Desde o inicio da época, Thomas Schaff mantêm a mesma proposta táctica, um 4x1x3x2 robusto, típico da moderna escola alemã que reciclou o velho 3x5x2, e, lapidando conceitos técnicos no trato da bola, passou a ocupar mais racionalmente as várias zonas do campo. Nos movimentos, permanece a atitude musculada, mas a circulação de bola é feita hoje em toques mais curtos, fruto, sobretudo, da invasão estrangeira que, cruzada com o tradicional perfil alemão, de passada larga e potentes remates de 30 metros, criou um novo estilo mesclado, mentor de belas equipas, competitivas e atraentes, como o actual líder destacado da Bundesliga.
No seu comendo, Thomas Schhaf, um homem da chamada nova vaga de treinadores alemães, onde também se incluem os nomes de Magath e Aughentaler, entre outros. Nos dois últimos títulos de campeão alemão conquistados pelo Werder Bremen, ele estava no campo como jogador (passou toda a carreira no clube, desde 72 a 95), sob as ordens de um dos mais carismáticos treinadores do futebol germânico, Otto Rehhagel, 14 épocas em Bremen, uma vida durante a qual formou excelentes equipas, destacando-se, entre elas, as que conquistaram, em 87/88 e 92/93, a possante Bundesliga.
ENTRE O 4X1X3X2 E O 4X1X2X1X2:
Como joga o Werder de Schaaf

O motor que a faz funcionar o colectivo mora no meio campo, um o sector que é a alma e o cérebro do sistema, no qual se molda a imagem híbrida do onze, ao mesmo tempo operário na recuperação da bola (com os lutadores Bauman-Ernst) e criativo no seu controle e circulação (com os virtuosos Lisztes-Micoud). É através da dinâmica desse quarteto de médios, todos com elevada cultura táctica defensiva e ofensiva, que o 4x4x2 apenas se limita ao papel, passando, no relvado, a oscilar entre o 4x1x3x2, a defender, e o 4x1x2x1x2, a atacar.
Jogando apenas com médio de contenção clássico, Baumann, o pivot que inicia a saída de bola e orienta a primeira linha defensiva, todo o sector se movimenta como um bloco. Quando sem a posse da bola, na hora de defender e fechar espaços, o trio entre-linhas recua em acções de marcação e recuperação, Listez fecha sobre a direita, Micoud recua no meio, e Ernst cobre o flanco esquerdo, ficando, assim o meio campo explanado em duas linhas, o tal «1x3», isto é, Baumann, trinco, Lisztez-Micoud-Ernst, segunda linha de cobertura, desenhando o 4x1x3x2 de referência.
Quando recupera a sua posse, surge o design ofensivo do sistema. Baumann permanece recuado, mas os homens das faixas adiantam-se no terreno, Lisztes, abre na direita e Ernst, na esquerda, muitas vezes em diagonais que enchem a zona central. No meio, emerge o playmaker da equipa, Micoud, nas costas da dupla dos avançados, com grande visão de jogo e precisão de passe. Surge, assim, a variante «1x2x1», isto é Baumann trinco, Lisztes e Ernst flanquadores e Micoud nº10 central, passando o onze a estender-se em 4x1x2x1x2, com losango no meio campo.
Os recuperadores e os construtores
Nesta dinâmica, o equilíbrio é feito, também, pelas diferentes características dos seus intérpretes, entre o quais se destinguem distintos estilos. Lisztes, por exemplo, é um criativo tecnicista que na selecção húngara joga como playmaker central. Em Bremem surge adaptado á faixa direita. Durante o jogo, no entanto, a sua vocação de nº10 revela-se na tendência para, sempre que tem a posse da bola, flectir no terreno e ocupar zonas centrais permitindo assim, as subidas, pelo flanco, do lateral direito Stalteri. Por sua vez, Ernst, é um jogador mais táctico, um pêndulo com grande cultura defensiva, algo lento, mas inteligente a surgir no apoio ás manobras ofensivas, podendo, por isso, também pode alinhar no centro. Baumann é o jogador mais defensivo, pelo que também surge como alternativa para jogar a defesa-central, passando, nesses casos, Ernst para trinco. A outra principal alternativa para o meio campo é Borowski, como ala direito ou médio centro ofensivo.
A DEFESA E O ATAQUE:
As duplas Ismael-Kratajic
e Klasnic-Ailton

Na defesa, uma excelente dupla de centrais: Ismael, um francês de 27 anos (1,91m e 82kg.) que após várias épocas vagueando de clube em clube (Strasbourg, Crystal Palace, Lens...), encontrou, por fim, em Bremen, o habitat ideal para expressar o seu jogo elegante. Nunca foi internacional, mas domina posicionalmente todas as coordenadas do sector, parece lento mas chega a todas as bolas. A seu lado, o sérvio Kratajic, possante e com bom domínio de bola. Nas laterais, sobre a direita, o aguerrido Davala, vindo esta época do Galatasaray, forte a atacar a defender, embora muitas vezes pareça algo desconcentrado. Na esquerda, Stalteri, internacional do Canadá, descoberto há vários anos no Toronto Lynx, em Bremen desde 18997, embora só nas duas últimas épocas se tenha imposto na primeira equipa. Em caso de necessidade, também pode jogar no corredor direito, passando, nesse caso, a jovem promessa Schultz, 20 anos, das escolas do clube, a ocupar a faixa esquerda.
Uma fábrica de golos
Na frente de ataque, deambulando de flanco para flanco, com grande poder de desmarcação, uma dupla endiabrada, formada pelo croata Klasnic, 24 anos, há várias épocas no futebol alemão (jogou antes no St.Pauli de 94 a 2001), inteligente a movimentar-se entre os centrais e, como grande goleador, o bombardeiro brasileiro de estilo europeizado, no músculo e capacidade de choque, sendo muito raro vê-lo a fintar: Ailton, 31 anos, uma fábrica de golos. Esta época, já fez 22 em 27 jogos. Gosta mais de rasgar pela esquerda. Não é do tipo de ficar parado, em cunha entre os centrais, prefere procurar espaços vazios. Com um notável poder de desmarcação, fazendo da velocidade a principal arma. Quase todos os seus golos são marcados em corrida, como o seu mortífero pé esquerdo. A outra opção para o ataque é o grego Charisteas, um homem mais de área.
EQUIPA TIPO/
Sistema táctico: 4x1x3x2 (variante: 4x1x2x1x2)