Revendo a história, conclui-se que os talentos mais criativos da antiga URSS eram de origem ucraniana. Entre eles destacou-se Blokhine, a flecha de Kiev. Hoje, numa nova era, ele é o seleccionador da nova Ucrania. Depois de um ciclo de transição, onde buscou a sua identidade, o onze ucraniano já evidencia hoje uma personalidade própria, na qual emerge uma equipa essencialmente de contra-ataque. Consciente dos novos tempos, Blokhine parte da segurança defensiva, privilegiando os sistemas de três centrais com a defesa muitas vezes composta por cinco elementos, no caso dos laterais jogarem mais recuados, num desenho de 5x3x2, desdobrando-se, depois, a atacar, num venenoso, 3x4x1x2, transformado, mais perto da baliza, em 3x4x3. O segredo está na polivalência dos médios, destacando-se em tarefas de contenção, á frente da defesa, o volante Tymoschuk, a fazer girar a bola, e o trinco Shelayev, na recuperação. O patrão da defesa é Rusol, uma promessa de apenas 21 anos, jogador do Dnipro. Apesar de se colocar, a maior parte do tempo, com pelo menos oito jogadores atrás da linha da bola, o onze, que procura sempre tornar o campo grande, nunca perde de vista a baliza adversária. A apoiar Shevchenko, no ataque, surgem dois interessantes jogadores: Vorobei, sobre a esquerda, e Voronyn, mais adiantado, como segundo ponta de lança. São eles que dão a profundidade ofensiva á equipa, abrindo o contra-ataque a toda a largura do terreno. Neste campo, muita atenção a Voronyn, jogador do Shakhtar Donetsk, um quebra cabeças para os defesas adversário, fugindo pelos flancos ou surgindo a desmarca-se na zona central. Não é muito dotado tecnicamente, mas é um lutador incansável. Os olhos dos adversários estão, no entanto, sempre postos em Shevchenko, que, para além do faro de golo, revela, na selecção, um espirito de sacrifício, recuando no terreno para fazer a zona, buscar jogo ou lutar pela recuperação da bola. Em suma, uma equipa cerebral e veloz que, esta semana, atropelou a Turquia em Istambul (0-3).