Tsartas organizador de jogo central. A principal novidade foi a inclusão de Katsouranis, 24 anos, um talento do novo futebol grego, utilizado como médio na selecção sub-21 e que surgiu agora mais recuado, encostado aos centrais, ensaiando a equipa, em muitos momentos, durante o jogo, o regresso ao 3x5x2, depois de inicio, no papel, ter aparentemente esquematizado o 4x4x2. O segredo estará na capacidade dos médios se desdobrarem e, com a dinâmica da táctica, fazer evoluir o sistema do 4x4x2 para esquemas de três defesas.
Apesar da acção de Katsouranis, como terceiro defesa ou como elemento do meio campo, fica porém claro que, para incutir maior profundidade ofensiva ao meio campo, Rehhagel terá de aguardar a subida de forma de Lakis, ala direito, ou inserir Karagounis, que parte mais do flanco esquerdo mas que também sabe flectir no terreno para criar jogo.
Em suma, um segundo teste desolador para os admiradores do rosto mais cerebral desta Grécia, expresso na coabitação Bassinas-Tsartas. Com Giannakopoulos, porém, o ritmo de jogo subiu muito.
18 /02/04: Atenas: Grécia-Búlgária 2-0
31 /03/04: Creta: Grécia-Suíça: 1-0
Grécia (vitória, 2-0, Bulgária)
Sistema: 4x3x1x2 (variante: 4x2x2x2)