Tal como sucede com a Real Sociedad, o desgaste físico e emocional da presença simultânea na Liga dos Campeões e Espanhola deixa marcas, mas as razões para a goleada sofrida frente ao Corunha (0-5) e do actual 18º lugar na tabela, são mais profundas do que apenas fruto de uma equipa mentalmente esgotada.
Assim, analisando os últimos jogos, conclui-se que a principal razão para a actual hecatombe do Celta, reside, claramente, numa gigantesco equivoco táctico protagonizado pelo treinador Lotina, que, após se consagrar como um dos mais pragmáticos do futebol espanhol, fiel adepto do 4x4x2 e suas variantes, decidiu, esta época, apostar num desconexo 3x5x2 ou 3x4x3, para o qual não tem, indiscutivelmente, nem jogadores, nem, face o desgaste atlético destes, disponibilidade física para o executar.
Pelas suas características, exigindo jogadores rápidos e super inteligentes no plano táctico e técnico, o 3x5x2 e suas variantes, é um sistema impossível de universalizar. No caso do Celta, o erro começa, desde logo, no trio defensivo, no qual, para a segurança defensiva do sistema, se exigem defesas rápidos que saibam dobrar nas alas, missão também a cargo dos trincos, e laterais, por definição ofensivos, que saibam marcar á zona. Numa frase, tudo o que este Celta não tem. Os laterais, Silvinho-Angel não tem elasticidade defesa-ataque, os defesas Caceres, Berizzo e Contreras, sobretudo estes dois últimos, são de uma lentidão desesperante e, na zona dos trincos, só Luccin sabe dobrar nos flancos, mas não é genericamente um lutador e, com José Ignácio sempre mais adiantado, não pode, como é evidente, estar em dois lugares ao mesmo tempo: a iniciar a saída de bola e a fazer compensações posicionais fora de lugar. Um sistema que frente ao Corunha de Irureta, um dos treinadores tacticamente mais cínicos do futebol espanhol, rigoroso a defender e venenoso no contra ataque pelos flancos, se revelou um verdadeiro suicídio, vislumbrado desde os primeiros minutos perante a incrível passividade de Lotina.