Mais do que um caso de dupla personalidade táctica, este At.Madrid é, no actual futebol espanhol, uma referência sobre como a mudança de sistema pode transformar uma equipa. Afundado em maus resultados enquanto jogou em 4x1x4x1, resgatou as vitórias passando do 18º lugar para o 5º, através do ofensivo 4x4x2 com losango, rombo e dois pontas de lança, o clássico sistema de Manzano, um dos raros treinadores em Espanha, a jogar só com um trinco em vez do doble pivot, como o fizera, nas épocas passadas, com o Mallorca e o Rayo.
No inicio desta época, porém, em Madrid, optou por um sistema mais conservador. Manteve apenas um pivot defensivo, só que em vez de dois pontas de lança, alinhou só com um, num sistema de 4x1x4x1, com os médios em linha. Apesar dos maus resultados, com Torres muito só na frente, Manzano só mudaria o sistema á jornada 7, sistematizou, pela primeira vez, o tal 4x4x2 com rombo, um pivot defensivo e dois pontas de lança. A nível de individualidades, neste novo sistema, De los Santos impôs-se á frente da defesa, Simeone recuou para defesa central (posição em que já jogara na Lazio) e Ibagaza ou Jorge surgiram como médios ofensivos atrás de Torres e Nikolaidis, a nova dupla ofensiva, na qual a inteligência de movimentos do grego é decisiva para abrir os espaços pelos quais El niño de oro foge melhor ás marcações, ora surgindo nas suas costas, ora rasgando pelas bandas, regressando, assim, aos golos. É, em suma, a diferença entre jogar com um ou dois pontas de lança.
Ainda como nota a destacar deste resgatado sistema (que valeu, nos últimos dez jogos, sete vitórias, um empate e apenas duas derrotas) saliente-se o papel dos médios-ala abrindo o losango a toda a largura do campo, através da cultura técnico-táctica de Musampa, sobre a esquerda, e, sobretudo, de Alvaro Novo, sobre a direita, um flanqueador com grande profundidade ofensiva e fabulosa leitura de jogo, exímio nas assistências para o golo e a triangular com os avançados nas jogadas de envolvimento já perto da área.