Depois de uma fase de apuramento tacticamente conturbada (iniciada, com Gazaev, em 3x5x2), a Rússia de Yartsev é hoje uma selecção convertida ao 4x4x2 e suas variantes. O jogo com a Bulgária, em Sofia, confirmou essa tendência e deixou claro as duas dinâmicas de jogo em que ela se move: o 4x3x1x2, a defender, e o 4x1x3x2, a atacar. O motor desta metamorfose táctica em pleno jogo, reside na inteligência de movimentos do seu quarteto de médios. Sem Izmailov, o seu elemento mais criativo, e Mostovoi, o guia espiritual, o sector manteve, no entanto, o mesmo perfil, fruto sobretudo da enorme quantidade de excelentes médios organizadores de jogo que dispõe o actual futebol russo.
Assim, como volante recuado, espécie de pivot que inicia a saída de bola e depois corre o campo todo, desdobrando-se em acções de contenção, recuperação, organização e distribuição, emerge o motor Smertin. Mais á sua frente, o nº10 Loskov, um cérebro,. Gosta de descair um pouco para a esquerda, procurando espaço para traçar as coordenar as manobras do onze. Tem classe e imaginação. A sua visão de jogo ilumina toda a equipa. Quando perde a posse da bola, porém recua para fazer a zona e auxiliar Smertin nas acções de cobertura. Sobre os flancos, dois volantes com perfeita leitura das compensações defesa-ataque. Gusev, eficaz sem deslumbrar, á direita, e Semshov, mais lutador, á esquerda. Mesmo sem tocar ou conduzir bola para o ataque, eles são os principais responsáveis pela abertura do jogo ofensivo russo a toda a largura do terreno. Por isso, a atacar o onze surge em 4x1 (Smertin)x 3(Gusev, Loskov, Semshov)x2. Depois, na hora defender, ambos recuam para fechar o flanco passando a alinhar de perfil com Smertin num sistema de 4x3x1x2, ficando apenas Loskov mais adiantado, dois ou três passos, á frente de Smertin. Todo o conjunto joga simples, troca a bola com fluidez, não dá mais de dois-três toques antes de a soltar. O mesmo design manteve-se no segundo tempo, agora com Alenitchev em campo, embora segurando mais a bola e procurando rasgar com ela dominada, e Radimov, sempre atento na hora de fechar defensivamente a sua zona.
As coordenadas de Smertin e Loskov

Defensivamente, os centrais, apesar de fisicamente forte, revelam, porém, pouca velocidade e, devido ao onze jogar só com um trinco, sentem pouco apoio de cobertura defensiva sobre a zona central, entregue apenas ao polivalente Smertin e ao auxílio de Loskov que então recua no terreno. Os flancos, ao invés, estão sempre bem preenchidos, com os médio ala e, na linha defensiva, os laterais Evseev e Sennikov, também astutos a atacar, papel onde se destaca, pela faixa esquerda o inteligente Sennikov. Na direita, Evseev, é mais de cobertura defensiva, resguardando as investidas do volante flanqueador Semhov, exímio a fazer diagonais de penetração. Portanto, para melhor penetrar na área russa, o melhor sistema será, pelas indicações retiradas do jogo de Sófia, através de rápidas triangulações pelo meio, com médios a entrar de trás e um ponta de lança que saiba jogar de costas para a baliza, aproveitando a pouca agilidade de Ignashevich e Onopko. Que, no segundo tempo cedeu o lugar a Sharonov, uma boa alternativa, mais rápido a dobrar e nos tackles.
Os movimentos ofensivos pelos flancos, privilegiam, assim, o jogo de triângulos e pequenas sociedades: Evseev-Gusev, na direita, Sennikov-Semshov, na esquerda. No ataque, uma dupla que sabe movimentar-se com precisão: Bulykin, possante, mais de área e bom cabeceador, e Sychev, um rompedor que gosta de fugir ás marcações. Outra solução é o esquerdino Kerzhakov, muito perigoso a rematar e a furar pelo flanco canhoto.
Rússia (empate, 2-2, Bulgária)
Sistema: 4x1x3x2
31/03/04: Sófia: Bulgária-Russia 2-2