O futebol, ensina a história, nem sempre é justo na hora de conciliar exibições e resultados. Uma dura lição que Hajduk Split, líder da Liga croata, sentiu, na última ronda da Taça UEFA, quando após dois excelentes jogos, onde foi, quase sempre, superior á Roma, acabou por deitar tudo a perder, a cinco minutos do fim, num desentendimento infantil entre o central e guarda redes. Na retina, ficou, porém, o bom e irreverente jogo da equipa treinada por Vulic, antigo defesa internacional jugoslavo nos anos 80/90, que chegou a jogar no Mallorca. Como treinador é responsável, hoje, por uma atraente e lutadora equipa, mescla de garra e técnica, tacticamente esquematizada em 3x4x1x2, mas com uma notável polivalencia dos jogadores, como ficou demonstrado, por exemplo, na grande exibição realizada pelo bósnio Blatnjak. Começou como avançado-centro, passou para médio ofensivo, lutando pela bola a meio campo, e acabou quase como lateral-direito, fazendo todo o flanco destro, seguro a defender e perigoso a atacar. Não é um tecnicista, mas exibe uma garra infinita. Deita as mãos á cabeça quando falha um passe e não pára um segundo.
No centro da defesa, duas referências, o gigante Neretljak, muitas vezes titular na selecção croata, que nunca hesita na hora de colocar a bola na bancada e o experiente Rukavic, 29 anos, magnifico sentido posicional, perfeito no corte e na antecipação.
A meio campo, um triângulo com o vértice defensivo no trinco Vejic e que se abre para o ataque com Andric e Racunica. Falta um playmaker, que poderá ser, em breve, o jovem Carevic, 21 anos. Para já começa muitas vezes no banco, mas, quando entra, vê-se facilmente que tem muito e bom futebol nos pés. No ataque, dois nomes: Bule, lutador e astuto nas movimentações e um velho conhecido do Sporting: Krpan. Continua um quebra-cabeças para os adversários. Corre muito, mas, quase sempre, sem direcção. Para lançar esta equipa na Europa faltou apenas sangue frio e o último remate. Algo que monstros como a Roma não perdoam.